Os autarcas da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) exigiram esta sexta-feira, dia 22 de junho, uma solução rápida para a antiga base aérea de Tancos, em Vila Nova da Barquinha, seja militar, seja civil, dando conta do seu elevado estado de degradação.
Em comunicado, a CIMT refere que o aeródromo de Tancos é “elemento essencial para a coesão do território do Médio Tejo, Beiras e Alto Alentejo”, tendo, nesse sentido, solicitado reuniões ao Presidente da República, ao primeiro-ministro e ao General Chefe do Estado-Maior da Força Aérea “com caráter de urgência”.
No documento enviado esta sexta-feira à agência Lusa, a CIMT lembra que “o Presidente da República defendeu esta semana uma meta de cinco anos, até 2023, para resolver o problema das desigualdades entre litoral e o interior, sob pena de o país falhar como um todo”, tendo defendido que o aeródromo de Tancos é “uma grande oportunidade para valorizar o interior”.
Por outro lado, os autarcas da CIMT referem ainda que “o Governo, no seu programa, assumiu entre os seus objetivos prioritários a afirmação do interior, e das zonas de baixa densidade como um aspeto central do desenvolvimento económico e da coesão territorial, promovendo uma nova abordagem de aproveitamento e valorização dos recursos e das condições próprias do território enquanto fatores de desenvolvimento e competitividade”.
Tendo feito notar que as infraestruturas em Tancos “estão a perder a sua capacidade e operacionalidade” e que “as suas pistas, a maior com 2440 metros de comprimento, necessitam, urgentemente, de obras de conservação e manutenção”, a CIMT pede “uma definição política clara e objetiva” para esta infraestrutura aeronáutica.
“Queremos a Força Aérea novamente em Tancos até pela sua centralidade e para uso dos meios da Proteção Civil”, reclamam, tendo defendido que, “caso não seja a opção para recolocação da Força Aérea em Tancos, se permita a viabilização de forma clara e inequívoca da utilização civil-militar desta infraestrutura”, tendo fundamentado a sua posição com o “interesse de grupos privados na sua exploração”, e com a existência de um “suporte de rede de autoestradas e itinerários principais”, como a A13 e a A23, a estação de caminhos-de-ferro (Almourol-Tancos) e o nó ferroviário central do país, no Entroncamento”, entre outros.
“A abertura de um aeroporto civil-militar em Tancos permitiria alavancar a dinâmica económica de toda região e aproveitaria, também, o potencial turístico dos milhões de passageiros que se dirigem a Fátima”, concluem.
Com uma população na ordem dos 250 mil habitantes, a CIMT é composta pelos municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Sertã, Tomar, Torres Novas, Vila de Rei e Vila Nova da Barquinha.

Acho boa ideia esta dos autarcas e da CIM quererem agora que as estuturas de Tancos sejam rentabilizadas. Mas esses mesmos autarcas quando eu eu 2Fevereiro de 2012, escrevi no jornal “O Almonda” o artigo que passo a transcrever, nada disseram e nada fizeram… Janela de oportunidade – Tancos aeroporto civil “Low Cost”
in “O Almonda” 24 de Fevereiro de 2012. Etiquetas: Carlos Pinheiro.
Mesmo neste tempo de crise, mesmo sem palavras de esperança de quem nos devia saber conduzir, mesmo assim e talvez por isso, não devemos enfiar a cabeça na areia e esperar que a crise passe.
Vamos ao que interessa.
O Aeroporto de Lisboa começa a estar saturado e não há dinheiro para se pensar num Aeroporto novo. É uma realidade. Ponto final, parágrafo.
Por esse facto e ainda porque os custos de utilização da Portela sejam caros, as empresas de “Low Cost”, aquelas que mais passageiros transportam em todo o mundo, procuram alternativas para servirem bem os seus clientes a custos competitivos.
Começou-se por falar da Base de Alverca, mas há dificuldades insuperáveis na medida em que os corredores de aproximação à pista serão os mesmos de Lisboa, como aliás também se passa o mesmo com a Base do Montijo.
