A ministra da Cultura revelou no dia 4 de fevereiro, no Convento de Cristo, em Tomar, que a depressão “Kristin” já havia provocado danos em mais de 50 monumentos nacionais, estimando o Governo a necessidade de cerca de 20 milhões de euros para intervenções de recuperação.
“O último levantamento que temos são mais de 50 monumentos nacionais com danos provocados pela tempestade ou pelos efeitos da precipitação muito intensa que se seguiu”, afirmou Margarida Balseiro Lopes, indicando que esta lista “pode crescer nos próximos dias”, à medida que o levantamento prossegue no terreno pelas equipas da Museus e Monumentos de Portugal e do Património Cultural – Instituto Público.
Segundo a governante, “estimamos que sejam necessários cerca de 20 milhões de euros que já estão reservados precisamente para essas intervenções”, admitindo reforços através do Fundo de Salvaguarda do Património Cultural, caso surjam novas necessidades.




Em Tomar, a ministra sublinhou que o Convento de Cristo é “um dos equipamentos culturais mais afetados”, razão pela qual iniciou ali o périplo para inteirar do grau de destruição ocorrido, e que inclui ainda uma passagem por Ourém e Batalha.
Só em Tomar, a destruição da Charolinha da Mata dos Sete Montes, antiga Cerca Conventual, e os danos no Convento de Cristo deverão ultrapassar 750 mil euros.





“A Charolinha foi completamente destruída. Partes caíram dentro de água e será necessário um trabalho muito cuidadoso de drenagem e recuperação das peças para permitir a sua reconstrução”, descreveu, apontando para um prazo de “provavelmente um ano”.
Questionada sobre custos, detalhou: “Será sempre mais de meio milhão de euros para a Charolinha”. Já para o Convento de Cristo, a estimativa preliminar apontada pela Museus e Monumentos é de cerca de 250 mil euros.

ÁUDIO | MINISTRA DA CULTURA, MARGARIDA BALSEIRO LOPES:
A ministra destacou ainda a resposta imediata das equipas do monumento. “Partiram-se vitrais e havia chuva a entrar. As equipas conseguiram em poucas horas encontrar uma solução para evitar que os danos fossem ainda maiores”, afirmou.
O presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão, por sua vez, descreveu um cenário “devastador” na Mata dos Sete Montes, contígua ao Convento.

“Olhar para lá e ver aquilo é devastador, só árvores tombadas. A charolinha ficou totalmente destruída. Tivemos de fechar a mata ao público, porque há muitas árvores instáveis”, afirmou, referindo ainda que a zona permanece muito encharcada e com risco de novas quedas.




Também a diretora do Convento de Cristo, Andreia Galvão, que acompanhou a ministra na visita, explicou que o monumento classificado como Património da Humanidade registou a destruição de um vitral e o desprendimento de duas gárgulas, sublinhando que o maior impacto resultou da queda de árvores centenárias.
O Convento de Cristo está encerrado ao público desde 28 de janeiro e só reabrirá após asseguradas todas as condições de segurança. A Mata dos Sete Montes, gerida pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, permanece também encerrada por razões de segurança.
A charolinha quinhentista, usada como “casa de fresco” pelos monges, ficou reduzida a ruínas, arrastada pela queda das árvores que também provocaram danos no aqueduto ali existente.
A ministra assegurou que a Charolinha será reconstruída e receberá toda a atenção necessária para recuperar a sua integridade, com financiamento assegurado e trabalhos no terreno assim que as condições o permitirem, tendo a governante apontado para a previsão de um ano para a sua recuperação integral, num trabalho que será muito técnico e minucioso.
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