Tiago Brandão Rodrigues era uma jovem esperança do Partido Socialista para refrescar o governo de António Costa. Tipo simpático, excelente percurso académico, jovem investigador de referência, que queria voltar ao seu país. Costa tê-lo-á convencido que iria ser Ministro na sua equipa após ganhar as eleições. E o Tiago aceitou. Ficou bem na campanha, disse umas coisas inovadoras, demonstrou garra e vontade e ajudou a fazer umas boas notícias sobre o “regresso de um jovem de sucesso”. Mas depois vieram os problemas.
António Costa perde as eleições, consegue aliar-se ao PCP, Bloco e Verdes para governar mas isso tinha custos. Um deles, talvez o maior, era entregar a Educação ao Ministro sombra Mário Nogueira. O bendito Tiago, que achava que seria Ministro da Ciência teve que ser deslocalizado para outra pasta porque Manuel Heitor tinha mais estatuto, o lobby da ciência estatizada preferia-o a ele e era preciso arranjar uma solução para o Tiago. Vai para a educação. O coitado do Tiago cometeu o primeiro erro da sua história recente que foi aceitar ser Ministro de uma área que desconhecia de todo. Tiago aceitou o cargo errado na altura errada.
Ali chegado, a FENPROF tomou conta do processo, o PCP e o BE trataram de, através do resgate pago pelo PS, aprovar as reversões todas que quiseram na Assembleia da República e o bom do Tiago limitou-se a ser o porta-voz dos disparates que Catarina Matins e Mário Nogueira lhe impuseram.
Hoje tivemos a primeira confirmação de todos estes disparates. Depois de suspenderem o processo de avaliação de alunos, porque alegadamente tinham uma solução melhor, fizeram tábua rasa do passado já herdado de Maria de Lurdes Rodrigues e prosseguido por Nuno Crato, dizem-nos que afinal não tiveram tempo de apresentar a nova solução. Assim, este ano faz prova de aferição quem quer, é à vontade do freguês e depois para o ano já todos voltam a fazer.
Isto é um enorme desrespeito pelos alunos, pelos professores, por toda a comunidade escolar. É resultado apenas de incapacidade política de um governo, do corporativismo da FENPROF, da falta de realismo do Partido Socialista e sobretudo da mesquinhez da esquerda portuguesa.
Resulta do revanchismo caviar da coligação de governo, para quem, mais importante do que ter crianças competentes, é as crianças andarem alegres, como se uma coisa impedisse a outra.
A escola pública precisa de exigência, de qualidade, de medir a sua capacidade para poder evoluir. Uma escola pública pouco exigente prejudica sobretudo os mais pobres, com menos possibilidades. É isso que a esquerda não percebe. O mais ricos têm por si acesso a outras oportunidades, os mais pobres ficam mais pobres se a escola pública não conhecer a mesma exigência das melhores práticas privadas.
