Foto: Ricardo Escada/mediotejo.net

Em Constância, vila onde o Zêzere desagua no Tejo, os rios já saíram parcialmente do leito normal em zonas ribeirinhas. A estação de medição em Almourol registava ao final da manhã caudais de 3.100 m³/s, cenário acompanhado atentamente pelas autoridades locais.

A Comissão Municipal de Proteção Civil ativou no sábado o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil. No terreno, além dos bombeiros e meios municipais, está um corpo de fuzileiros da Marinha em prevenção, preparado para atuar na região e nos municípios ribeirinhos, caso seja necessária a evacuação de populações, adiantou o comandante da Proteção Civil do Médio Tejo.

Confluência dos rios Tejo e Zêzere, em Constância, este domingo. Foto: Telmo Francisco

O presidente da Câmara de Constância explicou ao mediotejo.net, ao final da tarde, que a ativação do plano resulta também da declaração de estado de calamidade.

Sérgio Oliveira sublinhou que, para já, não se perspetiva uma cheia grave, lembrando que o bar junto ao Parque de Campismo já foi evacuado por precaução.

“As descargas preventivas das barragens, articuladas com a APA, têm garantido capacidade de encaixe para a chuva que se anuncia. Se tudo correr como previsto, no pior cenário a água poderá chegar às escadas do Camões, como em 2013, mas estamos muito longe das grandes cheias históricas”, disse o autarca.

Abrantes alerta para risco nas próximas horas

Também em Abrantes, o presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos, fez um ponto de situação ao mediotejo.net, ao início da noite, a partir do quartel dos Bombeiros Voluntários, acompanhado pelos agentes da proteção civil.

Valamatos destacou a previsão de muita chuva nas próximas horas, com impacto direto nas linhas de água e no rio Tejo, lembrando que os solos já estão saturados.

“O rio tejo tem tido caudais muito significativos, mas ainda não ultrapassou as linhas vermelhas. Algumas inundações ocorreram, mas dentro dos limites razoáveis. No entanto, com a chuva prevista, as próximas horas podem ser difíceis, sobretudo nas zonas urbanas críticas e em áreas já fragilizadas pela tempestade Kristin”, explicou o presidente.

Abrantes alerta para risco nas próximas horas. Foto: CMA

O autarca acrescentou que há preocupação com habitações danificadas, telhados soltos, queda de árvores e postes, além de problemas na rede elétrica devido a interrupções e furtos de cabos. Garantiu, porém, que o abastecimento de água está totalmente restabelecido no concelho.

“Estamos a trabalhar com juntas de freguesia, gabinete de proteção civil e todos os agentes para encontrar as melhores respostas e minimizar problemas. Destaco ainda a solidariedade das populações e associações, que tem sido fundamental para apoiar as famílias mais afetadas”, concluiu Valamatos.

Alcanena reforça monitorização e controla zonas sensíveis

Em Alcanena, que tem o Plano Municipal de Emergência ativo (decorrente da declaração de emergência decretada pelo Governo), as autoridades mantêm vigilância reforçada face ao estado de calamidade decretado para a região. O acesso às Nascentes do Alviela e ao Centro de Ciência Viva está temporariamente encerrado até nova avaliação.

Alcanena reforça monitorização e controla zonas sensíveis

Os bombeiros municipais e voluntários tiveram os meios reforçados, realizando monitorização periódica de pontos sensíveis face à subida dos caudais. A rede de eletricidade no concelho de Alcanena está na sua maioria restabelecida, mas ainda se registam algumas falhas localizadas, que estão devidamente identificadas e acompanhadas pelas autoridades.

Governo e Proteção Civil mantêm vigilância

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, alertou hoje que poderão ser necessárias evacuações em algumas zonas ribeirinhas, apelando à população para seguir rigorosamente as orientações das autoridades. Montenegro recordou que os solos saturados, as infraestruturas fragilizadas e a precipitação prevista podem agravar o risco de cheias e inundações.

Almourol. Foto: Paulo Jorge de Sousa

O comandante da Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato, por sua vez, confirmou a monitorização permanente. Além dos meios municipais e bombeiros, os fuzileiros da Marinha estão no terreno, preparados para agir preventivamente, disse.

Lobato sublinhou ainda que, até ao final do dia de ontem, cerca de 19 mil habitações ainda estavam sem eletricidade em Ourém, reflexo da tempestade Kristin.

“Em relação às cheias, ainda não temos situações de risco imediato, mas a chuva prevista poderá complicar cenários, sobretudo em aldeias e cidades ainda a recompor-se da depressão Kristin. Continuamos a acompanhar as descargas das barragens e temos equipas prontas para evacuar, se necessário”, disse Lobato.

Médio Tejo ainda recupera da tempestade Kristin

Cinco dias após a passagem da depressão, continuam as operações de limpeza e desobstrução em Tomar, Ourém, Ferreira do Zêzere, Abrantes e Vila Nova da Barquinha, entre outros. Estradas afetadas, árvores caídas, postes derrubados e habitações com telhados danificados mantêm o cenário crítico em vários pontos da região.

Os onze municípios do Médio Tejo têm os Planos Municipais de Emergência ativos, e o Plano Distrital de Santarém também está em vigor. A situação de calamidade foi prolongada até 8 de fevereiro, abrangendo concelhos ribeirinhos como Constância, Abrantes, Mação e Vila Nova da Barquinha.

Perante este duplo alerta — cheias iminentes e danos ainda por recuperar da tempestade — os concelhos do Médio Tejo mantêm vigilância apertada, com fuzileiros da Marinha em prevenção, planos ativos, equipas de bombeiros e proteção civil, e apelam à população para que siga todas as indicações oficiais nas próximas horas.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.

No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada deste domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

A situação de calamidade vai ser prolongada em Portugal Continental até 08 de fevereiro, por decisão hoje do Conselho de Ministros.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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