Tablets e mapas com sistema de referenciação GPS estão a auxiliar este ano a Guarda Nacional Republicana (GNR) na Operação Ignição Zero, que está a percorrer todo o distrito de Santarém na prevenção e fiscalização dos terrenos por limpar perto de moradias. As equipas já passaram por Alcanena e operam agora no concelho de Ourém. Na memória ainda estão os 13 milhões de euros de prejuízo com os incêndios neste concelho em 2012.
A operação arrancou na manhã de quinta-feira, 17 de março, e a previsão inicial pretendia que estivesse concluída em 48 horas. Apoiados pela tecnologia e já não simplesmente com mapas, a GNR deslocou uma equipa de 32 militares e 16 viaturas para o terreno, palmilhando todas as estradas do concelho de Ourém, fotografando e referenciando todos os terrenos até 50 metros de moradias que se encontrem em incumprimento das normas de limpeza.
Ourém registou 2136 infrações em 2015, sobretudo nas freguesias de Caxarias, Rio de Couros/Casal dos Bernardos e Fátima, mas a GNR espera que este número diminua substancialmente na operação deste ano. Desta vez ainda se vai apostar sobretudo na prevenção e alerta dos proprietários, mas em maio, quando a GNR regressar às estradas florestais, os autos serão levantados aos incumpridores, com multas que podem ir dos 140 euros a 60 mil euros.
Foram estes alguns dos alertas deixados pelo Sargento-Ajudante Rui Teixeira, da Base de Reserva da Alcaria do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) da GNR. “Os incêndios apagam-se sem água”, frisou no lançamento da operação em Ourém, na presença de alguns presidentes de junta: “onde não há combustível, não arde”, vincou.
“Estamos convictos que vamos diminuir as infrações”, afirmou o Sargento-Ajudante, que comentou que por vezes é preciso “paciência” para fazer ver aos proprietários o risco que se corre por não limpar os terrenos. O agente da autoridade referiu ainda que, segundo a sua experiência no terreno, em anos de muita chuva os combustíveis finos “crescem rapidamente”, pelo que “espera-se uma época difícil se não tivermos atenção (à prevenção)”.
Já o presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, lembrou os incêndios de 2012, onde o município teve um prejuízo de mais de 13 milhões de euros (ardeu uma fábrica em Urqueira). As características dispersas das povoações de Ourém potenciam o abandono dos terrenos e a grande (e)migração acentua vários problemas de tutela das propriedades. Acresce que o município não tem um cadastro que identifique os terrenos e os seus donos, o que dificulta as operações de prevenção.
“A nossa esperança é que com esta ação brilhante da GNR” o município consiga “melhorar a capacidade de evitar o risco”, salientou o presidente.

