Autocarro movido a hidrogénio vai ligar as cidades do Médio Tejo. Foto ilustrativa: DR

O presidente da Médiotejo21, Agência Regional de Energia e Ambiente do Médio Tejo e Pinhal Interior Sul, entidade que tem por missão contribuir para a sustentabilidade e inovação na sua região de influência, destacou ao mediotejo.net a importância da aprovação destas duas candidaturas, no âmbito da União Europeia e da transição energética, com muitas candidaturas apresentadas aos fundos europeus e onde nem todas têm financiamento.

ÁUDIO | JOÃO GOMES, PRESIDENTE MEDIOTEJO21

“O Médio Tejo 21 concorreu a dois programas desses projetos, um deles (Hy2Market) consiste basicamente na criação de um circuito de um veículo que possa ligar vários pontos de vários concelhos – e aqui estamos a falar da nossa região – e substituir, porque já temos o projeto que é o LINK, até pela CIM Médio Tejo, em colaboração com os municípios, que faz a ligação das principais cidades destes concelhos, disse o responsável da Médiotejo21, que é também vice-presidente da Câmara de Abrantes.

“Nós queremos substituir esse autocarro por um autocarro a hidrogénio, queremos fontes renováveis, e queremos um veículo que funcione a hidrogénio verde porque é uma alteração significativa até para melhorar a emissão de CO2 e podermos baixar essa emissão para um equipamento”, vincou João Gomes, tendo afirmado que o projeto vai além do autocarro.

“Nós não olhamos só para um projeto de mobilidade, porque ele é importante, mas também para todo o know-how que pode trazer à nossa região porque nós sabemos que se houver aqui um autocarro que funcione a hidrogénio, nós vamos ter de ter o abastecimento desse autocarro e vamos ter de criar outras sinergias. Será saber e investimento que será canalizado para a nossa região. Já há algum tempo que o Médio Tejo ficou sinalizado como uma região hidrogénio e é isso que estamos a trabalhar”, frisou, dando conta de mais parceiros envolvidos.

[O projeto] vai envolver parceiros de vários países, como as Astúrias, Aragão, Castela (Espanha), Cecília (Itália), Macedónia, Grécia e a Roménia, sendo que o investimento aprovado para o autocarro a hidrogénio no Médio Tejo ronda os 320 mil euros.

“O que é uma ótima notícia, estamos a falar de um valor significativo e de um projeto que vai ter uma periodicidade de três anos, além de que este programa vai ter várias áreas que são a gestão e coordenação, vai ter sistemas de produção e gestão de hidrogénio verde, transporte de hidrogénio, utilização industrial de hidrogénio, utilização de hidrogénio de mobilidade, e é aí é onde nós entramos, que é o autocarro movido a hidrogénio para ligar as cidades do Médio Tejo, mas depois também temos a plataforma de intercâmbio de conhecimento e a colaboração da comunicação e divulgação de aceitação ao público.

O projeto Hy2Market reúne regiões de toda a Europa que trabalham para impulsionar a produção, transporte, e utilização de hidrogénio verde. Com uma abordagem inter-regional, o conhecimento sobre a construção de uma cadeia de valor de hidrogénio robusta e inovadora é realizado através de investimentos direcionados para a produção de hidrogénio verde – com especial enfoque nos sistemas de gestão, o transporte de hidrogénio em infraestruturas existentes e novas e a extração de hidrogénio verde por parceiros industriais e em mobilidade.

A base do Hy2Market reside em regiões europeias de vanguarda como o Norte da Holanda, Alta Áustria e Ródano-Alpes, que se ligaram e uniram com regiões emergentes de hidrogénio como o Médio Tejo, em Portugal, Astúrias, Aragão, Castela e Leão, em Espanha, Sicília, em Itália, Macedónia Ocidental, na Grécia, e Constanta, na Roménia.

Neste projeto em rede, em que cada país vai desenvolver uma temática sendo monitorizado em conjunto, “todos vão ficar com o saber desenvolvido por cada um dos parceiros”, ponto que João Gomes considerou “importantíssimo” porque, notou, “trabalhando em equipa, e com várias realidades, permite-nos aprender mais e ter melhores respostas”.

Médio Tejo integra programa RESIST para adaptação e resposta às alterações climáticas

Quanto ao segundo programa, o RESIST, em que a Médiotejo21 se quis “focar numa área muito específica”, a gestão do risco de incêndio, terá a duração de cinco anos e um financiamento de 140 mil euros, sendo um projeto que “visa reforçar a resiliência e acelerar a transformação e aumentar a capacidade de adaptação de 12 regiões da União Europeia vulneráveis ao clima”.

O programa prevê a implementação de “quatro mostradores de adaptação às alterações climáticas, e visa promover a transferência de know-how e de soluções inovadoras em oito regiões gémeas, através de atividades de aprendizagem mútua”.

“Nós quisemos canalizar a ação para uma área específica, que nos diz muito na região Centro de Portugal, em que o enfoque será na gestão de risco de incêndio”, disse João Gomes. “É aprender quais é que são as estratégias que podemos implementar para defender a nossa floresta, que é o nosso pulmão, e também evitar os incêndios, que são um flagelo que infelizmente atravessamos e que sabemos todos que quando acontecem incêndios há emissão de CO2 para o nosso planeta e vem-nos prejudicar e acentuar a degradação climática do nosso território”.

Esse projeto, notou, “também tem um programa de trabalho com quadros de referência demonstradores [da evolução do trabalho], plataforma de colaboração e de trabalho em rede, demonstração de atividades de germinação e de inovação e resiliência climática, comunicação e divulgação de transformação de inovação social e gestão de projeto e coordenação de relações públicas”.

O projeto RESIST vai contribuir para a agenda da UE no que respeita a alterações climáticas, promovendo e demonstrando uma abordagem inovadora e participativa da resiliência e adaptação demonstrando novas soluções, acelerando a resiliência regional e ajudando a alcançar os objetivos de adaptação.

O projeto Resist vai co-desenhar e contribuir para o desenvolvimento de novas medidas regionais, instrumentos políticos e soluções sociais e tecnológicas avançadas no combate às alterações climáticas.

“E isto também é importante porque nós queremos envolver os parceiros locais, como as ZIF, e os municípios que nos envolvem, mas também técnicos habilitados, que já pensaram, que têm experiência na área, a par de contributos também de outras regiões da Europa que possam nos ajudar a melhorar”, concluiu o responsável da Médiotejo21.

Bruxelas aprova financiamento de 13,5 mil ME para a investigação e inovação

A Comissão Europeia vai disponibilizar uma verba de 13,5 mil milhões de euros para apoiar a investigação e inovação em áreas como o ambiente e a energia, entre outras, do programa de trabalho do Horizonte Europa para 2023-2024.

Este financiamento foi aprovado este mês de dezembro no quadro do Horizonte Europa, o programa mais vasto da União Europeia (UE) para a investigação e inovação, segundo um comunicado do executivo comunitário.

O objetivo é financiar investigadores e inovadores europeus e “a procura de soluções revolucionárias para os desafios ambientais, energéticos, digitais e geopolíticos”.

O Horizonte Europa permitirá ainda o desenvolvimento de “ações específicas para apoiar a Ucrânia, promover a resiliência económica e contribuir para uma recuperação sustentável da pandemia de covid-19”.

O programa de trabalho do Horizonte Europa para 2023-2024 baseia-se no Plano Estratégico 2021-2024 do Horizonte Europa, adotado em março de 2021.

Foi criado juntamente com as partes interessadas, os Estados-Membros e o Parlamento Europeu.

*Com Lusa

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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