Como surgiu o convite para integrar o gabinete do Secretário de Estado das Florestas?
O convite surgiu com alguma naturalidade. Resulta do trabalho que fui desenvolvendo na área da floresta ao longo de 12 anos como presidente de Câmara, e mais quatro como vereador. Fomos-nos encontrando várias vezes ao longo destes últimos tempos, [com Rui Ladeira ] já na qualidade de Secretário de Estado e eu de Presidente de Câmara. O senhor Secretário de Estado também foi Presidente de Câmara, o que facilita muito esta relação, porque existe uma linguagem comum e uma perceção clara da importância que este tipo de trabalho tem. As autarquias têm um papel fundamental naquilo que é importante para a nossa floresta e para o mundo rural.
Como autarca, mas também como coordenador distrital da Proteção Civil, teve de lidar com incêndios de grandes proporções. Essa experiência deu-lhe uma perceção da realidade que agora levará para os gabinetes do Governo?
Sem dúvida. A reorganização da proteção civil no nosso território, onde os municípios se articulam muito bem entre si, falando todos a uma só voz, com um objetivo comum – penso que o Médio Tejo é um bom exemplo nacional. Tudo isto fez com que hoje eu possa continuar a colaborar e a colocar ao serviço esta experiência que fui adquirindo, mas sempre com a consciência de que este é um trabalho onde há também muita aprendizagem. É um trabalho que nunca está esgotado. Tivemos recentemente tempestades que vieram demonstrar que há sempre muito a fazer, muito a refletir e muito a pensar sobre o nosso território, sobretudo num contexto de alterações climáticas, que nos trazem constantemente novos desafios.

António Miguel Cabedal Borges, 59 anos, nasceu em Abrantes mas reside no Sardoal há quase 40 anos, município que presidiu entre 2013 e 2025. Filiado no PSD há 20 anos, é professor de Educação Musical, formado em Composição pelo Conservatório Nacional, com profissionalização na Escola Superior de Educação de Lisboa, tendo-se especializado na área Coral. É casado, tem quatro filhos e um neto.
A fraca valorização económica da floresta continua a ser um problema?
Continua, sobretudo no caso do minifúndio. Muitos proprietários acabam por não ter uma valorização adequada. Pelo contrário, muitas vezes acabam por ter mais custos, porque têm de limpar e manter os terrenos, o que torna a floresta pouco atrativa do ponto de vista económico. Por isso é necessária uma reorganização profunda da floresta, pensada a médio e longo prazo, num horizonte de cerca de 20 anos. Essa reorganização tem de ser acompanhada, ajustada às alterações climáticas e feita de forma contínua.
Neste momento, há também um desafio muito concreto, que é a limpeza de toda a matéria combustível existente em consequência das tempestades deste Inverno, num espaço de tempo muito curto, antes da época de maior risco de incêndios. Essa será a área que mais o ocupará no imediato?
Sim, essa será uma das áreas onde há muito trabalho a fazer. É um processo dinâmico, que não está fechado e que exige trabalho conjunto. Temos de pôr mãos à obra.
Este novo cargo implica mudanças na sua vida pessoal? Vai viver em Lisboa?
Não tenciono fixar-me em Lisboa, vou continuar a viver no Sardoal, até porque é muito simples viajar a partir do Entroncamento. Além disso, este trabalho não se faz apenas em Lisboa, mas um pouco por todo o país.
Quer dizer que não será um adjunto apenas de gabinete?
Não… Quero estar no terreno, próximo das pessoas.
