Em Sardoal, até domingo pode ouvir música, apreciar ou comprar artesanato, provar petiscos, beber vinho do Ribatejo ou uma cerveja artesanal, ver teatro, exposições, hipismo ou até ténis de mesa. Mas a Mostra de Saberes e Sabores, na Praça Nova, de Sardoal, recebeu na tarde desta sexta-feira, 22 de setembro, os primeiros visitantes que vieram com vontade de espreitar as ruas do centro da vila, bem como a ministra da Habitação, Marina Gonçalves.
A governante, depois da assinatura de um protocolo que vai viabilizar a construção de 16 fogos a custos acessíveis, no valor de 2.7 milhões de euros, visitou a Mostra e conheceu tudo aquilo que Sardoal tem para oferecer, em Festa até ao próximo domingo, comprovando uma vez mais que em Sardoal ‘ninguém é de fora’. reconhecendo que os grandes programas de habitação, no passado, “não tiveram escala nacional”.

No âmbito das cerimónias do Dia do Concelho de Sardoal, realizou-se, em momento anterior à visita, no salão nobre do edifício da Câmara Municipal, a assinatura dos Acordos de Colaboração a celebrar no âmbito do Protocolo de Cooperação para Projetos de Habitação a Custos Acessíveis do Médio Tejo, que contou com a presença da governante.
Marina Gonçalves falou sobre as novas políticas públicas de habitação, garantiu ser uma prioridade do Governo para concretizar a nível nacional e reconheceu que os grandes programas de habitação, no passado “não tiveram escala nacional”.
“Nós, enquanto governo, devemos definir uma política pública, devemos definir a necessidade e a importância de colocar a habitação ao nível da saúde, ao nível da educação, ao nível da segurança social, ao nível da justiça da construção do Estado Social, mas não tenhamos dúvidas que só concretizamos de forma plena se tivermos este envolvimento coletivo, deste trabalho em rede, esta capacidade de chegar ao território e, na verdade, sermos desafiados pelo próprio território para construirmos ainda mais políticas”, começou por dizer Marina Gonçalves no seu discurso na cerimónia de assinatura do Protocolo de Cooperação para Projetos de Habitação a Custos Acessíveis do Médio Tejo.


Os Acordos de Colaboração têm por objetivo garantir o desenvolvimento de projetos de habitação a custos acessíveis, para construção ou reabilitação de habitações nos concelhos do Médio Tejo.
Em Sardoal serão construídas 16 habitações a custos acessíveis, orçadas em 2,7 milhões de euros, e com previsão de conclusão em 2025, disse o presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges, ao nosso jornal.
Os 16 fogos que “vão ser construídos de raiz em quatro blocos, com dois pisos, garagens individuais e de tipologia T1, T2 e T3”, no denominado Parque Habitacional da Fonte da Estrada, integra o ‘Parque Público de Habitação a Custos Acessíveis’ e representa um investimento de 2,7 milhões de euros, financiados a 100% na sequência de uma candidatura do município ao programa 1.º Direito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) .
No total, no âmbito da Estratégia Local de Habitação (ELH), e em articulação com o IHRU, Sardoal tem projetados “cerca de cinco milhões de euros para reabilitar habitações no âmbito do 1.º Direito, ou seja, uma habitação condigna, num horizonte temporal até 2025”, tendo também inscrito a “construção de novas habitações para custos controlados e a requalificação dos prédios da Tapada da Torre”, destacou.

Os quatro prédios da Tapada da Torre, com 32 fogos destinados a habitação social e que começaram a ser habitados em 1992, já foram objeto de contrato, assinado em junho com o IHRU, no valor de 1,2 milhões de euros, e vão ser reabilitados após uma candidatura do município ao programa 1º Direito do Plano de Recuperação e Resiliência, estando a empreitada “em fase de adjudicação”.
Nesta sexta-feira, quer o espaço onde vão ser construídas as novas habitações quer o Bairro da Tapada da Torre, mereceram uma visita da Ministra da Habitação bem como da comitiva de convidados do Município de Sardoal, presentes na abertura das Festas do Concelho.
O momento contou também com a presença do vice-presidente da CIM Médio Tejo, Manuel Jorge Valamatos, do presidente do IHRU, António Leitão e outros autarcas de concelhos do Médio Tejo.
Para Marina Gonçalves “o Estado tem de ter um papel ativo: através do seu parque público, é fundamental, e através destas parcerias, da conjugação de um conjunto de fatores conjunturais e estruturais mas sem dúvida nenhuma com estes instrumentos e com a concretização destes instrumentos no território, e não poderíamos fazer isto de outra forma que não fosse através dos municípios”.
A ministra sublinhou que “a habitação tem de ter uma papel fundamental na concretização das políticas públicas e tem mesmo de estar na base das nossas prioridades”, disse falando na “universalidade” no acesso à habitação, não bastando “segmentar a resposta”.
A ministra indicou que o programa 1º Direito foi pensado para as famílias com menores rendimentos mas deixou a promessa que outras políticas se seguirão, dirigidas à classe média.

Também o vice-presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, Manuel Jorge Valamatos, falou de habitação e do objetivo da concretização dos Acordos de Cooperação: “o aumento do parque habitacional na nossa região”, e que preveem a construção de mais de 1100 habitações a custos controlados nos municípios pertencentes à CIMT.
Os 2,7 milhões de euros de investimento em Sardoal “fazem parte de um investimento de 154 milhões de euros a aplicar em todos os municípios do Médio Tejo para garantirmos habitações de qualidade que aumenta a oferta habitacional da nossa região”, deu conta Manuel Jorge Valamatos.

Na ocasião, procedeu apenas à assinatura do protocolo o município de Sardoal, a CIM Médio Tejo e o IHRU, sendo que, ainda durante a tarde, em Alcanena, na sessão solene “Regenerar Alcanena”, assinaram os municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Tomar, Torres Novas, Vila de Rei e Vila Nova da Barquinha.
Os acordos de cooperação são referentes “a um total de 14 imóveis que permitem a construção e reabilitação de 210 fogos representando um investimento total superior a 29 milhões de euros”, acrescentou.

Por seu lado, Miguel Borges lembrou que “a nova geração de políticas da habitação criou criou o 1º Direito”, programa de apoio ao acesso à habitação que “veio possibilitar um valor total de investimento de um milhão, duzentos e setenta e dois mil, novecentos e noventa e sete euros e nove cêntimos, melhorando a habitabilidade, igualmente o desempenho no âmbito da eficiência energética”.
Sendo certo que as Estratégias Locais de Habitação “teriam a sua maior incidência no 1º Direito, quisemos ir mais longe, procurando igualmente uma solução que contribuísse para a fixação de novos habitantes no nosso concelho, garantindo não só a qualidade de vida como também a atratividade. Desde logo identificámos a necessidade de construção de novos fogos”, acrescentou o autarca, dizendo à ministra que em Sardoal “não queremos por aqui ficar, queremos somente dar todos os nossos passos com a firmeza necessária para que tudo corra bem”.
Quando à Mostra de Saberes e Sabores, integradas nas Festas do Concelho, conta este ano com 20 expositores de artesanato, produtos regionais sardoalenses e dos concelhos vizinhos de Abrantes, Mação, Constância, Sertã ou Vila de Rei, como trabalhos em trapologia, tecelagem, bijuteria em diversos materiais, bordados e ponto cruz, objetos em cabedal e litografias, cestaria entre muitos outros. Além do artesanato, também a doçaria local, compotas, vinhos e licores.
Além disso, concertos, exposições, teatro, gastronomia, desporto, um festival hípico, entre outras propostas e atividades, integram as Festas de Sardoal, evento que decorre de sexta-feira a domingo e que visa celebrar os 492 anos da elevação de Sardoal à categoria de Vila, por Carta de Mercê passada por D. João III, em 22 de setembro de 1531. José Cid, Hyubris e Fados do Bairro Alto e Alfama por Victor Costa e Amigos são cabeças de cartaz. Três dias que fazem jus à velha máxima local, “no Sardoal ninguém é de fora”.
O presidente da Câmara, em declarações ao nosso jornal, destacou “o grande empenho e grande envolvimento de todos os sardoalenses, do tecido associativo, de todas as pessoas que estão na Mostra de Saberes e Sabores, nas tasquinhas. Este é o aspeto que é diferenciador nas nossas festas”, considerou.
Miguel Borges deu conta “da alegria das pessoas que percorrem as ruas de Sardoal” tendo “três espaços completamente diferentes: o palco da Mostra, o palco principal e o palco nas traseiras da Câmara”.
O autarca salientou igualmente os eventos desportivos, com a novidade este ano do torneio de ténis de mesa pela associação de Valhascos. “É uma diversidade muito grande onde tenho a certeza que as pessoas se sentem bem”. Destaque ainda para a peça de teatro do GETAS, o concerto da Filarmónica União Sardoalense ou o som das concertinas de Valhascos.
“Há uma resposta muito grande não só da produção musical e artística que vem de fora mas também da produção musical e artística que é da terra”. Miguel Borges não esqueceu as duas exposições no Centro Cultural Gil Vicente: 35 anos de pintura de Álvaro Mendes e a cerâmica da Universidade Sénior.
“Sardoal tem este microclima cultural com mais de 500 anos de história comprovada e todos os dias trabalhamos neste ambiente cultural e a prova está à vista”, concluiu.
































