Foto: mediotejo.net

O Médio Tejo tem uma Unidade Local de Saúde (ULS) a servir a população desde 1 de janeiro, situação que resulta da extinção do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) e do Centro Hospitalar (CHMT), no dia 31 de dezembro, e que deixou a cargo de uma única organização, a ULS, a gestão dos cuidados de saúde primários e os cuidados de saúde hospitalares. Casimiro Ramos, gestor do CHMT, destacou um modelo “centrado no utente” e os “naturais ganhos ao nível da eficácia, eficiência e acesso”.

“Não vai haver nenhuma revolução. O que vai existir é, com certeza, uma adaptação a um modelo em termos de organização dos serviços e aquilo que no fundo vai ser implementado, não propriamente mudado, são os 32 projetos que foram trabalhados de preparação do plano de negócios que visam a integração de cuidados e colaboração de profissionais de ambas as partes (ACES Médio Tejo e CHMT)”, disse ao mediotejo.net o atual presidente do Conselho de Administração do CHMT, Casimiro Ramos.

“De resto, digamos que é uma normalidade. Quem necessita de ir aos cuidados de saúde primários vai aos cuidados de saúde primários, quando é para indicação hospitalar é indicação hospitalar, mas há que ver toda esta situação como algo que vai juntar sinergias e que vai permitir uma melhor prestação de cuidados, assim digamos, haja condições e não haja fatores externos que venham, no fundo, criar entropias”, afirmou.

“Se todos nos ajudarmos uns aos outros e ver com olhos positivos o que se pode tirar de uma nova realidade, com certeza que a população vai ser muito melhor servida”, disse o gestor hospitalar, nomeado no dia 1 de janeiro para presidir ao Conselho de Administração da ULS Médio Tejo.

Casimiro Ramos é o presidente do Conselho de Administração do CHMT. Foto: mediotejo.net
Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração do CHMT

Questionado sobre os desafios que se colocam a este novo modelo de gestão e sobre o serviço prestado e a prestar aos cidadãos, Casimiro Ramos apontou à mais-valia da criação de sinergias entre os cuidados primários e hospitalares e da implementação de 32 projetos para que a ULS e o SNS seja uma referência assistencial de qualidade e de proximidade.

“Trata-se da implementação dos 32 projetos que visam isso mesmo. Portanto, nestes 32 projetos há várias linhas. No exemplo que vimos agora aqui, referente à maternidade, os cuidados de saúde primários fazem um trabalho de preparação da gravidez e logo ali podem sinalizar casos de casais mais ansiosos que podem vir a este curso dado no hospital. Este é um dos projetos que existe”, exemplificou.

“Como este, muitos outros, por exemplo a recolha de análises nos centros de saúde para ser depois feita a análise propriamente dita no laboratório hospitalar, enfim, tudo uma integração, uma inter-relação… dos 32 projetos, 25 ou 26 resultam de propostas dos próprios profissionais do Centro de Saúde e do Centro Hospitalar”, indicou o gestor.

“No total houve 80 projetos e, na maior parte, eram coincidentes. Isto é, os profissionais do centro de saúde sentiam que poderia haver algo que podia ter uma complementaridade do Centro Hospitalar. Os profissionais do Centro Hospitalar sentiam isso também. Há uma fusão de vários projetos que reduziu de 40 para 37 ou 38 e depois pela questão de prioridades ficaram 32. Projetos propriamente que não têm profissionais envolvidos são 4 ou 5, por exemplo o sistema informático, coisas que resultam mais de fatores administrativos. Do ponto de vista de funcionamento da organização da prestação de cuidados são os projetos dos profissionais”, concluiu.

Em comunicado, Casimiro Ramos, atual presidente do Conselho de Administração do CHMT, já havia indicado que a constituição de uma ULS “representa um enorme desafio para a instituição, para os seus profissionais e para a região, perspetivando-se uma lógica de cuidados de saúde efetivamente integrados e coordenados, centrados no utente, e com naturais ganhos ao nível da eficácia, eficiência e acesso”.

