Miguel Ângelo Bastos. Créditos: DR

O pintor Massimo Esposito prossegue com a sua apresentação de artistas do Médio Tejo. Hoje entrevista Miguel Ângelo Bastos, 28 anos, desenhador, músico e técnico de som e imagem, de Abrantes.

Miguel é um jovem de Casais de Revelhos que estudou até o 12º em Abrantes, depois foi para Coimbra e Lisboa, emigrou para Londres e agora está em Caldas da Rainha. Conheço-o desde que era criança, educado e com muita vontade de aprender… e aprendeu bem a desenhar e pintar. Apaixonado pelos Pink Floyd, estudou e tocou em Londres e agora, sempre com o mesmo afinco e interesse, dedica-se ao som e imagens de filmes e animações.

Miguel A Bastos – First Steps
https://open.spotify.com/track/7F083uDbHU2LOOk7IcQ3lB

Quais são as tuas habilitações literárias, curso ou percurso académico?
Sou licenciado em Som e Imagem pela Escola superior de Artes e Design de Caldas da Rainha. Fiz também um curso de Music Production, na BIMM London, e um curso de Guitar Performance na London Music School.

Já fizeste exposições ou participaste em eventos artísticos?
Participei em algumas exposições coletivas de pintura. Na área do som e imagem tenho feito som e música para curtas-metragens sendo uma delas uma animação que tem estado a ser exibida em diversos festivais de cinema (Lisbon Film Rendezvous, Noble International Film Festival and Awards…). Tenho também música no Spotify e já fiz animação, desenhada à mão, para vídeos musicais.

Qual a tua área artística? Podes falar um pouco da tua arte e do que gostas de fazer?
Tenho repartido os meus trabalhos por três áreas: som, desenho e animação.
Dentro do som dedico-me a captação, mistura e masterização de áudio para música e filme. Recentemente fui diretor de som de uma curta-metragem do realizador Carlos Braga.
Na música faço gravação e pós-produção, sendo a mistura a etapa que considero mais interessante.
Quando produzo música original, encarrego-me de cumprir todas as etapas que compõe a produção, desde a composição até à masterização. Recentemente produzi um EP em que também fiz a parte gráfica, com vários desenhos a aguarela, os quais juntei numa composição em Photoshop.
Relativamente à animação, trabalho principalmente a 12 frames por segundo, o que significa que a cada segundo são 12 desenhos que tenho de produzir. A etapa de planificação tem de ser muito bem feita de forma a ser o mais eficaz possível. Trata-se uma área muito morosa, o que torna o investimento mais arriscado ainda que possa ser bastante gratificante.

O que achas que na nossa região poderia ser feito para ajudar os artistas locais?
Criação de espaços e eventos culturais que promovessem a diversidade cultural e a igualdade de oportunidade.
Criação de uma plataforma online para divulgação de portefólios e contactos que facilitem a comunicação entre os artistas e potenciais interessados no seu trabalho.

Qual a tua mensagem artística?
Depende do trabalho, mas, em termos autorais, gosto de criar histórias através do som, criar frases musicais com um seguimento auditivo lógico e explorar texturas através do áudio, que, no seu conjunto, seja representativo da liberdade criativa e interpretativa de quem não fica preso nas palavras ou nos conceitos.

Que conselho davas a teus futuros colegas?
Que sejam persistentes na afirmação da sua criatividade e do seu trabalho, sem se deixarem arrastar pelas correntes do facilitismo e do vazio. Que não descurem a importância do conhecimento, da determinação, da vontade de criar com naturalidade.

Qual a advertência ou sugestão que dás a quem deveria ajudar os artistas e a quem deveria ser entregue (presidente da Câmara, vereador da Cultura, presidente de associação artística, outros…)
Maior abertura a uma articulação entre os responsáveis da cultura com os artistas locais, de forma a promover e valorizar a arte local.

Muito obrigado Miguel, e espero vivamente que tu possas evoluir ainda mais, ter o trabalho que desejas e, sobretudo, que possas vir também a trabalhar aqui em Abrantes.

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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