Freguesia de Santa Margarida da Coutada tem cerca de 1.600 utentes e debate-se com falta de médicos. Foto arquivo: mediotejo.net

O acesso aos cuidados médicos continua a ser uma dor de cabeça para os autarcas e população da freguesia de Santa Margarida da Coutada (Constância), com um constante vai e vem de profissionais de saúde. Depois de muito batalhar para conseguir ter dois dias de atendimento, o que conseguiu em maio, a médica hoje já não deu ali mais consultas. A solução encontrada passa por um atendimento de seis horas por semana, já partir de terça-feira, 4 de julho, e com uma cara nova. Resta saber por quanto tempo.

A informação foi avançada ao mediotejo.net pelo presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira (PS), que não escondeu a sua revolta pela situação a que o país chegou em termos de cuidados de saúde de proximidade e afirmou estar “desiludido” com o panorama atual e as soluções que não surgem.

“O país está a arder, com concelhos sem um único médico de família, e eu não vejo nada a ser feito para alterar este panorama. Não vejo. A única coisa que se vê todos os dias é extensões a fechar porque não há médicos”, afirmou o autarca, tendo defendido que a resolução do problema deve ser um desígnio nacional.

“A questão da falta de médicos de medicina geral e familiar é algo que deve mobilizar o país e o governo tem de resolver isto. Como a saúde, os serviços de Finanças estão a funcionar apenas com um ou dois funcionários. Isto não é exequível. Não consigo entender isso e nem consigo aceitar isso”, afirmou.

ÁUDIO | SÉRGIO OLIVEIRA, PRESIDENTE CM CONSTÂNCIA:

Constância conta com dois médicos no Centro de Saúde da sede de concelho, que têm conseguido assegurar nos últimos tempos a prestação de cuidados às populações das freguesias de Constância e de Montalvo. O problema tem-se sentido de forma particular na freguesia de Santa Margarida, a localidade mais afastada da sede de concelho, dividida pelo rio Tejo, numa população envelhecida e com pouca mobilidade.

“O concelho passou por dois períodos, sendo que Montalvo esteve quase 10 anos sem cuidados de saúde e as pessoas tinham de se deslocar a Constância. Neste momento a situação na margem norte, quer em Montalvo quer em Constância, está solucionada com duas médicas”, enquadrou Sérgio Oliveira, para referir os problemas em Santa Margarida começaram após a aposentação de uma médica.

“Com a aposentação de uma médica que estava lá há quase 40 anos, temos andado neste impasse do ora vem um médico ora vai-se embora, depois vem outro, e vai-se embora. Nesta fase mais recente tivemos ali uma clínica nos últimos dois/três meses (dois dias por semana) e terminou esta semana (na sexta-feira) a sua prestação de serviços ali porque vai trabalhar para outra unidade de saúde”, explicou o autarca, dando conta da preocupação com a saída da profissional e das insistências junto das autoridades de saúde para encontrarem uma solução para o problema.

“E recebi um email a dizer que a partir de terça-feira (4 de julho) vamos ter ali um profissional mas apenas durante seis horas por semana. Não é o ideal mas é melhor termos isto do que nada”, suspirou.

Extensão de Saúde de Santa Margarida, em Constância

Depois de estar sem qualquer médico desde o dia 1 de abril, o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Médio Tejo conseguiu a contratação, a tempo parcial, de uma médica em regime de prestação de serviços, no dia 4 de maio, para a Extensão de Saúde de Santa Margarida da Coutada. Dois meses depois, saiu.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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