Os Utentes da Saúde do Médio Tejo reclamaram junto do Centro Hospitalar da região um "reforço dos meios humanos e financeiros" que "permita dar continuidade à valorização dos serviços prestados" à população. Foto arquivo: mediotejo.net

A valorização dos cuidados de saúde de proximidade e a defesa da articulação dos diversos prestadores de cuidados de saúde são dois dos objetivos definidos pelas estruturas de utentes do Médio Tejo e hoje apresentados em Abrantes.

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT) disse que “o momento é de análise, apresentação de propostas e das diversas iniciativas dos utentes”, pretendendo-se “corrigir o que está mal e multiplicar o que está bem”.

Manuel Soares falava à Lusa em Rossio ao Sul do Tejo, Abrantes, no distrito de Santarém, no âmbito de uma iniciativa que passa também por Torres Novas e por Tomar.

O representante destacou o recente trabalho desenvolvido pela CUSMT – com apresentação de propostas para melhoria dos serviços, contactos com entidades responsáveis e iniciativas de informação e envolvimento das populações -, em coordenação com o secretariado do Movimento de Utentes de Saúde Pública (MUSP) de Santarém e as Comissões de Utentes dos Serviços Públicos de Torres Novas, Abrantes, Tomar, Entroncamento, Vila Nova da Barquinha e Constância.

“Defendemos a necessidade de ampliar o serviço de Urgência na unidade hospitalar de Abrantes, o reforço dos cuidados primários e cuidados continuados, e que os três hospitais do Centro Hospitalar do Médio Tejo [Abrantes, Tomar e Torres Novas, separados geograficamente entre si por cerca de 30 quilómetros] tenham o serviço de pediatria, de cirurgia, de medicina interna e de urgência médico-cirúrgica”, apontou,

Atualmente, o serviço é prestado em regime de complementaridade de valências.

Manuel Soares apontou como dificuldades “os constrangimentos financeiros nacionais e europeus, em que se gasta mais em juros do que com o Serviço Nacional de Saúde”; o facto de “não ser dada a primazia ao setor da saúde no âmbito do financiamento das atividades do Estado”; e “problemas que resultam de erradas políticas de recursos humanos, especialmente na área da formação médica”.

Segundo o dirigente da CUSMT, em resultado destes constrangimentos “estão hoje trinta mil utentes sem médico de família”.

Os concelhos de de Sardoal, Abrantes, Torres Novas e Ourém são “os casos mais graves”, onde “os profissionais estão a atingir os seus limites físicos”.

Foram também assinalados “o número insuficiente de trabalhadores; problemas com instalações, mobiliário, meios de transporte, equipamentos; apoio domiciliário e à comunidade insuficiente; horários desajustados à disponibilidade de utentes; não aproveitamento integral das potencialidades das unidades de saúde, por exemplo, em meios complementares de diagnóstico e terapêutica; deficitária informação sobre cuidados de saúde e organização dos serviços”.

O representante, que “saudou” a recente recondução do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo, disse que a CUSMT “vai não só continuar, como intensificar o trabalho de análise crítica e construtiva para a resolução dos problemas da saúde no Médio Tejo”.

A estrutura de utentes pediu também reuniões a todos os deputados eleitos na Assembleia da República pelo distrito de Santarém.

Manuel Soares alertou para facto de este ano, a propósito do Centenário das Aparições de Fátima, se “prever uma utilização extraordinária das rodovias do distrito”, seja por peões, seja por veículos automóveis.

 

Agência de Notícias de Portugal

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