Sintra também foi posta em equação mas problemas de vária ordem inviabilizaram a ideia.
Agora está tudo virado para Monte Real, como se fosse fácil a convivência pacífica de voos civis constantes na Base mais operacional de que o País e a NATO dispõem neste cantinho. Refira-se, e sublinhe-se, que uma Base com as características operacionais de Monte Real, precisa ter pistas disponíveis a qualquer momento. À partida, mesmo que esta hipótese muito interessasse a toda a região centro e oeste, a sua viabilização será praticamente impossível e só se está a perder tempo para ser encontrada a solução adequada. Ainda há muita gente que se lembra do único voo civil que aterrou naquela Base, o voo onde veio o Papa Paulo VI na sua visita a Fátima em Maio de 1967, e o trabalho que aquilo deu para um único voo.
Tancos é portanto a janela de oportunidade para o Ribatejo Norte, para o Norte Alentejano, para a Beira Baixa e até para a Alta Estremadura.
Tancos, a antiga BA 3 está ali, praticamente sem utilização, mesmo ao lado da A23 e da Linha da Beira Baixa e do Leste, com a cidade Templária de Tomar a meia dúzia de quilómetros, Abrantes a cidade florida, Sardoal e Mação também muito perto, Constância, a Vila Poema, ali ao lado, a Barquinha, seu concelho, com o Parque e o seu histórico Castelo de Almourol, a Golegã dos cavalos também quase encostada, a Chamusca com a sua charneca mas também com o seu Tejo logo a seguir, o Entroncamento, centro nevrálgico dos caminhos-de-ferro logo ali e Torres Novas também com todas as suas potencialidades também tão perto. Mas Alcanena e porque não também Santarém, por um lado, Ferreira do Zêzere, Sertã, Vila de Rei, Gavião e Ponte de Sôr por outro, também beneficiarão com este novo aeroporto civil. Mas também Ourém e Fátima, não se sabe bem porquê, mais viradas para Monte Real, também ficarão muito bem servidas por Tancos.
Tancos tem a seus pés o majestoso Tejo que poderia e deveria servir também de pólo de atracção turística, bem como a Barragem do Castelo de Bode a meia dúzia de quilómetros.
Tancos é pois a janela de oportunidade que deve ser aberta, com ambas as mãos, por todos os autarcas desta região alargada. E não se pode perder tempo se se quiser ver em breve um desenvolvimento sustentado que ajude a ultrapassar a crise que nos rodeia e enleia, aproveitando-se todas as sinergias existentes e as capacidades instaladas, tudo isto sem necessidade de grandes investimentos.
Mas não serão só as Câmaras a dever dar o seu pontapé de saída. Também as Associações empresariais, a começar pela NERSANT, terão uma palavra importante a dizer e uma atitude a tomar.
Se a ideia evoluir, como se deseja e se precisa, esta região alargada passará a ter todas as condições para passar a ser um centro de dinamização do interior, criar emprego e desenvolvimento sustentado, tudo para começar a ver a crise a passar ao lado. Mas se este desafio ficar em águas de bacalhau, amanhã alguém há-de responsabilizar alguém pela inércia e pela incapacidade de abrir esta janela de oportunidade que não se repetirá, e se assim for, longe vá o agoiro, depois não valerá a pena chorar-se pelo leite derramado.
Se os autarcas e os dirigentes associativos entenderem este escrito como um desafio às suas capacidades empreendedoras, acho muito bem que seja assim entendido o que se escreve e que procedam em conformidade.
Todos temos que ter pensamentos positivos.
É muito melhor jogar-se com o optimismo do que com o pessimismo, que não leva a lado nenhum.
Só há que arregaçar as mangas, darem-se as mãos e começar-se a trabalhar.
Temos bases aéreas a mais – Sintra, S.Jacinto, Ota, Figo Maduro….. A base de Tancos devia acolher tidos os activos da base do Montijo e libertar o Montijo para operações civis. Tancos está no centro do país e próximo da principal base Monte Real.