*retificado às 13h42 de 27 de março de 2018
A Comissão de Utentes de Saúde do Médio Tejo (CUSMT) celebrou na sexta-feira, 23 de março, 15 anos de atividade. Manuel Soares, porta-voz do movimento, lembrou o trabalho realizado ao longo de mais de uma década, com algumas vitórias, mas notou existirem ainda muitos problemas ao nível da saúde na região. A eterna questão da falta de recursos humanos não parece resolver-se com a abertura de vagas, uma vez que para as 39 destinadas ao Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) concorreram pouco mais de uma dezena de profissionais.
“A saúde é o bem mais importante do ser humano”, começaria por frisar Manuel Soares, numa sessão em que fizeram breves intervenções as diversas forças políticas do concelho de Torres Novas (PS, PSD, BE), o conselho de administração do CHMT, a Liga de Amigos do Hospital de Torres Novas, a Federação Nacional dos Médicos, a CDU do Entroncamento e os deputados da Assembleia da República António Filipe (PCP) e Hugo Costa (PS). Ninguém quis “politizar” muito o momento, tendo a intervenção mais reivindicativa partido do vice-presidente da Câmara de Torres Novas, Luís Silva.
“Preocupa-nos a perca de algumas valências”, referiu o autarca, lembrando que quando o Hospital de Torres Novas foi construído “foi um orgulho para todos nós”. No entanto, salientou, continuam a existir problemas na ligação entre os três hospitais do CHMT. “Não deixa de ser uma preocupação os tempos de demora na circulação de utentes”, constatou.

Outra intervenção reivindicativa partiu da Federação Nacional dos Médicos, com Marta Antunes a afirmar que “o Sistema Nacional de Saúde está doente”. Salientando a necessidade de dignificar o profissional médico e o serviço ao utente, apresentou as reivindicações da instituição: diminuir número de utentes por médico de família, acabar com o aumento dos médicos sem especialidade a prestar serviços e diminuição de horas de urgência.
As portagens na A23 e A13 quando há necessidade de circulação entre hospitais foram lembradas pela CDU do Entroncamento e a Liga de Amigos apontou a perda crescente de especialistas para o serviço médico privado.
A questão da falta de recursos humanos foi um dos focos da intervenção de Manuel Soares. Lembrando o trabalho desenvolvido em 15 anos de atividade, constatou que nas reuniões com as diversas instituições médicas um dos problemas que se mantém constante é a falta de profissionais. “É necessário uma política de recursos humanos que responda aos problemas imediatos”, salientou, referindo ainda que “há que exigir responsabilidade e bom senso a quem contrata e quem é contratado”.
Numa perspetiva de futuro, elaborou, é necessário ter em conta vencimentos justos, formação profissional e uma organização do trabalho eficiente e eficaz. “De uma vez por todas tem que se olhar para a colocação de profissionais em zonas carenciadas”, libertando os responsáveis de “teias burocráticas”.
“São precisos mais médicos, mais enfermeiros para humanizar os cuidados de saúde e reforçar a proximidade”, referiu, faltando também profissionais administrativos. Destacou também a necessidade de se adaptar os horários dos centros de saúde à vida da população ativa, mais unidades de cuidados à comunidade, unidades móveis de saúde e um sistema informático mais eficaz.
Manuel Soares terminaria a constatar que foram abertas 39 vagas para especialistas para o CHMT, mas poucos profissionais concorreram. Ao mediotejo.net adiantaria que o número se ficou por pouco mais que uma dezena.
“Não há uma política de recursos humanos que se interesse pelo interior”, constatou, defendendo que se deveriam apostar em novos critérios para atrair de facto estes profissionais.


