Mega operação da GNR apanha "infrator militante" em casos de poluição ambiental. Foto ilustrativa: DR

Uma mega operação policial, que juntou GNR/SEPNA, PSP, IGAMAOT e Ministério Público, com buscas domiciliárias e a empresas de um grupo da região, resultou numa detenção em fragrante delito por descargas poluentes para o meio público. A revista SÁBADO associa a investigação aos proprietários da Fabrióleo, em Torres Novas, que o Estado designou de “infrator militante” e cujas instalações encerrou em 2018 por reiteradas ações de poluição.

Em nota de imprensa, o Comando Territorial da GNR de Santarém, deu agora conta que, através da estrutura de investigação criminal e do Serviço da Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), realizou nos dias 16 e 17 deste mês uma operação policial no âmbito de uma investigação por crime de poluição e falsificação de documentos, no decorrer da qual foi detido um homem de 40 anos por poluição e posse de arma proibida, no concelho de Almeirim.

Na sequência da investigação, os militares e elementos da Guarda realizaram diligências policiais que culminaram com o cumprimento de 15 mandados de busca, quatro domiciliárias, três em empresas e oito em veículos que decorreram nos distritos de Santarém, Setúbal, Évora e Lisboa.

Na mesma informação, a GNR esclarece que foram recolhidas amostras de solo e de líquido suspeitos de contaminação, para análise e diverso material, nomeadamente: “dois veículos pesados, três cisternas, 12 armas de fogo, 822 munições, dois carregadores, uma besta, 14 telemóveis, 16 discos externos, 19 computadores, duas mangueiras de descarga e um gravador de videovigilância”.

As várias amostras de solo e de líquidos suspeitos de contaminação foram recolhidas pelo IGAMAOT e pelo Núcleo de Apoio Técnico (NAT) de Santarém, serão submetidas a subsequente análise laboratorial.

O mediotejo.net contactou a GNR de Santarém, tendo esta referido que as ações decorreram “ao abrigo de um processo que já decorre há algum tempo”, não confirmando o nome da (s) empresa (s) ou do (s) indivíduo (s) em causa, em processo que a Sábado assegura estar ligado à família Gameiro, conhecida na região pelo múltiplos problemas relacionados com a Fabrióleo, em Carreiro da Areia, Torres Novas.

A GNR confirmou, no entanto, buscas domiciliárias, nomeadamente no Entroncamento e no local de residência de um motorista, e disse que o caso de “poluição com descarga em domínio público” foi detetado em “flagrante delito”, ficando o infrator com Termo de Identidade e Residência (TIR) depois de apresentado a um juíz.

A ação foi realizada em coordenação com o Ministério Público de Santarém, apoiado pelo Ministério Público de Setúbal, e pela Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), para além do reforço dos militares dos Comandos Territoriais de Lisboa, Setúbal e Évora e apoio da Polícia de Segurança Pública (PSP) do Entroncamento.

“O inquérito prosseguirá termos na 2.ª Secção do DIAP da comarca de Santarém em colaboração com a equipa mista constituída pela GNR de Santarém e pela IGAMAOT”, refere a Procuradoria da República da Comarca de Santarém.

A revista SÁBADO associa a investigação aos proprietários da Fabrióleo, em Torres Novas, que o Estado encerrou em 2108 por continuadas ações de poluição ambiental, e que expandiu depois as suas atividades para outros concelhos e distritos do país.

“Em janeiro, a SÁBADO denunciou crimes ambientais na Herdade do Salgueiral, em Almeirim, e em Setúbal. GNR fez agora dezenas de buscas e apreendeu camiões, armas, munições e até uma besta” relata a revista, na sua edição online.

“Um mês e meio depois de a SÁBADO ter denunciado vários crimes ambientais na Herdade do Salgueiral, em Almeirim, envolvendo um grupo empresarial a quem o governo já chamou “infrator militante”, a GNR de Santarém realizou, na última semana, uma megaoperação de busca e apreensão que incidiu em 14 locais, incluindo a herdade, residências e empresas do grupo.

Segundo informações recolhidas pela SÁBADO, foram realizadas buscas em três empresas da família Gameiro da Silva, donos da Herdade: a Extraoils (transforma óleos vegetais e alimentares em biodiesel), em Vendas Novas, a Copalcis (empresa de lavagem de cisternas), e a Caltransvia (empresa de transportes), ambas no Carregado.

Foram ainda realizadas quatro buscas domiciliárias, concretamente às residências dos proprietários das empresas: Pedro e Ana Gameiro da Silva, bem como à residência dos pais dos empresários, António e Isabel Gameiro da Silva, proprietários da Fabrióleo, de Torres Novas, que o Estado encerrou em 2018. Igualmente alvo de buscas domiciliárias foi um motorista de camiões que faria a descarga de lamas e águas ácidas na Herdade e numa ribeira de Setúbal, conforme a SÁBADO também denunciou. As buscas incidiram ainda em oito camiões das empresas.

A SÁBADO afirma ter confirmado que os proprietários das “Extraoils” falsificariam as guias de transporte, para ludibriar as autoridades em relação ao material altamente poluente que fariam deslocar entre a “Extraoils” e os locais onde que fariam as descargas.

Segundo os comunicados da GNR e do Ministério Público na comarca de Santarém, um homem de 40 anos foi detido em flagrante delito, no concelho de Almeirim, indiciado por crime de poluição e posse de arma proibida. Após interrogatório judicial, saiu em liberdade com Termo de Identidade e Residência.

A GNR refere ainda que “a ação foi realizada em coordenação com o Ministério Público de Santarém, apoiado pelo Ministério Público de Setúbal, e pela Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), para além do reforço dos militares dos Comandos Territoriais de Lisboa, Setúbal e Évora e apoio da Polícia de Segurança Pública (PSP) do Entroncamento”.

O inquérito está pendente na 2.ª Secção do DIAP da comarca de Santarém em colaboração com a equipa mista constituída pela GNR de Santarém e pela IGAMAOT. O DIAP de Setúbal também coadjuvou o MP de Santarém nestas diligências.

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