Sardoal contabiliza necessidade de investimentos superiores a 10 ME para recuperar dos danos provocados por depressão Kristin. Foto: CMS

Sardoal continua a recuperar dos estragos provocados pela tempestade Kristin, cinco meses após a intempérie, mantendo como principal preocupação as derrocadas na antiga Estrada Nacional 2 (EN2), cujo custo de reparação poderá ultrapassar os quatro milhões de euros.

“Não diria que estamos a tentar recuperar, estamos a trabalhar no sentido de resolver pelo menos aqueles prejuízos que conseguimos acudir com os nossos meios e tentar restabelecer a normalidade”, disse à Lusa o presidente da Câmara de Sardoal, Pedro Rosa.

A tempestade Kristin atingiu o concelho a 28 de janeiro, provocando danos em infraestruturas municipais, coletividades, património cultural, instituições particulares de solidariedade social (IPSS) e freguesias, num prejuízo inicialmente estimado em 4,76 milhões de euros (ME) e com um custo de reposição que o município admitiu poder atingir 10,48 ME.

Cinco meses depois, Pedro Rosa afirmou que a maioria das intervenções mais urgentes foi executada ou está em curso, mas admitiu que a recuperação integral do território será um processo prolongado.

Segundo o autarca, a principal preocupação continua a centrar-se nas duas derrocadas registadas na antiga EN2, junto a Andreus e entre São Domingos e o Penedo Furado, esta última mantendo a circulação encerrada devido ao risco associado.

“Estamos neste momento na fase de projeto. Quando tivermos a orçamentação concreta teremos de perceber como vamos financiar este investimento e bater a outras portas, se for necessário”, afirmou, relativamente a dois troços sob tutela do município.

Pedro Rosa admitiu que a reparação daqueles troços poderá representar um investimento muito superior aos prejuízos inicialmente contabilizados, apontando que o custo das obras poderá atingir vários milhões de euros, sendo a comparticipação expectável na ordem dos 50%..

O município recebeu até hoje cerca de 540 mil euros através da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), verba que está a ser utilizada para apoiar parte das intervenções em curso, a vários níveis.

Contudo, o presidente da câmara disse continuar sem indicações concretas sobre os mecanismos de apoio destinados a associações, juntas de freguesia e entidades ligadas ao património cultural e religioso que também sofreram danos.

“Esperamos perceber de que forma estas instituições poderão ser ajudadas a superar os prejuízos que tiveram”, declarou, tendo feito notar que, no entanto, “várias situações já foram resolvidas ou mitigadas”.

Segundo o autarca, os caminhos florestais afetados pela queda de árvores encontram-se praticamente desobstruídos, as zonas de lazer mais atingidas recuperaram grande parte da normalidade e os prejuízos registados em edifícios de juntas de freguesia, cemitérios e equipamentos locais estão reparados ou em fase de conclusão.

Na zona de lazer da Lapa, os trabalhos permitiram reabrir o espaço ao público, enquanto na zona da Rosa Mana, na freguesia de Alcaravela, decorrem intervenções para remover detritos acumulados e restabelecer integralmente as condições de utilização.

Apesar destes avanços, subsistem danos em muros de suporte, linhas de água e infraestruturas rodoviárias, que continuam a exigir intervenções faseadas.

O autarca alertou igualmente para problemas persistentes nas redes de telecomunicações, referindo a existência de postes derrubados e troços de cabos ainda por repor.

“Há aqui um problema muito grande nas telecomunicações. É preciso encontrar soluções para evitar que voltem a existir falhas como as que tivemos”, sustentou.

Pedro Rosa admitiu que o esforço de recuperação tem obrigado o município a mobilizar recursos financeiros e humanos adicionais, embora sem necessidade, para já, de cancelar iniciativas previstas no plano anual de atividades.

“Estamos a gerir os recursos que temos, recorrendo também à antecipação de verbas para fazer face às necessidades de tesouraria”, explicou.

Questionado sobre o horizonte temporal da recuperação, o presidente da câmara foi cauteloso.

“Em algumas dimensões esta recuperação não vai durar um ano nem dois, vai durar muito mais”, afirmou.

O autarca destacou ainda a resposta da população, das empresas e das entidades locais durante e após a tempestade.

“A mensagem que tenho a deixar é de agradecimento pela forma como as pessoas reagiram e ajudaram quem estava ao seu lado. Essa solidariedade tornou tudo isto mais suportável”, declarou.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metades das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.

c/Lusa

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

Leave a Reply