Centro de Saúde de Alferrarede já tem consulta de médico dentista. Foto: DR

O acesso universal a cuidados de saúde dentários, ou seja de toda a população, já é uma realidade em três concelhos do Médio Tejo: Abrantes, Ourém (Fátima) e Entroncamento. As consultas arrancaram esta semana para toda a população e vão alargar-se progressivamente a todos os centros de saúde do Médio Tejo. 

“Neste momento já se encontram a funcionar três gabinetes de Medicina Dentária, nos seguintes centros de saúde: Fátima, Entroncamento e Abrantes. Está em curso o recrutamento dos profissionais, através de empresa de prestação de serviços, para os restantes centros de saúde. Todos os utentes inscritos nas unidades de saúde do Agrupamento Centros Saúde (ACES) Médio Tejo têm acesso às consultas de Medicina Dentária, sendo a referenciação feita através do médico de família”, disse ao nosso jornal a ARSLVT, informação confirmada pela diretora executiva do ACES Médio Tejo, Diana Leiria adiantando que as consultas iniciavam na semana que agora findou.

Os Gabinetes de Saúde Oral já estão a funcionar há algum tempo, embora com as equipas a trabalhar na organização do material médico, etiquetagem e outras tarefas iniciais.

Quanto ao recrutamento “nem sempre é fácil” admite a responsável, embora a ARSLVT “não recrute diretamente” mas “através da prestação de serviços. Neste momento ainda não existem vagas nos quadros do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para médico dentista.

“Segundo a empresa em alguns locais é difícil recrutar médicos dentistas e em outros locais assistente de dentista. A ARS contrata um pacote que inclui médico dentista e assistente”, explicou Diana Leiria, à margem do Fórum Autárquico sobre transferência de competências na área da Saúde, que decorreu em Ferreira do Zêzere, no dia 3 de março.

Ou seja, o ACES Médio Tejo conta com “algumas equipas de alguns municípios. Contamos no próximo mês de abril ter mais quatro ou cinco equipas”, avança Diana Leiria.

Diana Leiria no Fórum Autárquico sobre a transferência de competências da Saúde em Ferreira do Zêzere. Créditos: mediotejo.net

ÁUDIO | DIRETORA EXECUTIVA ACES MEDIO TEJO, DIANA LEIRIA

Estes gabinetes de saúde oral nasceram de protocolos de colaboração entre os municípios e as Administrações Regionais de Saúde, no âmbito do alargamento do projeto dos médicos-dentistas nos cuidados de saúde primários. Saúde Oral Para Todos é o nome do programa do SNS, inserido no conjunto de medidas do designado SNS + Proximidade.

No caso da sub-região do Médio Tejo, este projeto envolve a ARSLVT e as Câmaras Municipais dos concelhos da área de abrangência do ACES. “As câmaras municipais adquiriram o equipamento para o gabinete de médico dentista, a ARSLVT custeou as obras de adaptação dos gabinetes a esta funcionalidade, competindo igualmente à ARS a contratação da equipa de profissionais (médico dentista e assistente), bem como o fornecimento de material de consumo clínico”, explicou ainda a ARSLVT.

“A ideia é ficar, com gabinete de saúde oral, todos os centros de saúde, sendo 11 concelhos mas 12 centros de saúde, dois em Ourém”, detalhou Diana Leiria ao nosso jornal.

Para a diretora executiva do ACES Médio Tejo, trata-se de um programa “importante” uma vez que diversifica a oferta de cuidados de saúde primários na valência de saúde oral.

Até então os programas de saúde oral abrangiam apenas crianças, jovens e grávidas, nomeadamente no âmbito do cheque dentista, “mas não abrangiam toda a população”, designadamente utentes com maiores dificuldades económicas.

Com acesso universal, veem agora aumentada a capacidade de aceder a serviços de saúde oral, fez notar a responsável.

Por outro lado, “vai colmatar algumas infeções” em utentes com outras doenças “porque tudo está relacionado”, referiu, sublinhando a relevância da “intervenção na pessoas, no seu global”.

ÁUDIO | DIRETORA EXECUTIVA ACES MEDIO TEJO, DIANA LEIRIA

Para a ARSLVT “as doenças orais, como a cárie dentária, constituem um problema de saúde pública dada a sua grande prevalência e morbilidade, influenciando negativamente o bem-estar e a qualidade de vida ao comprometerem funções básicas como a mastigação ou a fala”.

Acrescenta que “um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou que as cáries dentárias são a doença não contagiosa mais comum em todo o mundo. A doenças da cavidade oral associam-se ainda a diferentes patologias sistémicas como, por exemplo, doenças do foro cardíaco ou a diabetes. Esta resposta alargada e de proximidade permitirá um maior acesso dos utentes do SNS ao tratamento das doenças orais, contribuindo desta forma para a melhoria do seu estado de saúde, independentemente da situação económica”.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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1 Comentário

  1. A intenção pode ser boa, mas normalmente qualquer clínica privada tem diversos gabinetes a funcionar em simultâneo!
    Um gabinete por centro de saúde não vai ser nem de perto suficiente, a não ser que os médicos tenham orientações a não recomendar o serviço a não ser em casos extremos.
    Espero que conforme verifiquem que não existe capacidade de resposta a tanta procura, que municípios e todos os demais envolvidos expandam a capacidade de prestação de serviço.

    Também teria sido uma alternativa viável ter um protocolo em que o médico de família passava uma declaração e depois a pessoa ia ao município e levantava um documento autorizando determinado tipo de intervenção(ões) já tendo em conta que muitas coisas requerem múltiplas intervenções e regressos posteriores à clínica. Por outro lado aceito que tenham receio de fraudes e que por isso tenham preferido meter os médicos no centro de saúde.

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