A Casa-Memória de Camões, em Constância, acolheu uma palestra com o professor Vítor Serrão, no âmbito das Pomonas Camonianas, e a apresentação do livro “Camões Altos Cumes, Scabelicastro e Correlatos”, da autoria de Vítor Serrão e Mário Rui Silvestre, camonistas e estudiosos da vida e obra do porta maior.
A iniciativa pretendeu celebrar Luís Vaz de Camões e assinalar os seus desterros no Ribatejo. Os camonistas Vítor Serrão e Mário Rui Silvestre, autores de um recente livro sobre Camões, foram à Casa-Memória, que normalmente se encontra fechada, tendo tecido críticas ao governo central por tal facto.
Este é um dos problemas já assinalados pela Associação Casa-Memória de Camões; a necessidade de recursos humanos e apoios financeiros para que a Casa possa funcionar com regularidade, como referiu o presidente da direção, Máximo Ferreira, no dia 10 de junho, no discurso de encerramento das Pomonas Camonianas.
A Casa junto àquele « manso Tejo, e tu, florido prado/ Do mais passado, enfim, que aqui não digo…» (in Écloga I, ed. 1595).

De acordo com Mário Rui Silvestre “o que Camões não diz, e os portugueses terão que denunciar, é que o poeta de Portugal continua encerrado na sua Casa-Memória, junto ao Tejo, defronte da qual colocaram, há décadas, uma fábrica que não deixa inspirar os poetas e, em certos dias, respirar os habitantes e turistas de Constância”.
Mário Rui Silvestre e Vitor Serrão falaram sobre o seu livro “Camões Altos Cumes, Scabelicastro e Correlatos” na Casa-Memória de Camões, no âmbito das Pomonas Camonianas e do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

«Senhor João Lopes, o meu baixo estado/ Ontem vi posto em grau tão excelente/ Que vós que sois inveja de toda a gente/ Só por mim vos quiséreis ver trocado…» ( in Sonetos de Camões, ed. 1616). Isto diz, em verso, o poeta ao amigo João Lopes Leitão, fidalgo, neto de Dona Guiomar Freire e Bernardim de Almeida, filho do 2º conde de Abrantes e terceiro marido dela, moradores em Constância.
O neto de ambos, recipiendário deste soneto, foi um dos maiores amigos do genial autor de «Os Lusíadas» (como o foi Fernão Álvares do Oriente, alumbrado trovador do Nabão, que dizem enterrado em Constância) a quem dedicou também um soneto, o João, dos raros que Camões recebeu naquele século. «Quem é este que na harpa Lusitana/ Abate as musas gregas e latinas? Camões é…».
O poeta de Portugal agradece-lhe com este soneto, o conhecido « Banquete das Trovas», e mais três redondilhas jocosas à faceta de apaixonado conquistador de damas do João, que um dia entrou sem licença no quarto reservado delas no Terreiro do Paço, e foi preso por isso.
Preso várias vezes foi também Luís Vaz de Camões, por erros seus, má fortuna, amor ardente. Foi, e ainda está, em Constância, fechado há 50 anos na Casa-Memória, junto ao Tejo, “porque o Estado português, que não sabe Arte nem a estima, prefere dar o dinheiro e apoios aos amigos do costume, entre os quais não consta o Poeta do Povo e da Pátria, celebrado em todo o mundo”, refere ainda Mário Rui Silvestre.
A 10 de junho de 1580 morreu, na mais absoluta pobreza, Luís Vaz de Camões.

