Ministro diz que agricultura é prioridade estratégica e defende reforço de apoios da UE. Foto: Facebook/RO

O ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, afirmou hoje que o setor é uma prioridade estratégica para o Governo e defendeu uma atualização da Política Agrícola Comum, alertando que o atual modelo tem de ser simplificado e reforçado. A Feira Nacional de Agricultura (FNA) decorre de 7 a 15 de junho no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), em Santarém, com foco nas biosoluções.

“A agricultura para nós é estratégica, é estruturante, é comida no prato, segurança alimentar, coesão, competitividade, investigação e inovação”, afirmou o governante, à margem de uma visita à Feira Nacional de Agricultura, em Santarém, onde esteve acompanhado pelo comissário europeu da Agricultura, Christophe Hansen.

O ministro destacou o trabalho que o Governo tem vindo a desenvolver na área, nomeadamente o reforço do rendimento dos agricultores, o apoio à renovação geracional e o lançamento do projeto “Água que Une”, referindo ainda que o défice agroalimentar português foi reduzido em mais de 400 milhões de euros em 2024.

Questionado sobre a Política Agrícola Comum (PAC), o governante referiu que é um instrumento essencial para garantir práticas agrícolas mais sustentáveis, mas alertou para a necessidade de aumentar os montantes disponíveis e de desburocratizar os processos.

“O agricultor não pode estar no campo e, ao mesmo tempo, preencher papéis todos os dias”, afirmou.

Ministro diz que agricultura é prioridade estratégica e defende reforço de apoios da UE. Foto: Facebook/RO

José Manuel Fernandes alertou igualmente para a necessidade de garantir o acesso generalizado a vacinas e produtos fitofarmacêuticos, referindo que apenas dois Estados-membros dispõem atualmente de laboratórios para produção de vacinas contra pragas e doenças.

“Temos novas pragas e doenças. Mas é essencial que as vacinas estejam disponíveis para todos os Estados-membros. Se esses laboratórios ficarem com as vacinas para os seus agricultores, haverá uma destruição do mercado”, avisou.

O ministro defendeu ainda o reforço da política de seguros agrícolas, alertando para as desigualdades entre os Estados-membros no acesso a instrumentos como os seguros contra intempéries.

“É importante que os seguros destinados às intempéries estejam disponíveis para todos os Estados-membros em condições semelhantes, para não termos um agricultor de um Estado-membro com acesso a um seguro e outro que não tenha”, acrescentou.

Ainda sobre a revisão da PAC, o ministro reiterou que “o que funciona bem não deve ser destruído”, considerando que o modelo tem sido “um grande sucesso”, apesar de admitir melhorias.

Já o comissário europeu da Agricultura, Christophe Hansen, sublinhou que a agricultura europeia enfrenta pressões crescentes, desde a mudança climática até ao impacto da guerra na Ucrânia, passando ainda pelas tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China. “A produtividade tem de voltar ao centro da política agrícola”, defendeu.

O comissário lembrou que a Comissão Europeia apresentou recentemente um pacote legislativo para simplificar a PAC, esperando que seja ratificado em breve pelo Parlamento e pelo Conselho Europeus.

“Queremos aplicar estas medidas já no próximo ano”, afirmou, lembrando que a União Europeia tem uma lacuna de financiamento no setor agrícola na ordem dos 62 mil milhões de euros.

Para o responsável, é essencial garantir condições atrativas para os jovens entrarem no setor agrícola, através de educação, estabilidade política e financiamento. “A segurança alimentar e a soberania alimentar não são garantidas, temos de investir na geração futura”, defendeu.

Fersant recebe entidades oficiais na inauguração da Feira Nacional da Agricultura

A edição de 2025 da Feira Nacional da Agricultura arrancou esta manhã no CNEMA – Centro Nacional de Exposições, em Santarém, com a presença de diversas entidades oficiais, entre as quais o Comissário Europeu da Agricultura, Christophe Hansen, o ministro da Agricultura de Portugal e o presidente da Confederação dos Agricultores (CAP).

Durante o percurso inaugural pelo certame, os responsáveis institucionais foram recebidos pela Nersant – Associação Empresarial da Região de Santarém, representada pelo seu vice-presidente, Rui Serrano, que teve a oportunidade de dar as boas-vindas em nome da associação e de convidar os visitantes oficiais a conhecer o espaço Fersant.

Fersant recebe entidades oficiais na inauguração da Feira Nacional da Agricultura. Foto: RS

Organizada pela Nersant a Fersant é uma mostra empresarial que decorre no âmbito da Feira Nacional da Agricultura e que dá palco a dezenas de empresas da região. De vários setores de atividade, estas empresas apresentam ali os seus produtos, serviços e soluções inovadoras, numa verdadeira montra da vitalidade económica do Ribatejo.

