Ilustração de Ricardo Cabrita

Escrevo este texto no dia em que a minha cidade celebra 861 anos. Uma data histórica e notável nestes novos tempos que vivemos, onde a palavra do momento é resiliência. Acredito que a minha cidade, o meu concelho, a nossa região irá procurar encontrar o espaço e a expressão distinta de todas as outras regiões. Pois é nesta região que passa o maior rio da península ibérica, que “desenha” a sul o limite territorial mas onde tarda em acontecer uma estratégia integrada de valorização e de desenvolvimento sustentável da bacia hidrográfica do Tejo.

Eu também reconheço nesta região a existência de uma infra-estrutura que dá de beber a dois milhões e quinhentas mil pessoas, que habitam em vinte e um municípios da maior área metropolitana do País. Além deste precioso recurso hídrico é também estratégica a produção de energia hidroelétrica que se enquadra numa notável paisagem, mas também é certo e sabido que se a Barragem do Castelo de Bode deixar de produzir por um dia fica metade de Portugal às escuras.

Também reconheço nesta região a maior infra-estrutura ferroviária do país onde o investimento previsto na alta velocidade devia alavancar a regeneração urbana deste território e a transformação do Entroncamento num grande HUB da mobilidade em Portugal, à semelhança do que aconteceu com a cidade de Lille, em França.

Eu reconheço nesta região um parque tecnológico localizado na porta de entrada do chamado interior do país, que tem criado um sistema potenciador de inovação e de empreendedorismo, a par de uma política de atração à fixação de recursos humanos qualificados, sendo o único Tecnopolo dos 23 existentes em Portugal que tem uma estação de comboios dentro do parque e que deve ser valorizado no seu contexto supra-regional.

Eu reconheço nesta região a existência do único Politécnico ao nível do país que não está instalado numa capital de distrito, onde a aposta na articulação de projetos conjuntos entre o mundo académico e o empresarial  tem permitido acelerar a fixação de empresas na área da inovação tecnológica no território enquanto motor de crescimento económico.

Eu reconheço nesta região irmos ainda a tempo em ser uma alternativa ao Montijo na fixação do Terminal 3 do Aeroporto de Lisboa na infra-estrutura militar existente na região, com uma centralidade e localização geo-estratégica impar. O Terminal 3 em Tancos permitiria gerar uma dinâmica de Hub-logístico na região centro em torno da plataforma ferroviária do Entroncamento e a plataforma terrestre logística na região (Riachos-Torres Novas-Entroncamento). Como também potenciar a vertente turística na região dos milhões de passageiros que visitam Fátima.

Eu conheço na minha região um dos mais importantes locais do mundo de peregrinação e turismo religioso gerando uma energia e dinâmica única a vários níveis sociais e económicos, com a circulação de mais de seis milhões de pessoas por ano e com uma grande margem de crescimento ao nível do turismo cultural e patrimonial.

Eu conheço na minha região o maior conjunto monumental edificado nacional, como Património da Humanidade, que representa o expoente maior da nossa história e arquitetura, atraindo 365 mil visitantes (2019). O escritor Humberto Eco no seu livro “Pêndulo de Foucault” descreveu o Convento de Cristo como o “umbigo do mundo”.

Mas afinal o centro do mundo é o lugar onde estamos, não é?

Médio Tejo vale a pena!

Arquiteto (Universidade Lusíada, 1997), foi Presidente do Núcleo do Médio Tejo da Ordem dos Arquitetos e vogal da Secção Regional Sul (2005-2008) e do Conselho Diretivo Nacional (2020-2023), sendo Conselheiro do Conselho de Supervisão da Ordem dos Arquitetos. Exerce a profissão na MODO Associados, de que foi fundador, tendo sido Vice-Presidente das Câmaras Municipais de Abrantes e Tomar (2009-2016). É atualmente Presidente da NERSANT – Associação Empresarial de Santarém.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *