Profissionais de saúde no Centro Hospitalar do Médio Tejo. Foto: DR

Na manhã de sexta-feira houve discussões acesas entre os profissionais de saúde do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), depois de terem recebido instruções para cancelar todas as intervenções cirúrgicas já a partir de 1 de fevereiro, incluindo as consideradas prioritárias, em virtude do agravamento da pandemia de covid-19 e o necessário aumento de camas em Cuidados Intensivos.

A situação motivou um protesto dos Diretores dos Serviços Cirúrgicos e Anestesiologia junto da Administração do CHMT, apurou o mediotejo.net. Os médicos manifestaram a sua preocupação com “as graves consequências para todos os doentes, sobretudo com doenças oncológicas”.

Ao final da manhã, os médicos recebiam um e-mail da diretora clínica do CHMT, Ana Vila Lobos, anunciando a suspensão do seu mandato, por “motivos de doença súbita”, confirmou o mediotejo.net junto da administração do centro hospitalar. Foi substituída no cargo, “para os assuntos correntes iminentemente clínicos”, pelo diretor do Departamento de Anestesiologia e Blocos operatórios, Nuno Franco.

O Conselho de Administração anunciaria ao final do dia que teve em consideração as sugestões dos responsáveis clínicos, conseguindo garantir que se mantenha em funcionamento um bloco de cirurgia em Tomar, para as “cirurgias inadiáveis”.

Noutras fases da pandemia já tinham sido dadas orientações para a suspensão das cirurgias programadas, mas nunca das prioritárias. Neste momento, os hospitais só poderão realizar cirurgias urgentes e aquelas classificadas como “muito prioritárias”, ou seja, que têm de ser realizadas num prazo máximo de três dias, seguindo as ordens contidas num despacho da ministra da Saúde, Marta Temido, determinando que os hospitais do Serviço Nacional de Saúde passem para o nível máximo dos seus planos de contingência de cuidados intensivos até ao final do mês de janeiro.

Ao mediotejo.net, o CHMT explicou que “sendo premente o aumento da capacidade de internamento na Unidade de Cuidados Intensivos”, que neste momento tem apenas 18 camas, “os enfermeiros de Blocos operatórios são aqueles que mais facilmente e com competências técnicas mais diferenciadas podem integrar os Serviços de Medicina Intensiva”, de forma a “permitir aumentar o número de camas” nesta unidade, em Abrantes.

“Até ao final da presente semana o Centro Hospitalar do Médio Tejo tem trabalhado com 5 salas cirúrgicas, duas na Unidade Hospitalar de Tomar e 3 na Unidade Hospitalar de Abrantes, onde também se encontra o Bloco de Partos da Maternidade”, explica a administração. A partir de 1 de fevereiro, “a Unidade Hospitalar de Tomar funcionará com uma sala cirúrgica para cirurgias programadas inadiáveis, mantendo-se a funcionar na Unidade Hospitalar de Abrantes 3 salas cirúrgicas mais o bloco de partos”, adiantou o CHMT ao mediotejo.net, reforçando que “esta capacidade de salas cirúrgicas é bastante superior a muitos hospitais do país que neste momento têm apenas uma, ou no máximo duas salas de cirurgia, que apoia quer cirurgias de urgência quer cirurgias inadiáveis”.

Em relação aos doentes oncológicos, o gabinete da ministra da Saúde esclareceu entretanto que a suspensão das cirurgias não se aplica aos institutos de oncologia (IPO de Lisboa, Coimbra e Porto), que “estão disponíveis para receber os doentes que requeiram cirurgia prioritária durante o período de aplicação do despacho”, reforçando ainda que o adiamento das cirurgias prioritárias nos hospitais do SNS será sempre feito “mediante avaliação clínica e garantia de que o prognóstico” do doente não é afetado. É aqui que pode haver alguma latitude para a intervenção dos médicos, tentando ao máximo assegurar a resposta a doentes não-covid, numa altura em que a pandemia ameaça colocar o SNS à beira do ruptura.

Patrícia Fonseca

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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