Pedro Machado, presidente da Turismo Centro. Foto: mediotejo.net

Falando no crescimento do Turismo no Centro de Portugal e na expectativa que 2022 tenha sido um ano de superação relativamente a 2019, o último ano de crescimento turístico antes da pandemia, Pedro Machado, presidente da Turismo do Centro, destacou em Sardoal o importante papel dos territórios do interior na procura de soluções para os grandes desafios colocados à atividade turística, designadamente na segurança e na saúde, defendendo também a preservação do património cultural imaterial.

No Médio Tejo, Fátima continua a ser o motor do turismo, sendo que Portugal se posiciona internacionalmente com 22 produtos turísticos como o turismo religioso, o enoturismo, o ecoturismo, a arte, e o património, segmentos que fazem de Portugal o melhor destino europeu, disse o presidente da Turismo do Centro.

No entanto, ao Centro não chega o turismo de massas, como chega a Lisboa ou o Algarve, com aumento de receitas significativo e respetiva contribuição para a economia nacional. Os proveitos do alojamento turístico português atingiram 4,75 mil milhões de euros no final de novembro de 2022, superando assim em 455,5 milhões os 12 meses de 2019, pré-pandemia, com aumentos em todas as regiões turísticas, com destaque para Algarve, Porto e Norte e Madeira.

Segundo a Presstur, citando dados do INE, Lisboa é a região onde o alojamento turístico mais faturou até novembro do ano passado. Com o montante de 1.436,9 milhões de euros, o alojamento turístico da região de Lisboa e Vale do Tejo é o líder em Portugal nos primeiros onze meses de 2022, nos quais tem um aumento médio em 36,1% ou 380 milhões de euros em relação ao período homólogo de 2019, pré-pandemia. Sendo certo que o Centro contou em 2022 com mais 83,9 milhões de euros, face aos primeiros onze meses de 2019.

“São destinos completamente diferentes. Lisboa sim, tem problemas de maior número de turistas acumulados comparativamente com a região Centro. Nós temos 7 milhões de dormidas em 2019, este ano – 2022 – logo que estejam concluídos os dados esperamos ter passado a fasquia dos 7 milhões de dormidas, Lisboa tem 12 milhões dormidas. Há aqui uma diferença significativa entre o número de turistas que chega a Lisboa e o número de turistas que chega à região Centro”.

Além disso, “turismo de Lisboa claramente vocacionado para os city breaks, turismo urbano [consiste numa viagem de lazer curta duração para uma cidade com a finalidade de a conhecer e descobrir. O turista não pernoita noutros destinos], o turismo da região Centro claramente virado para outros produtos; o religioso, a gastronomia, os vinhos, saúde e bem estar. No caso de saúde e bem estar com estadias médias que variam entre os 7 e os 15 dias o que não se verifica nos circuitos urbanos”, explicou Pedro Machado.

Para o presidente da Turismo do Centro, que falou aos jornalistas à margem da Conferência de Artes e Ofícios do Ribatejo Interior que decorreu no dia 13 em Sardoal, “há um conjunto de características do Centro de Portugal que fazem com que tenhamos menos massificação mas, do nosso ponto de vista, mais qualidade e mais rendimento, daquilo que são os turistas que chegam à nossa região”.

Portanto, o “trabalho” da Turismo do Centro passa por “continuarmos este processo de diferenciação, procurando atrair e fixar os turistas mais tempo”.

Para Pedro Machado, “a grande vantagem competitiva que o Centro hoje tem é a possibilidade de responder às novas tendências; mais natureza, mais ativo, mais ecoturismo, mais turismo espiritual, mais saúde e bem estar. Absolutamente em linha com as grandes tendências da procura internacional”, o que leva o responsável a acreditar que “no final do exercício económico a região Centro tem não só bons indicadores, tem as suas respetivas diferenças com outras regiões, com outros destinos, mas continuará a crescer em 2023”.

O responsável referiu que “ainda está a fazer o seu processo: a criar, a construir e a consolidar o seu processo de crescimento. Lembrar que a Turismo do Centro, tal qual a conhecemos hoje, data de 2013, portanto é um período muito curto, são nove anos apenas comparando com algumas regiões de turismo, algumas agregadas, têm 40 ou 50 anos. Há aqui um processo de consolidação da marca”, frisou.

Deu conta que “dentro do Programa Operacional do Centro e dentro da preparação dos instrumentos financeiros, há um reconhecimento muito sério daquilo que representa hoje o turismo na região Centro. Calculamos que entre 16% a 20% da mão de obra ativa da região Centro está, direta ou indiretamente, ligada ao turismo, calculamos que a região produz mais de 800 milhões de euros diretos da atividade económica que representa o turismo, e isso felizmente teve em conta quer no quadro 2014/2020 como estará agora no quadro 2020/2030, aliás esperamos todos com alguma expectativa, que vai ser apresentado no dia 24 de janeiro”.

A região Centro é o destino nacional convidado da BTL em 2023, convite que Pedro Machado considera “duplamente importante” uma vez que “a Bolsa de Lisboa e a FIL reconhece o Centro de Portugal como um destino interpares”.

“O tal trabalho de consolidação da marca porque normalmente víamos Lisboa, Algarve e Madeira e hoje sabemos que há essa identidade distribuída. Mas é também um estimulo para os agentes económicos da região Centro que estando lá, estando na qualidade de destino nacional convidado, estou certo, é um destino para enfrentar e resistir, mas sobretudo para enfrentar os desafios que são muitos em 2023”, disse referindo-se à questão da saúde, da segurança, dos custos de contexto e em particular “à inflação galopante que ainda estamos a sofrer”.

ÁUDIO: PEDRO MACHADO, PRESIDENTE DA TURISMO DO CENTRO
Pedro Machado, presidente da Turismo do Centro

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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