Diversas e relevantes foram as temáticas em análise, nos dias 27 e 28 de outubro, nos municípios organizadores do evento. Em Abrantes debateu-se o “Desporto e Justiça”, o Entroncamento recebeu o tema “Desporto e Movimento Associativo”, Torres Novas abordou o “Desporto e Sociedade” e, em Vila Nova da Barquinha, o destaque foi para o “Desporto, Ética, Saúde e Bem Estar”. Este ano juntaram-se à iniciativa os municípios de Alcanena, Constância e Mação que receberem 3 fóruns prévios, nos dias 29 de setembro, 6 e 13 de outubro, respetivamente.
A II edição do Congresso do Desporto, que proporcionou momentos de debate, reflexão e partilha de conhecimentos sobre o fenómeno desportivo e a sua relação com a sociedade e o dirigismo nas suas múltiplas vertentes, teve a sua sessão de encerramento na tarde de sábado, no Entroncamento.
Pedro Proença, presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional foi um dos oradores na sessão final do Congresso, tendo subido ao palco do Centro Cultural do Entroncamento para intervir na sessão subordinada ao tema ‘Desporto e Movimento Associativo’.
Aos organizadores do evento, o dirigente desportivo dirigiu desde logo a palavra e felicitou pela iniciativa, tenho sublinhado que, “muitas vezes, é nestes locais que começam os grandes pensamentos”.

Durante a sua intervenção, Pedro Proença destacou a importância do associativismo e do futebol distrital, sem o qual não seria possível um “futebol de excelência”.
“Dar os parabéns a todo este grupo de gente que é capaz de pensar e refletir sobre tudo aquilo que o desporto vai fazendo, porque é com a soma de todas estas pequeninas partes que nós fazemos o futebol português muito mais competente e capaz. É esta gente anónima que produz tanto talento. O futebol associativo é a base do futebol de excelência, não tenho dúvidas disso e eu também nasci no futebol associativo”, afirmou.
ÁUDIO | Pedro Proença, presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional

José Sampaio e Nora, presidente da Associação Portuguesa de Direito Desportivo (APDD), afirmou, por sua vez, ser um grande fã do evento e destacou o crescimento que o Congresso registou nesta edição, com o aumento do número de municípios envolvidos.
“Que para o ano seja ainda melhor. (…) Eu já vim duas vezes como orador, espero, pelo menos, para o ano vir como moderador e, como espetador, virei certamente. Estes encontros são sempre muito agradáveis (…). É uma iniciativa absolutamente única, tenho imenso gosto em vir”, vincou o presidente da APDD.

O professor Francisco Nunes, em representação do Instituto Politécnico de Tomar (IPT), parabenizou a organização por “ter encontrado salas bem compostas e termos tido um público interessado”.
O docente destacou o interesse das temáticas levadas a debate e que significam “o crescimento do desporto aqui na região do Médio Tejo, pelo facto de este ano termos sete municípios associados a esta iniciativa. Esperemos que no próximo ano tenhamos mais e que cheguemos a todo o Médio Tejo”.
Augusto Figueiredo, presidente da Federação Distrital de Santarém das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, por sua vez, afirmou estar “muito contente” por participar dos trabalhos “por duas razões”.
“A primeira é porque o Congresso introduz elementos na discussão coletiva e social que não é normal no território de Santarém nem no país. A segunda é porque no ano passado a Federação esteve como convidada e na capacidade e na humildade dos organizadores, resolveram incluir a Federação como representante da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura e Recreio, nesta honra que humildemente aceitámos”, começou por referir.

Ainda durante a sua intervenção, Augusto Figueiredo destacou as condições que os territórios do Médio Tejo possuem e que devem investir e potenciar o movimento associativo.
“O Médio Tejo, pelos autarcas que conheço, e conheço-os todos, tem condições humanas de dedicação às suas populações e aos seus territórios que o desporto e o movimento associativo devem potenciar mais. Da experiência que temos, o Médio Tejo pode ser usado como um guia de boas práticas para outras zonas do território e para outros concelhos do nosso distrito, porque o distrito tem 21 concelhos”, destacou.




