Mestre José Pimenta, no MIAA, em Abrantes. Fotografia: Jéssica Filipe/mediotejo.net

O Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA) inaugurou no sábado, 8 de outubro, a exposição “Rio”, do Mestre José Pimenta. As obras apresentadas são sugestivas da riqueza temática e da capacidade técnica do artista de 91 anos, que vive em Rio de Moinhos e tem produzido esculturas, desenhos e pinturas que evocam histórias, tradições e memórias da região.

Com curadoria de Sara & André, foi reunido um conjunto de obras do artista que assina como RIO, em homenagem a Rio de Moinhos, e que dá também título a esta exposição.

“O Mestre José Pimenta é um exemplo de resistência, de entrega às suas causas e um exímio contador de histórias, associadas a cada uma das suas criações, ao longo de tantas décadas. Fica aqui o nosso contributo para esta tão bonita quanto justa homenagem ao seu trabalho”, disse o presidente da Câmara Municipal de Abrantes no momento da inauguração.

ÁUDIO | Manuel Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes

Nascido na aldeia do Souto, Abrantes, em 1931, cedo descobriu a sua vocação no ramo artístico. Iniciou a sua vida ativa em Lisboa, mudando-se posteriormente para Alferrarede, onde trabalhou por conta própria na área dos mosaicos e da azulejaria, mantendo contacto com o desenho e as artes decorativas.

O Mestre José Pimenta com Manuel Valámos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Fotografia: mediotejo.net

Foi após a aposentação que o artista plástico se dedicou à compra, venda e restauro de velharias, instalando-se em Rio de Moinhos, local onde ainda mantém a sua loja e atelier. Aos 62 anos iniciou-se na arte da escultura, a que se seguiram incursões nas áreas do desenho e da pintura, que perduram até aos dias de hoje.

Elaboradas numa multiplicidade de suportes e linguagem, as peças ilustram as vivências de José Pimenta.

ÁUDIO | Mestre José Pimenta

“As peças contam a história do meu sofrimento, e o sofrimento dizem que educa. Vou fazer 92 anos e já tenho muitas histórias para contar… Outras peças nascem por acaso e depois as pessoas gostam e acabamos por continuar”, explicou José Pimenta ao mediotejo.net, na inauguração desta sua exposição em Abrantes.

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Apesar de inicialmente apreensivo, o Mestre de Rio Moinhos revela-se satisfeito com a exposição. “Primeiro senti-me trémulo e quase envergonhado, mas como os responsáveis pela exposição merecem muita confiança e amizade, resolvi expor. Sinto-me bem… e muito melhor por as pessoas estarem a gostar”, confessou.

“As minhas arqueologias”, de Heitor Figueiredo

Na mesma ocasião foi inaugurada a mostra “As minhas arqueologias”, da autoria de Heitor Figueiredo com curadoria de Hugo Dinis, reunindo um conjunto de obras do artista natural de Braga ao longo dos últimos 25 anos. 

Heitor Figueiredo. Fotografia: mediotejo.net

Tendo estudado Cerâmica na Escola de Artes Decorativas e na Cooperativa Árvore, ambas no Porto, Heitor Figueiredo conta já com um vasto currículo, no qual se inserem exposições de âmbito nacional e internacional. Recorrendo a diversas formas geométricas e à tridimensionalidade, o ceramista transpõe para o seu trabalho a sua forma muito própria de ver o mundo.

“Estas peças têm todas um pouco de arqueologia, porque normalmente são construídas a partir de objetos que encontro, que me dizem alguma coisa e que me interessam esteticamente”, disse Heitor Figueiredo ao mediotejo.net.

ÁUDIO | Heitor Figueiredo

A residir na aldeia de Cabeça Gorda, em Beja, concilia o trabalho como professor de arte com a criação artística. Em volumes que se aproximam de barcos, veículos e até representações arquitetónicas, Heitor Figueiredo revela uma preocupação com a sustentabilidade e com o reaproveitamento de materiais, que utiliza para construir as suas obras.

“É uma mensagem um pouco poética e que muitas vezes chama a atenção para a quantidade de objetos que deitamos fora por não terem utilidade e eu reutilizo-os nas peças para mostrar a quantidade de coisas que são desperdiçadas e a segunda vida que elas podem ter. Ando sempre a apanhar pequenas coisinhas que são as minhas arqueologias”, explica o artista.

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Manuel Jorge Valamatos frisou que estas mostras refletem a estratégia da produção do MIAA, que passa por “valorizar as coleções permanentes em harmonia com as exposições temporárias, num diálogo com o que de melhor se faz de arte em Portugal”. As duas exposições vão estar patentes no MIAA até 26 de fevereiro de 2023.

MIAA – Museu Ibérico de Arqueologia e Arte
R. Jardim da República, 2200-343 Abrantes
De terça-feira a domingo, das 10h às 12h30 e das 14h às 17h30
Encerra à segunda-feira e feriados (exceto 14 de junho – Dia da Cidade)
Bilhetes | Normal: €3: Dos 12 aos 18 anos: €2; Maiores de 65 e acompanhantes de pessoas com necessidades especiais: €2; Famílias: €8; (Gratuito ao domingo)

Jéssica Filipe

Atualmente a frequentar o Mestrado em Jornalismo na Universidade da Beira Interior. Apaixonada pelas letras e pela escrita, cedo descobri no Jornalismo a minha grande paixão.

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