Em declarações ao mediotejo.net, o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, entidade que opera em 11 municípios, disse que a tempestade Kristin provocou, até às 07:00 de hoje, 610 ocorrências no Médio Tejo, envolvendo 677 veículos e mobilizando 2.264 operacionais, com quedas de árvores, estruturas danificadas, inundações e falhas prolongadas de energia e água.
Devido à situação decorrente da destruição causada pela passagem da depressão Kristin, oito dos 11 municípios da sub-região — Sardoal, Tomar, Ourém, Ferreira do Zêzere, Abrantes, Mação, Vila Nova da Barquinha e Torres Novas — têm hoje os planos municipais de emergência ativados, a par do plano distrital de Santarém, indicou David Lobato.
Segundo o comandante da Proteção Civil do Médio Tejo, os principais constrangimentos mantêm-se em Ourém e Ferreira do Zêzere, onde subsistem zonas inacessíveis, e no norte de Abrantes, onde a falta de energia afeta diretamente o abastecimento de água.
“É uma situação de catástrofe e de calamidade. São muitos quilómetros de fio e postes no chão. Estamos dependentes do trabalho da E-Redes e a reposição vai ser lenta”, afirmou.
A sub-região conta com 11 grupos de desobstrução vindos de Lisboa, Alto Alentejo, Península de Setúbal e Lezíria do Tejo, além de brigadas de sapadores florestais, equipas da Segurança Social e meios das Forças Armadas, concentrados sobretudo em Ourém, Ferreira do Zêzere, Torres Novas, Tomar e Mação.

As falhas de eletricidade, que em alguns locais ultrapassam já as 48 horas, estão a ter impacto direto no abastecimento de água e nas condições de habitabilidade, afetando aldeias e zonas dispersas em concelhos como Abrantes, Ourém, Ferreira do Zêzere e Vila Nova da Barquinha, obrigando municípios e proteção civil a recorrer a geradores para garantir serviços mínimos, sobretudo em lares e instituições similares, num trabalho articulado com a Segurança Social e os serviços municipais de ação social para identificar necessidades, apoiar populações vulneráveis e mitigar os efeitos conjugados da falta de eletricidade, água e comunicações.
Dados mais recentes apontam para 16 deslocados e quatro desalojados em Ourém, três deslocados em Tomar, quatro desalojados em Torres Novas e 11 deslocados em Ferreira do Zêzere. Em Mação, 37 pessoas ficaram sem condições de habitabilidade em 29 casas, estando todas realojadas.
“A noite foi bastante mais calma, continuámos a desimpedir vias, mas foi mais tranquila”, acrescentou David Lobato.
Em simultâneo, a Proteção Civil mantém a atenção na evolução das cheias na bacia do Tejo, com o plano especial em alerta amarelo, o segundo mais elevado de uma escala de quatro.
Os caudais registados hoje na estação de Almourol, em Vila Nova da Barquinha, aproximam-se dos 3.000 metros cúbicos por segundo, valor que, segundo David Lobato, faz “disparar os alertas” e poderá agravar-se com a chuva prevista para os próximos dias e o contributo das descargas das barragens espanholas.
Entre os principais pontos afetados estão a estação de canoagem de Alvega, em Abrantes, o cais de Almourol, em Tancos, já submerso, o parque de estacionamento e a zona ribeirinha de Constância, a par de dezenas de estradas e vias submersas no distrito.

A Proteção Civil apela à população para evitar as margens do rio e não atravessar estradas inundadas, alertando que a previsão de chuva para o fim de semana e próxima semana pode agravar o cenário.
Na quinta-feira, a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo pediu ao Governo apoios extraordinários no âmbito da situação de calamidade, alegando que a dimensão dos danos ultrapassa a capacidade de resposta das autarquias.
O Médio Tejo agrega 11 municípios do distrito de Santarém — Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha. Só Alcanena, Constância e Entroncamento não acionaram o plano municipal de emergência.
O Governo decretou situação de calamidade até 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios do país, após a passagem da depressão Kristin, que causou pelo menos cinco mortos, milhares de ocorrências e deixou ainda centenas de milhares de clientes sem energia.
c/LUSA
