Os dados são avançados pela APAV – Associação de Apoio à Vítima, que registou uma redução de 28 por cento de casos de violência doméstica em termos globais na nossa região. Por outro lado, no género masculino, o número de queixas aumentou 13 por cento.
O relatório anual da APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima referentes a 2021 revelam que na região do Médio Tejo houve um decréscimo de 28 por cento do número de vítimas. Se durante o ano de 2020 a APAV apoiou na nossa região 136 vítimas, esse número baixou para 97 no ano passado.
Os dados estatísticos disponibilizados reportam-se aos processos de apoio desenvolvidos presencialmente, por telefone e online, no ano transato, pelos 75 serviços de proximidade da APAV.
Entre os 13 concelhos do Médio Tejo registou-se uma redução do número de queixas em oito municípios, havendo casos em que o número de processos baixou para menos de metade, ao contrário do que se verificou em 2020 em que houve um aumento significativo (ver tabela).
O concelho com maior número de registos é Tomar, com 19 casos, número que tem vindo a reduzir nos últimos anos. Segue-se Torres Novas que baixou de 24 para 18 queixas. O mesmo aconteceu em Ourém, de 21 para 11. Mas é em Alcanena que a redução é maior, de 17 para 4.
No Entroncamento, o problema da violência doméstica parece também estar a esbater-se. Passou de 17 casos para 11. Número igual de queixas apresenta Abrantes, quando em 2020 foram 15.
Na Sertã, subiu de seis para sete o número de vítimas apoiadas, enquanto Ferreira do Zêzere e Vila Nova da Barquinha mantiveram o mesmo número de processos, 7 e 3, respetivamente.
Fora da região do Médio Tejo, salta à vista o aumento do número de casos de violência doméstica na Golegã, de 2 para 9, e em Ponte de Sor de 38 para 68.
Vítimas apoiadas pela APAV – Médio Tejo
| 2019 | 2020 | 2021 | |
| Abrantes | 20 | 15 | 11 |
| Alcanena | 3 | 17 | 4 |
| Constância | 2 | 3 | 2 |
| Entroncamento | 15 | 17 | 11 |
| Ferreira do Zêzere | 10 | 7 | 7 |
| Mação | 3 | 0 | 2 |
| Ourém | 16 | 21 | 11 |
| Sardoal | 0 | 2 | 1 |
| Sertã | 1 | 6 | 7 |
| Tomar | 23 | 21 | 19 |
| Torres Novas | 12 | 24 | 18 |
| V. N. da Barquinha | 4 | 3 | 3 |
| Vila de Rei | 0 | 0 | 1 |
| TOTAL | 109 | 136 | 97 |
Vítimas apoiadas pela APAV – Outros concelhos
| 2019 | 2020 | 2021 | |
| Chamusca | 11 | 7 | 7 |
| Golegã | 2 | 2 | 9 |
| Santarém | 116 | 129 | 88 |
| Ponte de Sor | 55 | 38 | 68 |
| Gavião | 9 | 10 | 10 |
Mais homens agredidos
Segundo o relatório anual da APAV, a nível nacional houve em 2021 um aumento de 11% das vítimas diretas que apoiaram, passando de 13.093 para 13.234. Tal aumento deve-se ao maior número de queixas apresentadas por homens, mais 13,2%. Em 2021, 2601 pessoas do sexo masculino denunciaram as agressões de que foram alvo, quando em 2020 foram 1842.
No entanto, são as mulheres que continuam a ser as principais vítimas no universo da violência doméstica. Representam 77,9 % do total (10.308). Têm uma média de idades de 40 anos e com o ensino básico, mas o ensino superior surge em segundo lugar (6,8%). Os agressores são o cônjuge (15,5%), o companheiro/a (8,5%), o pai/mãe (7,8%), o ex-companheiro/a (7,5%), o filho/a (6,4%).
Globalmente, a violência doméstica (76,8 %) é o principal crime que as vítimas denunciam, seguindo-se os crimes sexuais contra crianças e jovens (5,5%), as ofensas à integridade e as ameaças/coação (2,5%).
A APAV presta apoio gratuito, confidencial e especializado a vítimas de todos os crimes. Está disponível através de uma rede nacional de Gabinetes de Apoio à Vítima, presente em muitas das principais cidades do país. A Linha de Apoio à Vítima, 116 006, está disponível de segunda a sexta, entre as 8h e as 22h. A Linha Internet Segura está disponível através do 800 21 90 90, de segunda a sexta, entre as 8h e as 22h, e do e-mail linhainternetsegura@apav.pt. A APAV está também presente nas principais redes sociais, como o Facebook e o Instagram.
