Mais de 35 mil clientes continuam sem energia elétrica em Portugal na sequência das recentes tempestades, revelou na terça-feira, na Sertã, o ministro das Infraestruturas e Habitação. Miguel Pinto Luz participou no briefing da Comissão Municipal de Proteção Civil para acompanhar a resposta aos danos que, desde 28 de janeiro, afetaram o concelho e deixaram um rasto de destruição em infraestruturas, habitações e explorações agrícolas.
Carlos Miranda, presidente da Câmara da Sertã começou por fazer o ponto de situação do concelho, vivido desde o dia 28 de janeiro, elencando as prioridades que estiveram no terreno: “A primeira prioridade foi abrir estradas para chegar a todas as freguesias e aldeias do concelho” para que ninguém ficasse isolado.

Seguiu-se o atendimento “de situações sociais” com o apoio ao grande número de casas destelhadas e, desde então, a reposição de energia elétrica, que desde o primeiro momento tem estado a funcionar em paralelo.
“Neste momento temos 280 dos 283 postos de transformação abastecidos, com recurso à rede elétrica ou geradores”, expôs o edil, completando que, a partir de agora, o trabalho mais moroso será a reposição de postes de baixa tensão que apresenta um “grau de destruição absolutamente brutal”.
“Temos estado sempre em contacto com a E-Redes, e temos equipas do Município e das Juntas de Freguesia a prestar apoio no terreno, para que o trabalho se possa adiantar cada vez mais”, declarou.


Sobre a reposição de energia elétrica, Miguel Pinto Luz reforçou a complexidade deste trabalho, recordando que, em Portugal, à data de hoje, ainda existem mais de 35 mil clientes sem energia elétrica em suas casas. “Parecem poucos, mas é quase uma linha para uma casa, o que levará muito tempo”, reforçou.
Sobre o problema nas comunicações, Carlos Miranda assumiu não ter dados para partilhar com a população visto que, até hoje, em momento nenhum conseguiu contactar com responsáveis das operadoras de telecomunicações e, neste sentido, nunca lhe foi comunicado qualquer ponto de situação relativo às reparações no terreno.
O Ministro das Infraestruturas adiantou, no entanto, que as equipas têm estado no terreno e que, à semelhança do que sucedeu com a energia elétrica, a destruição causada pelas tempestades e a complexidade das ligações dificulta a operação e a sua reposição.

Foi ainda feito um levantamento de todos os danos causados por todo o concelho da Sertã, desde edifícios municipais, a estradas rodoviárias, assim como os estragos em terrenos agrícolas, habitações e empresas.
Miguel Pinto Luz realçou a necessidade de todos os afetados comunicarem os seus prejuízos, com a maior brevidade e detalhe possível, nomeadamente através dos formulários disponibilizados pela CCDRCentro.
O governante mostrou-se ainda preocupado com a gestão de combustível fino existente nas florestas.
“Agora estamos numa fase de emergência, vamos entrar na fase da reconstrução, mas não podemos esquecer a próxima emergência”, nomeadamente dos fogos florestais. Carlos Miranda partilhou a preocupação, afirmando que o município da Sertã vai investir nesse aspeto.
Após a participação no briefing, o governante visitou as instalações de uma empresa do sector florestal cujas instalações foram afetadas pela intempérie.
O município da Sertã reforçou o apoio social com a distribuição de bens de primeira necessidade à população que se encontra em situação social urgente causada pela passagem da depressão Kristin pela região.
“O município da Sertã, através das Juntas de Freguesia e da Cáritas Paroquial da Sertã, está a prestar apoio à população afetada com a disponibilização de bens de primeira necessidade, nomeadamente bens alimentares, fraldas, produtos de higiene, vestuário, entre outros”, anunciou a Câmara Municipal.
Trata-se de uma resposta a situações sociais urgentes. Os pedidos de apoio devem ser feitos junto da respetiva Junta de Freguesia, que atuará em articulação com a Cáritas Paroquial da Sertã.
“Os pedidos de apoio serão encaminhados para o setor de Ação Social, a fim de avaliar a continuidade da respetiva situação”.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
