Chuva persistente em fevereiro provocou muitos aluimentos de terras com parte do troço da EN2 cortado ao trânsito em Abrantes. Hoje, seis meses depois, circula-se apenas numa via, em sentido alternado. Foto: arquivo JM

A Infraestruturas de Portugal (IP) vai investir 18,37 milhões de euros na recuperação de danos provocados pelas intempéries do início do ano em estradas do distrito de Santarém, com os trabalhos previstos arrancar em setembro, informou a empresa.

A intervenção vai abranger diferentes locais de 31 estradas nacionais e itinerários complementares, incluindo vias nos concelhos afetados pelos fenómenos meteorológicos extremos registados no início de 2026, indicou a IP à Lusa.

As empreitadas, designadas “IPOA – Intervenção em Pavimentos e Obras Acessórias – Intempéries 2026”, destinam-se ao restabelecimento das condições de exploração da rede rodoviária afetada e contemplam, consoante as necessidades identificadas, a reabilitação de pavimentos, estabilização de taludes, beneficiação de sistemas de drenagem e outras intervenções necessárias à reposição das condições normais de circulação.

No distrito de Santarém, os trabalhos abrangem a EN243, EN365-4, EN118, EN119, EN10, EN251, EN367, EN114-3, EN114, EN114-2, IC10, EN365-2, EN3, EN238, EN110, EN110-5, EN113, EN349, EN349-3, EN358-1, EN358, EN3-12, EN244-3, EN244, EN241-1, EN359, EN351, EN2, IC3, EN361, EN362 e IC2.

A IP não especificou, na resposta à Lusa, a distribuição do investimento de 18,3 ME por cada uma das estradas ou os calendários das intervenções individualizadas, indicando apenas que o início dos trabalhos está previsto para setembro deste ano.

As intervenções integram o programa de recuperação dos danos provocados pelas “Intempéries 2026”, estruturado pela IP em três fases complementares: reação de emergência, restabelecimento das condições de exploração e reconstrução da infraestrutura.

A empreitada agora anunciada enquadra-se na segunda fase, destinada ao restabelecimento das condições de exploração da rede afetada, explicou a empresa pública.

A resposta da IP surge depois de o Governo ter autorizado, no início de agosto, uma despesa de 79,7 ME, acrescida de IVA, para intervenções em estradas danificadas pelas tempestades de janeiro e fevereiro nos distritos de Leiria, Santarém, Aveiro, Lisboa, Coimbra e Castelo Branco.

Do total autorizado, 21,2 ME estão previstos para 2026, 51,3 ME para 2027 e 7,1 ME para 2028, cabendo ao distrito de Santarém a terceira maior parcela, com 18,3 ME para o período de três anos.

No final de julho, a IP tinha indicado à Lusa que, seis meses após a tempestade Kristin, tinha resolvido 56 das 57 interrupções registadas na rede rodoviária nacional no distrito de Santarém, mantendo-se apenas interrompida, de forma total, a EN243, no concelho de Alcanena.

A reabertura daquele troço, entre os quilómetros 28,704 e 31,325, estava, então, prevista para o quarto trimestre deste ano, após uma empreitada de estabilização de taludes orçada em cerca de 150 mil euros, cujo arranque deveria ocorrer em agosto.

Entre as principais intervenções já identificadas pela IP encontravam-se também a estabilização do talude da EN2, em Abrantes, a recuperação de um troço da EN114 e a beneficiação do pavimento da EN118 entre Tramagal e Rossio ao Sul do Tejo, igualmente em Abrantes.

A intervenção na EN114 representa cerca de 1,5 ME, enquanto a estabilização do talude da EN2, na zona de Espinhaço de Cão, está orçada em 1,3 ME. Na EN118, entre os quilómetros 128 e 134, estava previsto um investimento superior a 500 mil euros.

(A IP tinha então indicado que continuava a compilar informação sobre outras obras relacionadas com os danos provocados pela tempestade no distrito de Santarém, não estando concluído o levantamento global dos investimentos associados).

No conjunto do território continental, as depressões Kristin, Leonardo e Marta atingiram Portugal em três semanas a partir do final de janeiro, provocando pelo menos 19 mortos, várias centenas de feridos, desalojados e deslocados, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.

Segundo dados divulgados pelo Governo, mais de 35 mil habitações foram afetadas, mais de um milhão de pessoas ficaram sem eletricidade e cerca de meio milhão de clientes ficaram sem telecomunicações, tendo os prejuízos estimados ultrapassado 5,3 mil milhões de euros.

c/Lusa

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