Distrito de Santarém coberto por ULS desde 1 de janeiro de 2024

O distrito de Santarém ficou totalmente coberto por Unidades Locais de Saúde (ULS) em janeiro de 2024, com a entrada em funcionamento das ULS Médio Tejo, Lezíria, Leiria e Estuário do Tejo, agregando hospitais e centros de saúde. A ULS do Médio Tejo vai integrar os municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal, Torres Novas, Tomar, Vila Nova da Barquinha e Vila de Rei, com Ourém a integrar a ULS de Leiria.

O decreto-lei que cria 32 novas ULS foi publicado a 14 de novembro, com quatro unidades a abrangerem os 21 municípios do distrito de Santarém, no âmbito do novo modelo de gestão de serviços de saúde e que integra os Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) nos hospitais e centros hospitalares.

A ULS do Médio Tejo integra os municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal, Torres Novas, Tomar e Vila Nova da Barquinha, todos do distrito de Santarém e que estavam integrados no Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Médio Tejo e Centro Hospitalar Médio Tejo (CHMT), agregando ainda Vila de Rei, que era da Unidade Local de Saúde de Castelo Branco.

A criação de uma ULS no Médio Tejo, agregando os cuidados de saúde primários e os hospitalares, vai conferir uma “maior e mais célere capacidade de resposta” à população, indicou à Lusa a administração hospitalar, quando o processo de criação de ULS estava em formação.

“Aquilo que no imediato a população mais irá sentir é uma maior capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde, dos centros de saúde [ACES Médio Tejo] e do CHMT àquilo que são as suas necessidades”, disse à Lusa, na ocasião, Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração do então CHMT, elogiando as virtudes do novo modelo organizacional, em que se pretende que a “vantagem competitiva seja a qualidade”.

Segundo o gestor hospitalar, “o rápido acesso aos diversos atos clínicos irá ser a vantagem mais rapidamente visível”, além de uma “maior facilidade e celeridade” na obtenção de consultas e realização de exames ou ainda na redução das listas de espera para cirurgias.

A nova ULS Médio Tejo resulta da fusão do ACES Médio Tejo e do CHMT e deixa a cargo de uma única organização, com órgãos de gestão e administração conjunta, a gestão dos cuidados de saúde primários e os cuidados de saúde hospitalares na região, indicou a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O decreto-lei publicado criOU ainda a ULS da Lezíria, que integra o ACES Lezíria e o Hospital Distrital de Santarém, servindo as populações dos concelhos de Almeirim, Alpiarça, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Golegã, Rio Maior, Salvaterra de Magos e Santarém.

Benavente, ainda no distrito de Santarém, fica integrado na ULS do Estuário do Tejo, ao passo que o concelho de Ourém, atualmente no Médio Tejo, passa a integrar a ULS de Leiria.

Ainda de acordo com o diploma, o novo modelo integrado de cuidados permite “a obtenção de ganhos em saúde, pela proximidade das decisões, pelo incremento da autonomia, promovendo os cuidados de saúde primários como a base do sistema e reforçando os meios e os recursos necessários para a sua missão”.

O diploma, com efeitos desde 01 de janeiro de 2024, refere que “a integração dos ACES, hospitais e centros hospitalares já existentes no modelo das ULS constitui uma qualificação da resposta do SNS, simplificando os processos, incrementando a articulação entre equipas de profissionais de saúde, com o foco na experiência e nos percursos entre os diferentes níveis de cuidados, aumentando a autonomia gestionária, melhorando a participação dos cidadãos, das comunidades, dos profissionais e das autarquias na definição, acompanhamento e avaliação das políticas de saúde, maximizando o acesso e a eficiência do SNS”.

No documento é também indicado que as ULS vão beneficiar de novos instrumentos de gestão, como uma estratificação pelo risco, sistemas de informação que potenciem a integração de cuidados, registo de saúde eletrónico único, “incentivos ao desempenho, financeiros e não financeiros e modelos inovadores de prestação de cuidados, baseados em equipas que assumem compromissos centrados na resposta às pessoas, com destaque para as unidades de saúde familiar e as unidades de cuidados na comunidade, no âmbito dos cuidados primários, ou para área hospitalar, os centros de responsabilidade integrados”.

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c/LUSA

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