Rastreios Visuais e Auditivos continuam a percorrer o Médio Tejo, tendo sido rastreados cerca de cinco mil jovens desde 2016-2017. Foto: mediotejo.net

O projeto “Promoção do Sucesso Escolar no Médio Tejo – Correção de Problemas Visuais e Auditivos”, iniciado no ano letivo 2016/2017 pela Comunidade Intermunicipal (CIM Médio Tejo), permitiu rastrear, até ao momento, 5.000 crianças, 15% das quais evidenciam défice auditivo e 10% visual.

Na sequência dos rastreios realizados nas escolas, a cada criança que se suspeita de défice visual é atribuído um ‘voucher’”, de 125 euros, para as correções necessárias, sendo as situações de défice audiológico encaminhadas para os serviços de saúde.

No rastreio na escola oureense estiveram presentes, num ato simbólico, Micaela Durão (vereadora da Câmara Municipal de Ourém), Diogo Alves (diretor do Agrupamento de Escolas Conde de Ourém) Jorge Simões (secretário intermunicipal do Médio Tejo) e Diana Leiria (diretora do ACES do Médio Tejo, Diana Leiria), sendo concordante entre todos a mais valia desta ação e o contributo que pode dar para o sucesso escolar dos jovens alunos.

VIDEO/REPORTAGEM:

Por parte da CIMT (Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo), entidade promotora desta ação em conjunto com os municípios e respetivos agrupamentos, Jorge Simões deu o seu exemplo pessoal, afirmando que só quando chegou à faculdade é que percebeu que tinha problemas de acuidade visual.

O secretário da Comunidade Intermunicipal recordou que nas primeiras discussões existia a noção de que haveria cerca de 5 a 7% de problemas por identificar na área da visão e da audição, sendo que ao fim de cinco mil rastreios se veio a perceber que na verdade as taxas se fixam em 10% (visuais) e 15% (auditivos) de problemas.

Jorge Simões, secretário da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Foto: mediotejo.net

“Para além disso, há o rastreio, há a possibilidade de corrigir esse problema, e isso é absolutamente virtuoso como numa região destas – não obstante os problemas todos que todos nós conhecemos – nasce aqui uma parceria destas com estes resultados que de facto são cruciais para a promoção do sucesso escolar, para reduzir os casos de insucesso, melhor o ambiente nos grupos e para dar de facto ferramentas importantes para que todas as crianças tenham pelo menos condições de igualdade para conseguirem ter um percurso de sucesso. E isso é uma virtude deste projeto que ninguém nos tira a todos os parceiros e por isso obviamente que irá continuar”, afirmou Jorge Simões.

Micaela Durão, vereadora da Câmara Municipal de Ourém. Foto: mediotejo.net

Micaela Durão, vereadora com experiência no ramo da educação, tendo passado pela direção da escola aquando o início do projeto, disse que foi desde logo percetível “as potencialidades que este plano tinha”, pelo que “após alguns anos de implementação, eu julgo que ninguém pode dizer o contrário”: que o PEDIME tem sido “determinante” nas escolas da região e que as ações como a do rastreio têm de facto dado resposta a muitos problemas e têm proporcionado muitas oportunidades aos alunos e aos professores.

“Tudo aquilo que possa ser feito para minimizar as dificuldades que os alunos possam ter em diversas áreas, e este caso na parte visual e na parte auditiva, é óbvio que faz toda a diferença. Uma criança que não vê e não ouve bem, obviamente que não pode aprender bem. Não há milagres. E por isso é muito importante que se faça esse rastreio, esse diagnóstico, não só nestas duas áreas (…) é muito importante que na educação do pré-escolar se possa efetuar esse diagnóstico”, afirmou a edil.

Diogo Alves, diretor do Agrupamento de Escolas Conde de Ourém. Foto: mediotejo.net

O diretor do Agrupamento de Escolas Conde de Ourém, Diogo Alves, lembrou que por norma os problemas nas crianças só eram diagnosticados numa fase mais tardia quando os professores eventualmente detetavam ou tentavam justificar algum insucesso ou problema, pelo que “se conseguirmos precocemente identificar e ajudar a resolver, estamos na prevenção, estamos a agir bem”, disse agradecendo pela possibilidade que a direção sozinha não teria capacidade de executar.

Para o sucesso é necessário ter-se apoio na saúde, foi uma das primeiras premissas defendidas por Diana Leiria, defendendo a diretora do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo que isto “não significa que quem tem problemas de saúde não possa ter sucesso (…) tem é que ter as ferramentas necessárias no momento certo e quanto mais precoce melhor, para conseguir ter o mesmo sucesso que os outros que têm 100% de visão ou 100% de audição ou 100% de outra capacidade qualquer”.

“Naturalmente que a capacidade cognitiva não é afetada pela falta de visão ou de audição mas é a capacidade de ouvir ou ver na plenitude que não permite perceber tão bem aquilo que o professor, os colegas ou a comunidade nos vai comunicando ao longo da nossa vida. E quando estamos a falar de idades precoces, de cinco anos, os meninos muitas vezes ainda não têm a capacidade de externalizar essa dificuldade, e cria muitas vezes também nos pais incerteza”, disse a profissional ligada à área da saúde.

Diana Leiria, diretora do ACES Médio Tejo. Foto: mediotejo.net

Diana Leiria destacou ainda a articulação de diversas entidades – desde autarquias, escolas ou o ACES – em prol de um projeto que visa dar mais saúde “aos futuros homens e mulheres do amanhã”, referindo que só se consegue ultrapassar as dificuldades quando existe união entre todos em prol de um mesmo objetivo, lição essa ensinada pela pandemia.

A diretora do ACES do Médio Tejo, salientou igualmente o seguimento que é dado aos rastreios que permitem identificar problemas de forma precoce, através da referenciação para os médicos e hospitais, e de todo o trabalho que acontece depois disso em termos do que é o diagnóstico e o tratamento.

Na sequência dos rastreios realizados nas escolas, a cada criança que se suspeita de défice visual é atribuído um voucher de acesso a consultas de diagnóstico diferencial, que serão realizadas por estabelecimentos aderentes da área de influência do Médio Tejo legalmente habilitados para o efeito.

Perante a confirmação de um défice visual suscetível de interferir com o processo de aprendizagem, será emitido um voucher a fim de apoiar a correção que se vier a identificar como necessária. As situações de défice audiológico são encaminhadas para os serviços de saúde.

Desde o início do projeto já foram emitidos 507 vouchers para correção visual, tendo as entidades presentes alertado para a necessidade de os pais fazerem uso deste instrumento para melhorar a saúde e condições de aprendizagem dos alunos e não o deixarem caducar.

Para o ano letivo de 2022/2023, o Conselho Intermunicipal aprovou o aumento do valor do voucher unitário para 125€.

Este projeto é desenvolvido em parceria pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo com os municípios do Médio Tejo e respetivos Agrupamentos de Escolas, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo; a Unidade Local de Saúde de Castelo Branco; o Centro Hospitalar do Médio Tejo; a Direção de Serviços de Educação da Região Centro e a Direção de Serviços de Educação da Região de Lisboa e Vale do Tejo.

O projeto Educação de Excelência do Médio Tejo – PEDIME (Plano de Estratégico de Desenvolvimento Intermunicipal da Educação) é cofinanciado pela União Europeia, Portugal 2020 e Programa Operacional do Centro 2020, através do Fundo Social Europeu.

Mais informação acerca do PEDIME disponível AQUI.

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *