Apesar dos desafios históricos e das vulnerabilidades de setores como transporte e agricultura, os oradores destacaram o potencial desta região para se afirmar como exemplo de sustentabilidade, resiliência e cooperação territorial, assumindo um papel ativo na construção de uma Europa mais justa, verde e competitiva.
Durante o encontro, intervieram responsáveis europeus da área da energia, representantes do setor empresarial e industrial e membros de outras regiões e “Hydrogen Valleys” com as quais o Médio Tejo tem vindo a cooperar nos últimos sete anos. Os debates centraram-se em temas estratégicos como energia, competências, digitalização, economia e infraestruturas, tendo como pano de fundo os desafios da transição energética e da resiliência regional.


Manuel Jorge Valamatos sublinhou a importância do momento enquanto ponto de encontro entre decisores, especialistas, empresas, entidades públicas e atores regionais, unidos por um propósito comum: “refletir sobre o papel das regiões na construção de um futuro europeu mais justo, mais inovador e mais sustentável”.
“Fazemos este caminho juntos, só com uma visão partilhada foi possível construir o que hoje é Abrantes e o Médio Tejo, uma região do interior que posiciona uma voz própria nas agendas europeias, que assume a transição energética como uma verdadeira oportunidade, que investe na digitalização como alavanca do desenvolvimento e que aposta, acima de tudo, nas pessoas como o verdadeiro motor do nosso território”, afirmou Valamatos.




Com a consciência dos desafios históricos da região, o autarca afirmou ter “consciência de onde partimos, das dificuldades que enfrentámos e enfrentamos, das assimetrias que continuam a marcar o nosso país, mas temos também a convicção que é possível inverter esta posição com cooperação e com visão, com políticas públicas alinhadas com os grandes desafios das novas gerações.”
“Celebramos (…) uma região que tem sabido reinventar-se nos seus ecossistemas empresariais, com uma aposta na inovação e na bioeconomia, na educação e na valorização de competências com as instituições do ensino e, sobretudo, também do ensino superior, próximas dos desafios da economia, de que será um bom exemplo a nova Escola Superior de Tecnologia aqui em Abrantes, instalada no nosso Parque de Ciência e Tecnologia”, declarou.

O autarca realçou ainda o papel de setores como o turismo, a cultura e o património como elementos “centrais” de identidade e diferenciação, bem como “a energia e tecnologia, com projetos (…) que projetam o Médio Tejo no mapa da transição energética europeia.”
“A partir deste espaço, batizado com o nome do mestre Charters de Almeida, cuja obra transcende as fronteiras e se projeta pelo mundo, afirmamos aquilo que também desejamos para Abrantes e para o Médio Tejo: identidade, ambição e a capacidade de se projetar além-fronteiras. Que o percurso notável deste artista nos inspire a encarar os desafios de hoje com a mesma visão e ousadia com que moldou a sua obra. Porque a Europa constrói-se também a partir do interior de Portugal, com talento, com coragem e com visão de futuro”, concluiu.
Luís Filipe, vogal executivo da Comissão Diretiva do Centro 2030, destacou os impactos da transição energética na região do Médio Tejo e a necessidade de uma ação territorial coordenada.

“A região do Médio Tejo seria um excelente exemplo para explicar este gráfico, porque isso aconteceu: houve uma realocação de recursos e uma realocação de capital, deixou de estar ali e agora terá que servir outros setores”, afirmou, referindo-se ao encerramento da central do Pego como símbolo da descarbonização, tendo acrescentado que “já pagámos a fatura”.
Identificou como setores mais vulneráveis no território “o setor dos transportes, da agricultura e do turismo”, apontando que “utilizamos pouco os transportes coletivos e menos ainda os não poluentes”, o que acentua os desafios. Por isso, reforçou a importância da ferrovia e da mobilidade sustentável.
Luís Filipe sublinhou a necessidade de melhor comunicar com as populações. “Todos nós vemos as populações hoje em dia que não percebem porque é que terrenos agrícolas ou florestais estão a ser usados para as centrais fotovoltaicas. Isto tem de ser explicado às pessoas.”
Apesar das fragilidades, há potencial no Médio Tejo e na região centro. “Têm uma posição intermédia (…), têm um nível médio-alto de prontidão tecnológica para assimilar os processos de transição.”
O orador destacou também o papel dos município. “São aqueles que podem mitigar ou travar os efeitos negativos destas transições”, e elogiou as dinâmicas locais. “Saudar muito estas iniciativas que o presidente já aqui referiu, do Médio Tejo, que claramente está a tentar avançar mais do que o normal, propor novas soluções e tentar criar aqui uma resposta diferente.”
Quanto ao futuro, apontou o Fundo para a Transição Justa como uma oportunidade para “apoiar setores mais eficientes e menos consumidores de energia” e sublinhou a importância de qualificar o território. “Não basta ter empresas ou população, é preciso ter qualificações.”
Sofia Alves, da Comissão Europeia, destacou a importância estratégica da região do Médio Tejo no contexto da transição energética europeia, apontando a região como central para o futuro energético devido às suas vantagens geográficas, recursos renováveis e legado industrial.

“A Europa importa atualmente cerca de 60% da energia. Esta dependência torna-nos economicamente frágeis e politicamente vulneráveis”, afirmou. “Mas a autonomia estratégica não se resume à segurança geopolítica. Trata-se de construir uma Europa que produza, armazene e distribua energia de forma limpa, justa e resiliente, capacitando as suas regiões com contributos plenos para esta ação.”
Durante a sua intervenção, realizada à distância, destacou que “Portugal dispõe de abundantes recursos renováveis, e regiões como o Médio Tejo, antes consideradas periféricas, são agora centrais para o futuro energético da Europa”. A diretora-geral adjunta reforçou a necessidade de uma estratégia de longo prazo que envolva todos os níveis, incluindo o regional e local, e que garanta inclusão territorial.
O evento reforçou o posicionamento de Portugal como um “hub” de inovação no espaço europeu e atlântico, particularmente no setor das energias limpas e na aposta contínua na fileira do hidrogénio. A ocasião marcou ainda o 16.º aniversário da MédioTejo21, celebrando a trajetória da agência desde a sua fundação, a 29 de maio de 2009, e o seu papel ativo na afirmação do Médio Tejo no contexto das regiões europeias emergentes.