A visita das entidades oficiais ao espaço da Nersant foi “recebida com entusiasmo e simboliza o reconhecimento do papel que o tecido empresarial regional desempenha no crescimento económico e na valorização do território” onde se insere, indica a associação empresarial, em comunicado.

Fersant recebe entidades oficiais na inauguração da Feira Nacional da Agricultura. Foto: RS

Ao longo de toda a feira, segundo a mesma nota, a Nersant “continuará a promover o dinamismo, a cooperação e o espírito empreendedor das empresas ribatejanas, contribuindo para afirmar a região como um polo de inovação e competitividade”.

Feira Nacional da Agricultura decorre de 07 a 15 de junho com foco nas biosoluções

A edição de 2025 da Feira Nacional de Agricultura (FNA) decorre de 7 a 15 de junho no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), em Santarém, com foco nas biosoluções. Na conferência de imprensa de apresentação do certame, o administrador do CNEMA, Luís Mira, afirmou que a feira vai dar destaque às biosoluções e à forma como elas estão a transformar a agricultura, tornando-a mais eficiente e com menos impacto ambiental.

“O objetivo que pretendemos com a escolha deste tema é dar a conhecer, uma forma de atuar na agricultura que é mais sustentável, que dá mais capacidade produtiva e que responde mais às exigências dos consumidores”, afirmou.

A edição deste ano conta com a participação de algumas das principais empresas e entidades ligadas ao setor das biosoluções, como a Agenda Mobilizadora InsectERA, a Corteva, a Agrobio, a Repsol e a Floene, bem como a presença de representantes de algumas “Bio-Regiões”.

“Os visitantes vão ter a oportunidade de ver na feira empresas que vendem, que praticam esse tipo de soluções e que as põem à disposição dos agricultores”, referiu.

Entre os exemplos apresentados de soluções biológicas, destacam-se os biocombustíveis desenvolvidos a partir de resíduos agrícolas, a produção de biometano, fungicidas feitos a partir de casca de laranja e bioestimulantes para as culturas.

“Temos um leque alargado de soluções com base biológica que cada vez mais estão a ser utilizadas na agricultura em Portugal”, afirmou Luís Mira, sublinhando que estas técnicas “não estão numa fase de avaliação”, mas são “uma realidade já presente em muitas explorações agrícolas”.

Outro dos destaques anunciados é a presença da Comissão Europeia e do Brasil, com a participação do ministro da Agricultura brasileiro, Carlos Fávaro, e do comissário europeu da Agricultura e Alimentação, Christophe Hansen, que visitam a feira no âmbito das comemorações dos 50 anos da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).

No dia 11 realiza-se a “Conferência Internacional sobre Agricultura nos países do Sul da Europa”, com representantes de Portugal, Espanha, Itália, Grécia e Croácia, que “tomarão uma posição conjunta sobre a política agrícola comum”, explicou Luís Mira, referindo-se à importância política da iniciativa.

Está ainda previsto um seminário sobre o futuro dos jovens agricultores, um ‘workshop’ sobre agricultura regenerativa, um ciclo de conferências que junta especialistas e organizações para discutir os desafios do setor, e ainda uma área dedicada às raças caninas portuguesas.

Feira Nacional da Agricultura regressa a Santarém de 7 a 15 de junho. Foto arquivo: FNA

A FNA vai voltar também a apostar na vertente lúdica, com provas equestres, concursos pecuários, showcookings e espetáculos musicais.

A Câmara Municipal de Santarém volta a ter um papel destacado, nomeadamente no dia 13 de junho, com o “Dia de Santarém”, data em que a autarquia vai dinamizar o seu stand com conferências, atividades culturais e a presença de mais de 1.300 crianças das escolas do concelho.

A feira contará com transportes gratuitos em autocarros elétricos a partir do centro da cidade, numa parceria com a Rodoviária do Tejo e a Repsol, e continuará a apostar na sustentabilidade, com copos reutilizáveis e ecopontos em todo o recinto.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também deverá marcar presença na FNA, naquela que será a sua última visita à feira como chefe de Estado. “Vamos fazer uma homenagem, porque é justo. Veio cá 14 ou 16 vezes nestes 10 anos”, afirmou Luís Mira.

A Feira terá também um novo modelo de refeições com menus do dia em todos os restaurantes, com preços controlados até 22,5 euros.

“Constatámos, nas últimas edições, que era caro comer na feira. Por isso, tomámos a decisão de impor um limite”, reconheceu o administrador.

Némanus, Anselmo Ralph, Nininho Vaz Maia e Fernando Daniel são os cabeças de cartaz.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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