Jorge Faria, o autarca anfitrião, começou por agradecer a “todos aqueles que no seu trabalho tornam possível esta iniciativa (…) e que têm dado um contributo muito válido” para permitir as reflexões sobre o fenómeno desportivo.
Relativamente à conjugação de esforços entre os municípios envolvidos, o autarca entroncamentense indicou que esta tem permitido desenvolver uma “reflexão em termos do desporto, e este ano particularmente, com temas que vão desde a justiça, à ética, bem-estar, a sociedade e hoje o movimento associativo, que são transversais às preocupações no âmbito desportivo”, considerou.
Relativamente à intervenção do presidente da Liga, Jorge Faria disse que espelha uma “realidade bem diferente” das nossas, e destacou a relevância da “partilha e da reflexão de quem está em outro nível do dirigismo e que acabou por dizer que a Liga só existe porque existem os clubes, as associações e todos aqueles amadores que trabalham no dia a dia”.

Também o autarca defendeu a importância das associações, lembrando que, embora os autarcas tentem “apoiar e fazer o melhor que sabem para as populações”, sem a colaboração das associações seria uma tarefa mais difícil e sem o “desempenho que hoje temos”.
ÁUDIO | Jorge Faria, presidente da CM do Entroncamento
“Se não houvesse associações e dirigismo associativo, que normalmente são as pessoas que mais são esquecidas… porque nos feitos desportivos o atleta é valorizado, o treinador nem sempre, mas o dirigente associativo quase nunca. Mas de facto é aquele, ou aquela, que dá o seu contributo (…). Para eles deve estar o nosso reconhecimento, porque facilitam muito o nosso trabalho”, elogiou Jorge Faria.
Em declarações ao mediotejo.net, Paulo Lourenço revelou estar “satisfeito” e muito “orgulhoso” com a 2ª edição do Congresso e com os quatro fóruns que decorreram na sexta-feira e sábado. “Estas coisas dão sempre trabalho, há sempre contratempos, mas já vamos na segunda edição e as coisas continuam a correr como tinham sido inicialmente planeadas”.
Aquele que é um dos mentores do projeto destacou ainda o empenho da equipa e a qualidade dos oradores que levaram a cabo sessões nos quatro municípios, ao longo dos dois últimos dias de trabalhos.

“Há sempre aspetos a melhorar, até porque na terceira edição, que toda a gente já assumiu que vai efetivamente haver, em vez de termos só quatro municípios já vamos ter sete (…) e portanto, temos repensar o modelo organizativo, se dois dias serão suficientes ou se terá de ser mais do que um fim de semana”, avançou Paulo Lourenço.
Tendo garantido a realização da 3ª edição do Congresso, o assessor da presidência da Federação Portuguesa de Futebol destacou a importância da iniciativa que se estende para lá dos territórios do Médio Tejo e que traz a debate “temas que não são muito discutidos”, porque “não há espaço de reflexão”.
“Os municípios têm feito um trabalho incrível no Médio Tejo no que diz respeito ao desporto, mas necessitam naturalmente também quem pense nestas questões, quem sinta quais são as necessidades das populações, qual é o bem-estar que elas efetivamente necessitam e, portanto, este é um espaço de debate, de reflexão, um espaço para dar diretrizes e indicadores para as autarquias poderem cada vez mais prestar um serviço melhor às respetivas comunidades locais”, concluiu.
ÁUDIO | Paulo Lourenço, um dos mentores dos responsáveis pela iniciativa
A II edição do Congresso do Desporto realizou-se nos dias 27 e 28 de outubro, sexta-feira e sábado, no Entroncamento, Abrantes, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha, municípios fundadores do evento de debate, partilha e reflexão. Este ano juntaram-se à iniciativa os municípios de Alcanena, Constância e Mação que receberem 3 fóruns prévios nos dias 29 de setembro, 6 e 13 de outubro, respetivamente.

O primeiro realizou-se a 29 de setembro em Alcanena, com a temática do movimento associativo. O Cineteatro de Constância recebeu a 6 de outubro o segundo fórum, dedicado às áreas da saúde e bem-estar, tendo o auditório do Centro Cultural Elvino Pereira, em Mação, recebido no dia 13 um fórum relacionado com as considerações legais do desporto. O projeto idealizado pelo município de Abrantes, tem como mentores os abrantinos Paulo Lourenço (Federação Portuguesa de Futebol), Jorge Heleno (Associação de Futebol de Santarém) e o presidente da Associação de Judo do Distrito de Santarém, Pedroso Leal.
O Congresso do Desporto é certificado pelo IPDJ – Instituto Português do Desporto e Juventude, com a atribuição de créditos aos técnicos de desporto participantes e pelo Centro de Formação da Associação de Escolas da A23.










