Ministra da Cultura aponta Bons Sons como exemplo de comunidade, acessibilidade e identidade. Foto: Zé Paulo Marques/mediotejo.net

Na sessão inaugural da 13.ª edição do festival, que assinala também os 20 anos do projeto, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, afirmou ter procurado perceber o que distingue o Bons Sons num país onde, nesta altura do ano, “há muitos festivais e muitos eventos de música”.

A resposta, disse, encontrou-a na própria aldeia. “Há uma comunidade que se mobiliza em torno de um evento, há uma aldeia que se abre ao país e ao mundo e há um extraordinário exemplo de como a cultura pode ter um grande impacto no território”, afirmou, perante representantes da organização, autarcas, voluntários e festivaleiros.

Para Margarida Balseiro Lopes, a singularidade do Bons Sons reside precisamente no facto de o festival crescer “respeitando a identidade, a cultura, as tradições e aquilo que há na aldeia”.

“A aldeia não vem para o festival nem se adapta ao festival. É o festival que nasce e cresce respeitando a aldeia. Isso faz toda a diferença”, sublinhou.

Bons Sons 2026. Foto: Zé Paulo Marques/mediotejo.net

A ministra destacou igualmente o percurso do Bons Sons na área da acessibilidade, lembrando que o festival tem sido uma referência na eliminação de barreiras físicas e na criação de condições para pessoas com deficiência ou neurodivergentes.

Revelou mesmo que uma das medidas entretanto adotadas pelo Governo – a gratuitidade do acompanhante de pessoas com deficiência em iniciativas culturais – nasceu depois de conhecer práticas implementadas em Cem Soldos.

“Há medidas que serviram de inspiração ao Governo. A gratuitidade do acompanhante nasceu também depois de vermos o exemplo que aqui é feito”, afirmou.

Considerando que “a cultura deve chegar a toda a gente”, Margarida Balseiro Lopes defendeu que eventos como o Bons Sons demonstram que a cultura pode envolver comunidades, valorizar a identidade local e chegar aos territórios fora dos grandes centros urbanos.

“A magia é o envolvimento de toda a gente”

Na abertura oficial, o presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão, enalteceu o percurso de um projeto comunitário que, duas décadas depois, continua a renovar-se.

“Os projetos ficam para além das pessoas”, afirmou, lembrando que a atual equipa herdou um trabalho iniciado há 20 anos e que continua a mobilizar centenas de voluntários.

O autarca agradeceu também à ministra por ter cumprido o compromisso assumido há cerca de um ano de marcar presença na edição comemorativa do festival.

Carrão descreveu o Bons Sons como um evento onde “a magia é precisamente esse envolvimento, essa participação de todos”, recordando até histórias de famílias que nasceram a partir de encontros ocorridos no festival.

“Há aqui uma magia muito especial. Aproveitem para viver a aldeia, para viver o Bons Sons e para viver Cem Soldos”, apelou.

Também o presidente do Sport Clube Operário de Cem Soldos (SCOCS), Filipe Cartaxo, destacou os “20 anos de resistência, de cuidado e de proximidade” de um projeto que continua assente no voluntariado e na participação da comunidade.

“É um projeto comunitário e voluntário. Todos os anos queremos fazer mais e melhor”, resumiu.

Comunidade continua a ser a maior marca do festival

Ao mediotejo.net, a presidente da União das Freguesias de Madalena e Beselga, Luísa Henriques, considerou que o Bons Sons é hoje uma referência muito para além do concelho de Tomar.

“É muito importante para a freguesia, para o concelho, para o distrito e penso que até para o país. Dá a conhecer o nosso território, as nossas gentes e as nossas tradições”, afirmou.

A autarca destacou o envolvimento da população na preparação do evento e acredita que essa ligação continua a ser o segredo da longevidade do festival.

“É um trabalho muito gratificante. No final percebemos a envolvência de toda a comunidade para receber bem quem nos visita. É um festival para continuar”, frisou.

Um festival para viver a aldeia

Ao longo do primeiro dia, as ruas estreitas de Cem Soldos voltaram a encher-se de visitantes vindos de vários pontos do país, num ambiente distante da lógica dos grandes festivais de verão.

Entre concertos, conversas, gastronomia, debates, exposições e atividades para todas as idades, moradores e festivaleiros partilharam os mesmos espaços, confirmando aquela que continua a ser a principal marca do Bons Sons: um festival que acontece dentro de uma aldeia, sem deixar de ser a aldeia.

A programação prolonga-se até domingo, distribuída por dez palcos espalhados pelas ruas, largos, eiras e hortas de Cem Soldos, mantendo a aposta exclusiva na música portuguesa e numa programação multidisciplinar que junta concertos, teatro, dança, cinema, pensamento e comunidade.

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A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Natural e residente na freguesia de Sabacheira, Tomar, militar na reforma, amante da arte da fotografia, gosta de retratar atividades culturais e desportivas para fazer a sua divulgação, colaborando com vários meios na imprensa local. É um amante inveterado dos animais, da natureza, do silêncio e da leitura.

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