O ministro da Educação, João Costa, esteve no Sardoal para a inauguração da Escola Básica e Secundária Dra. Judite Andrade. E num edifício renovado, que parece construído de raiz embora tenha sido requalificado, dando lugar a uma escola completamente diferente da anterior, e visivelmente tranquilo sem ter de enfrentar uma única manifestação de professores em protesto, assegurou, na tarde de quarta-feira, que as Humanidades não estão a ser secundarizadas no processo educativo apesar das provas de aferição completamente digitais. Garantiu que independentemente de não haver lugar à caneta nem à escrita a literacia digital é fundamental, o que não implica descurar o ensino do português, da leitura e da escrita.
“Uma coisa é o ensino da literatura, o fomento do gosto pela leitura, o contacto com o livro, aquilo que acontece nas bibliotecas escolares, aquilo que acontece em algumas escolas, de os alunos andarem com o seu livro. Outra coisa são as modalidades de leitura – posso ler em ecrã ou em livro, o importante é que leia em qualquer lugar e que aprenda a ler em diferentes formatos”, defendeu o ministro da Educação em resposta ao nosso jornal exemplificando: “ler texto ou ler hipertexto mobiliza competências diferentes mas tenho de as desenvolver”.

João Costa fez igualmente a distinção com “a aprendizagem da escrita. Não há obviamente o desaparecimento do papel e da caneta. Há neste momento um momento de aferição que é feito em formato digital porque o nosso currículo prevê o desenvolvimento das habilidades e capacidades da competência de escrita e da caligrafia e de todas essas dimensões mas também o desenvolvimento de competência digitais, ou seja, vivemos num mundo digitalizado, vivemos num mundo desigual e sabemos que o processo de digitalização pode estar associado a um processo de aprofundamento de desigualdades”.
Relativamente à polémica gerada à volta da prova de Educação Artística que pede a alunos de 2.º ano que imitem o som e movimento de uma minhoca ou de um sapo cego o ministro fala em “descontextualização” e explica que “isso aparece no meio de um item que mobiliza movimento, dança, expressão, criatividade. Obviamente se descontextualizar as coisas elas parecem anedóticas e ridículas, por isso é preciso ir às provas, ver o que lá está, perceber os critérios, ver a sua relação com o currículo. Não podemos andar todos em vários fóruns a dizer que as competências para o século XXI que o pensamento crítico e criativo é fundamental e depois quando estamos a aferir esse tipo de competências dizer: afinal não! O que temos hoje é uma aferição global do currículo, aferimos conhecimentos, aferimos expressões, aferimos o desenvolvimento físico-motor, as competências nas áreas das artes e é isso que nos dá um olhar integrado sobre como estão a decorrer as aprendizagens”, defendeu.

Para João Costa “os grandes preditores de leitura, dos comportamentos de leitura são. Viver em ambientes rodeados de livros, falar-se de livros à volta dos alunos, e é isso que as escolas fazem quando têm essa intensa atividade de promoção da leitura. Portanto, um dia de uma prova não é um retrato do desenvolvimento curricular e daquilo que acontece na escola. Nós é que às vezes vivemos demasiado obcecados com os momentos de avaliação”.
Sobre a requalificação da escola de Sardoal, João Costa considerou ser “uma obra muito bem feita, um grande trabalho do Município do Sardoal, uma boa utilização dos fundos europeus que temos tido ao dispor do país, uma obra muito desejada por esta comunidade e em que a obra não é tudo porque temos a obra e temos também a qualidade do trabalho dos professores que se vê e que se evidência em cada sala de aula em que entrei”.

Segundo o ministro “hoje é um dia em que Sardoal está de parabéns porque foi uma luta do senhor presidente e temos vindo a fazer centenas de intervenções e requalificações de escolas nos últimos anos temos agora uma lista de 450 escolas para intervenção nos próximos anos negociada com a Associação Nacional de Municípios, estamos na reprogramação do PRR a mobilizar verbas importantes para que estas obras aconteçam”, disse João Costa aos jornalistas à margem da cerimónia solene de inauguração da Escola Básica e Secundária Dra. Judite Andrade, falando de 300 milhões de euros numa “verba inicial”.

E após uma visita guiada pela Escola Básica e Secundária Dra. Judite Andrade, inaugurada oficialmente esta quarta-feira, 10 de maio, mas a funcionar desde janeiro de 2021, foi no auditório que decorreu a cerimónia solene, com vários convidados na plateia como a presidente da CCDR Centro Isabel Damasceno, o delegado de Educação de Lisboa e Vale do Tejo, Bruno Santos, o presidente da Assembleia Municipal de Sardoal, Miguel Pita Alves, vereadores da Câmara de Sardoal e os presidentes das Juntas de Freguesia.

A diretora do Agrupamento de Escolas de Sardoal, Ana Paula Sardinha, começou por deixar uma mensagem de “grande gratidão a todos os que contribuíram direta e indiretamente para que o sonho de muitos anos fosse uma realidade”.
Falou “numa grande caminhada” e lembrou o processo de requalificação com som de obras, pó nas salas de aulas e reduzidos espaços exteriores “e ainda acompanhados pela covid-19”. Mas, para Ana Paula Sardinha, “tudo valeu a pena”.

Por seu lado, o presidente da Câmara Municipal de Sardoal lembrou quando “há mais de 20 anos coordenou a elaboração do primeiro projeto educativo” daquela escola, interiorizando “o sentimento” que anda pela escola: “interioridade não é sinónimo de inferioridade”. Uma frase que o tem acompanhado durante todo o seu percurso político.
Referiu as três fases da obra, de uma escola que dá resposta até ao 12º ano. “Foi convencer a Europa que além dos milhões já investidos na remodelação do Parque Escolar ainda havia uma escola que estava a precisar e era a nossa”, disse Miguel Borges falando “numa luta enquanto professor, uma luta enquanto presidente do conselho geral, uma luta enquanto autarca mas principalmente uma luta enquanto encarregado de educação e enquanto pai”.
Concluiu que “felizmente que coesão territorial deixou de ser palavras vãs” dando conta que, no presente ano letivo, a escola de Sardoal aumentou o número de alunos em 10%.

Também João Costa referiu no seu discurso a história do projeto, “toda a luta que se teve de travar para que se concretizasse” a requalificação da escola. Um espaço que considerou “bonito” e, como disse Ana Paula Sardinha, “é mesmo uma escola de futuro”.
O ministro da Educação, depois de ter conversado com alguns alunos afirmou ter visto “não só felicidade nos olhos deles, que é sempre um bom sintoma da vida de uma escola, mas também a energia e a vitalidade desta escola”.
No presente ano letivo o Agrupamento de Escolas de Sardoal conta com 505 alunos, um número de alunos inscritos que, tal como informou o presidente da Câmara, aumentou em relação aos anos anteriores.
O investimento total na nova escola de Sardoal, que com equipamentos ronda os 5 milhões de euros, é financiado a 85% por fundos comunitários, havendo uma componente suportada pelo Ministério da Educação de 7,5% (200 mil euros) e outra de 7,5% suportada pelo Município, cerca de 400 mil euros.
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