CIM Médio Tejo aponta infraestruturas e telecomunicações entre problemas por resolver seis meses depois das intempéries. Foto: CIM

O presidente da CIM Médio Tejo, Manuel Jorge Valamatos, afirmou hoje que a sub-região, que agrega 11 municípios, entrou numa fase de “recuperação e consolidação”, considerando repostas as condições essenciais à vida das populações, embora subsistam intervenções prioritárias por concluir.

“Estamos numa fase de recuperação e consolidação dessa recuperação. Aquilo que era o essencial da vida da comunidade está, de uma forma geral, ultrapassado”, afirmou o também presidente da Câmara de Abrantes, referindo-se à reposição das habitações permanentes, do abastecimento de água, da energia e das comunicações.

A tempestade Kristin provocou, no final de janeiro, danos generalizados, cortes de energia e falhas nas comunicações, coincidindo com um período de precipitação intensa e cheias no Tejo que agravaram os prejuízos em vários concelhos do Médio Tejo.

Segundo o presidente da CIM, os maiores impactos da tempestade verificaram-se em Ourém, Ferreira do Zêzere e Tomar, enquanto as cheias atingiram sobretudo os municípios ribeirinhos do Médio Tejo, designadamente Abrantes, Constância, Mação e Vila Nova da Barquinha.

Seis meses depois, o principal constrangimento continua a verificar-se na recuperação da rede viária, sobretudo em estradas municipais e em algumas vias nacionais ainda por intervencionar, além de pontões e taludes danificados.

O presidente da CIM apontou igualmente fragilidades persistentes nas redes de telecomunicações, considerando que as operadoras continuam sem repor totalmente as infraestruturas afetadas.

“Existem muitas situações de linhas de comunicações que estão caídas, e ainda muitos postes que suportam as linhas de comunicação que estão em baixo”, afirmou, defendendo igualmente o reforço da resiliência das redes elétricas e das infraestruturas críticas.

Manuel Jorge Valamatos destacou ainda o trabalho desenvolvido pelo Subcomando Regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, considerando que a articulação entre municípios, Governo e restantes entidades “foi muito eficaz” durante a resposta à crise.

Presidente da CIM Médio Tejo destacou o trabalho desenvolvido pelo subcomando Regional de Emergência e Proteção Civil Foto: mediotejo.net

Relativamente aos apoios públicos, Manuel Jorge Valamatos reconheceu que a resposta às habitações permanentes evoluiu positivamente, mas sustentou que continuam a faltar mecanismos financeiros para apoiar a recuperação integral dos municípios e das empresas mais afetadas.

“O que queremos é que rapidamente possam ser reforçados os apoios financeiros ou que abram rapidamente linhas, sobretudo de programas europeus, capazes de fazer face à destruição”, afirmou.

O responsável defendeu ainda que os prejuízos provocados pelas cheias merecem um apoio semelhante ao mobilizado para responder aos danos causados pela tempestade Kristin, manifestando expectativa de que futuros instrumentos financiados por fundos europeus possam comparticipar parte das intervenções ainda em falta.

Para o presidente da CIM, os acontecimentos dos últimos meses reforçaram a necessidade de adaptar o território a fenómenos meteorológicos extremos, através de infraestruturas mais resilientes. Segundo o autarca, as futuras intervenções em estradas, pontões e redes de telecomunicações terão de incorporar soluções construtivas mais robustas para reduzir o impacto de situações semelhantes.

“Temos de nos preparar para responder melhor a futuros episódios desta natureza do que há seis meses”, afirmou.

Como principal ensinamento, Manuel Jorge Valamatos destacou a solidariedade demonstrada entre municípios, instituições e populações durante a resposta à crise, defendendo que a recuperação deve agora ser acompanhada por investimentos que reforcem a capacidade de resposta do território a futuros eventos extremos.

Abrantes ainda aguarda apoios e mantém intervenções por concluir após Kristin e cheias

Em Abrantes, município a que também preside, Manuel Jorge Valamatos traça um retrato semelhante ao do conjunto do Médio Tejo. Seis meses após a tempestade Kristin e as cheias que afetaram o concelho, persistem intervenções por concluir em infraestruturas, estradas, telecomunicações e espaços públicos, enquanto o município continua a aguardar por mais apoios financeiros do Estado.

Segundo o autarca, as cheias acabaram por provocar “ainda maior destruição” do que a própria tempestade Kristin, sobretudo no espaço público, defendendo que, ultrapassada a fase mais crítica da resposta à depressão, é agora tempo de o Governo centrar atenções nos danos provocados pelas inundações.

“Estamos num momento importante, estamos a dialogar com os membros do Governo e queremos que algumas situações em estradas nacionais possam ser resolvidas urgentemente, porque impactam de forma muito forte diariamente na vida da nossa comunidade e da região”, afirmou, apontando como prioridades intervenções na EN2 e na EN118, apelando a uma resposta célere da Infraestruturas de Portugal.

Manuel Jorge Valamatos disse ainda que o município contabilizou prejuízos superiores a 16 milhões de euros, mas que, até ao momento, recebeu apenas um milhão de euros de apoio por parte do Estado, valor que considera “muito aquém” das necessidades.

“Continuamos a insistir e a promover reuniões com os diferentes ministérios para conseguirmos rapidamente ultrapassar esta dificuldade”, afirmou.

Entre as intervenções ainda pendentes, o presidente da Câmara apontou obras em estradas, taludes, parques infantis, equipamentos de lazer, iluminação pública e outras infraestruturas municipais, além de problemas que continuam por resolver nas redes de telecomunicações e em estradas nacionais, áreas que não dependem diretamente da autarquia.

Quanto ao ponto de situação da recuperação, Manuel Jorge Valamatos considera que Abrantes regressou, “de uma forma geral”, à normalidade, embora com condicionamentos na rede viária, nas comunicações e na utilização de alguns espaços públicos.

Abrantes ainda aguarda apoios e mantém intervenções por concluir após Kristin e cheias. Foto: DR

“Respondemos àquilo que era absolutamente essencial para o dia a dia e agora estamos a entrar numa fase de consolidação”, afirmou, defendendo que os projetos de reconstrução devem incorporar soluções mais resilientes para reduzir o impacto de futuros fenómenos meteorológicos extremos.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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