A exposição foi inaugurada na manhã desta sexta-feira, na presença das autoras e do ministro da Educação. Foto: mediotejo.net

“Porque é que é tão importante estarmos no museu e porque é que é tão importante celebrarmos a leitura? (…) Nós temos, nestes 50 anos de democracia, pela primeira vez, uma geração que não tem memória do que foi não viver em liberdade e cujos pais também não têm memória da privação da liberdade. Portanto, este cinquentenário coloca-nos este desafio a todos, que é um desafio de fazer memória, mas não deixar o 25 de abril tornar-se apenas numa efeméride”, destacou João Costa.

Perante uma plateia repleta e com a presença de jovens do agrupamento de escolas do concelho, a sessão de abertura contou com a presença do ministro da Educação, João Costa, do secretário de Estado Adjunto e das Infraestruturas, Frederico Francisco, da vice-presidente da Câmara Municipal, Ilda Joaquim, do presidente da Fundação Museu Nacional Ferroviário (MNF), Manuel Cabral, do curador da exposição, Nelson Mateus e das autoras Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.

A exposição que celebra os 40 anos desta coleção de aventuras transversal a várias gerações, promovida pelo município e pelo MNF, em parceria com a Retratos Contados – Nélson Mateus (curador da exposição), a Leya e a Editorial Caminho, revisita as histórias e reúne as capas em grande formato dos sessenta e seis livros publicados da coleção “Uma Aventura“, uma viagem que começa em 1982, ano do primeiro livro, e segue até 2023.

A exposição foi inaugurada na manhã de sexta-feira, na presença das autoras e do ministro da Educação. Foto: mediotejo.net

Esta trata-se de uma coleção de duas prestigiadas autoras portuguesas, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, e ilustrada por Arlindo Fagundes. Destinada a um público juvenil, é constituída já por 67 aventuras vividas nos mais diversos recantos de Portugal e do mundo, tendo o último título sido publicado no dia 19 de março com o título “Uma Aventura na Torre do Tesouro”.

Isabel Alçada, uma das autoras da coleção infantojuvenil, contou que foi com “muita alegria” que viram o sonho de Nelson Mateus, curador da exposição, ser concretizado.

“O Nelson resolveu organizar uma exposição com base no nosso trabalho de escrita. Não é evidente a organização de uma exposição desta natureza e nós ficamos muito felizes por poder estar aqui a assistir à inauguração da exposição neste museu, Museu Ferroviário Nacional”, afirmou.

Isabel Alçada, autora da série infantojuvenil. Foto: mediotejo.net

Quanto ao local escolhido para apresentar a mesma, a escritora destacou a sua paixão pela ferrovia e acrescentou ser essencial que o país se desenvolva nesta área.

ÁUDIO | Isabel Alçada, autora das obras

“É uma emoção imensa como podem imaginar”, referiu Ana Maria Magalhães. “São 42 anos de trabalho intenso e com momentos muito fortes, como foi por exemplo a ida a Amazónia, mas também a nossa viagem de comboio para fazermos Uma Aventura no comboio“, acrescentou.

Tal como Isabel Alçada, Ana Maria Magalhães afirmou nutrir um carinho especial pelos comboios que têm “um significado especial e recordações fortes da infância”.

“Os meus avós eram do norte e quando começávamos as férias era ir para Santa Apolónia com viagens que duravam horas, com cestos de piquenique, a paisagem corria ao contrário nos vidros, a avó contava histórias e não tínhamos pressa”, recordou.

Ana Maria Magalhães, autora da série infantojuvenil. Foto: mediotejo.net

Para além das aventuras dos cinco personagens principais da série literária, a autora afirma que cada capa exposta agora no Museu Nacional Ferroviário é um “conjunto de emoções e recordações magníficas”.

ÁUDIO | Ana Maria Magalhães, autora das obras

Durante a sua intervenção, o ministro da Educação afirmou que o “comboio é um grande fomento da atividade leitora” e que a inauguração desta exposição corresponde a uma “celebração da leitura”.

