O MIAA – Museu Ibérico de Arqueologia e Arte, instalado no Convento de S. Domingos, em Abrantes. Foto: CMA

O MIAA – Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes recebe duas novas exposições cuja inauguração acontece este sábado à tarde, dia 23 de abril, a partir das 16h00. As entradas são gratuitas para permitir a todos os interessados conhecer esta dupla de novidades: o projeto “Contra-parede”, de Ana Vidigal, Nuno Nunes-Ferreira e Pedro Gomes e o projeto “Da Vinci Simulacrum”, de Margarida Sardinha.

O projeto “Contra-parede”, da cooperativa efabula e com curadoria de Hugo Dinis, trata uma exposição itinerante que apresenta em diálogo obras dos artistas Ana Vidigal, Nuno Nunes-Ferreira e Pedro Gomes, num projeto que carimba passagem por Tavira, Caldas da Rainha, Abrantes e Vila Nova de Foz Côa.

“Partindo de uma discussão alargada em torno da parede — nomeadamente, grutas pré-históricas, fachadas dos edifícios das civilizações antigas, igrejas cristãs desde a Idade Média, fresco medieval, trompe-l’oeil renascentista, muro de Berlim, murais de cariz político e os grafito —, como lugar privilegiado para a intervenção no espaço público, os artistas propõem, de diferentes modos, questionar o espaço arquitetónico em que as obras são apresentadas. Considerando, simultaneamente, o espaço social, histórico, cultural e político em que os equipamentos museológicos se inserem, as obras promoverão um diálogo frutífero sobre o papel da arte junto das comunidades locais em que se apresentam”, refere Hugo Dinis na introdução feita ao projeto no seu site oficial.

O nome “Contra-parede” refere-se ao facto de a exposição incluir a colocação dos vários elementos que cobrem a pare cobrir a parede quase na totalidade. “As obras apresentadas no projeto Contra-parede conquistam espaço de visibilidade que, através da intervenção ativa dos artistas e do público como espectadores informados, se revelam espaços subvertidos de contra-poder”, pode ler-se.

Já a artista Margarida Sardinha apresenta o projeto “Da Vinci Simulacrum”, também com curadoria de Hugo Dinis, numa instalação que inclui caixas de luz distribuídas pelas paredes do museu e com obras que têm como ponto de partida algumas das pinturas e desenhos mais icónicos de Leonardo da Vinci (1452-1519), caso de A Última Ceia, Mona Lisa, São João Batista, Virgem dos Rochedos, entre outras.

Margarida Sardinha explica que “o interessante é perceber que quando se fala de símbolos, arquétipos ou imutabilidade, existe uma estrutura por detrás daquele símbolo que se pode explorar de diferentes modos. Um símbolo pode ser político, religioso, científico ou comunitário. Portanto, o mesmo símbolo pode refletir diversas formas de pensar e representar diferentes significados em diferentes culturas e de diversos modos”, refere em comunicado.

Neste trabalho a artista “desconstrói pressupostos geométricos existentes num inconsciente coletivo. Através da profunda investigação e do minucioso estudo sobre a simbologia, e recorrendo a uma metodologia que advém do conhecimento científico, artístico e religioso, as obras apresentadas questionam, sobretudo, o modo de apreensão do mundo, mas, também, a análise de uma estrutura interna inata. Neste sentido, os signos não são vistos no seu contexto imutável, nomeadamente social, político, cultural ou temporal, que tendem a fixar os seus significados. Ao perderem a sua âncora de significação, os símbolos revelam uma concentração formal, ou uma corrente combinatória de significados, dependente da sensibilidade humana que se traduz por um conjunto de ideias, emoções e linguagens transversais a todas as sociedades”, lê-se no comunicado enviado ao mediotejo.net.

As duas exposições vão estar patentes entre 23 de abril e 25 de setembro no MIAA, museu recentemente inaugurado, no centro histórico da cidade.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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