Já começou – há quase um mês – a travessia que a Terra todos os anos faz, por esta ocasião, pelo rasto de partículas sólidas resultantes da fragmentação parcial de um asteróide. Na verdade, são muitos os rastos idênticos que, ao longo do ano, o nosso planeta encontra no seu trajeto em volta do Sol, mas quase todos constituídos por partículas bem mais pequenas, deixadas por cometas ao passarem nas “proximidades” da parte central do sistema solar.
Entre 20 de novembro e 24 de dezembro, o “encontro” é com pequenos pedaços de Faetonte – o filho de Hélios que pediu ao pai para conduzir o “carro do Sol” – um asteróide que, com um pouco mais de 6 quilómetros, continua a dar uma volta ao Sol no tempo correspondente a um ano e meio na Terra.
A composição dos tais pedaços, a velocidade com que a Terra “choca” com eles (quase 50 mil quilómetros por hora) e a inclinação com que atravessam a atmosfera terrestre dão a estes meteoros (“estrelas cadentes” ou “traços luminosos”) intensidades e colorações que fazem desta época ocasião única para observar aquilo a que, depois da sua observação em 1833, passou a ser designado “chuva de estrelas cadentes”.
O período previsto para a maior intensidade da “chuva” – maior número de traços luminosos observáveis no céu – abrange a noite passada e a próxima, embora o fenómeno continue até à véspera de Natal. E … tudo parece conjugar-se para que mereça a pena passar algum tempo ao ar livre, ao princípio das próximas noites: a previsão meteorológica é de “céu limpo”, não há luar, pois foi Lua Nova há apenas dois dias e não são necessários binóculos nem telescópios. Basta que se escolha um local com pouca (ou nenhuma poluição luminosa) para ser possível ver não só os meteoros mais brilhantes, mas também os menos intensos.
Quando e para onde olhar
Esta “chuva de estrelas cadentes” tem o nome de Géminidas pois é da constelação dos Gémeos que parecem “cair”. No entanto, os traços luminosos poderão “aparecer” em qualquer ponto da esfera celeste, com trajetórias que dão ideia de terem começado num ponto (chamado radiante) situado um pouco à direita da estrela Pólux, a mais brilhante dos Gémeos.
Às 21 horas já esta região do céu está bem visível, sendo fácil identificar a posição do radiante, por se situar sobre uma linha imaginária que ligue Pólux a Betelgeuse, esta da constelação de Orionte.
No próximo sábado – entre as 20:30 e as 22:30 – o Centro Ciência Viva de Constância promove, como habitualmente, aos sábados, uma sessão de observação do céu, à vista desarmada, com binóculos e com telescópios, durante a qual à contemplação de estrelas cadentes se juntará a visualização dos anéis de Saturno, das faixas e luas de Júpiter, para além de enxames de estrelas e nebulosas que se avistam naquela região da esfera celeste.