“Porque é que é tão importante estarmos no museu e porque é que é tão importante celebrarmos a leitura? (…) Nós temos, nestes 50 anos de democracia, pela primeira vez, uma geração que não tem memória do que foi não viver em liberdade e cujos pais também não têm memória da privação da liberdade. Portanto, este cinquentenário coloca-nos este desafio a todos, que é um desafio de fazer memória, mas não deixar o 25 de abril tornar-se apenas numa efeméride”, destacou João Costa.

João Costa, ministro da Educação. Foto: mediotejo.net

Os livros que resultam de um trabalho conjunto das autoras oferecem “uma transformação na relação com a leitura”. “Aquilo que elas perceberam na altura (…) foi que ninguém se torna leitor se não tiver na infância a experiência de ler aquilo que gosta, de ler aquilo que o desafia e ter uma experiência que é fundamental que é ler um livro até ao fim”, considerou João Costa.

Para o ministro, ler “Uma aventura” é “querer ler como é que acaba”.

“Desde o primeiro momento, nós queremos saber como é que acaba, como é que vão sair da trapalhada em que se meteram. Portanto, este fomento de ler até ao fim, do gostar de ler, de ler aquilo que eu quiser, é o grande precursor de eu depois dar saltos qualitativos na leitura e ler com mais complexidade”, concluiu.

ÁUDIO | João Costa, ministro da Educação

“A vida inteira ouvimos falar nos fenómenos do Entroncamento e aquilo que estamos aqui a fazer não deixa de ser um fenómeno”, afirmou Nelson Mateus, curador da mostra. “Temos aqui 66 capas de livros. Algumas das aventuras acontecem na Madeira, nos Açores ou em Tomar, mas nenhuma acontece no Entroncamento. Mas foi o Entroncamento que teve a coragem e a ousadia de ser o primeiro local a fazer esta exposição”, destacou.

ÁUDIO | Nelson Mateus, curador da exposição
Nélson Mateus, curador da exposição. Foto: mediotejo.net

“Vou só assinalar a feliz ideia de colocar esta exposição neste local e neste museu, porque a ideia de a colocar aqui permite juntar dois objetivos que vão no sentido de criar uma sociedade melhor. (…) O primeiro é colocar as pessoas a andar mais de comboio, o segundo é pôr as pessoas a ler mais”, afirmou o Secretário de Estado Adjunto e das Infraestruturas.

Dirigindo-se às autoras, deixou um desafio para conhecer os recantos do museu e, num próximo livro, escrever “Uma Aventura no Museu Nacional Ferroviário”, concluiu Frederico Santos.

ÁUDIO | Frederico Santos, Secretário de Estado Adjunto e das Infraestruturas
Secretário de Estado Adjunto e das Infraestruturas, Frederico Francisco. Foto: mediotejo.net

Ilda Joaquim, vice-presidente da CME, sublinhou uma “exposição fundamental que liga quem cria, quem trabalha e quem publica, com o seu público”, permitindo colocar em destaque a “importância de eles terem vontade de ler um livro”.

“Há outro aspeto que eu quero realçar nestas obras. De facto, os intervenientes não envelhecem, mas a mim o que me fascina mais é que o texto também mantém toda a juventude, a jovialidade e a irreverência de duas pessoas que são magníficas na escrita e cuja capacidade e intelecto também nos demonstra que não envelheceram”, considerou a vice-presidente.

Ilda Joaquim, vice-presidente da CME. Foto: mediotejo.net
ÁUDIO | Ilda Joaquim, vice-presidente da CME

Manuel Cabral, presidente do MNF, lembrou que a exposição foi pensada para percorrer o país e essa “é uma viagem pode ser feita de comboio”. “É muito bom que esta nova aventura de comboio comece no Entroncamento, bem no centro do país e aqui nesta casa. Ficamos muito contentes com isso”.

Durante o período em que a mostra estará patente, estão agendadas diversas atividades gratuitas que pretendem remeter para as aventuras e mistérios desta coleção de livros, mas também promover o hábito da leitura. A visita à exposição “Uma Aventura” é gratuita para os Agrupamentos Escolares.

ÁUDIO | Manuel Cabral, presidente do Museu Nacional Ferroviário

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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