10 Junho: Marcelo discursa hoje em Pedrógão Grande pela nona vez nesta data. Foto: Lusa

O Presidente da República discursa hoje em Pedrógão Grande, distrito de Leiria, pela nona vez numa cerimónia militar comemorativa do Dia de Portugal, data em que tem elogiado o povo português, falando numa pátria de caráter universal. Marcelo Rebelo de Sousa escolheu para palco destas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas três concelhos do distrito de Leiria afetados pelos incêndios de 2017 – Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera – e Coimbra, onde terão hoje início as celebrações dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões.

Há um ano, a cerimónia militar do 10 de Junho foi também no interior do país, no Peso da Régua, distrito de Vila Real, onde o chefe de Estado afirmou a ambição de que os “interiores sejam tão importantes quanto as Lisboas, os Portos, os Setubais” e outras cidades do litoral, “iguais na lei, iguais na esperança do futuro”.

Nessa ocasião, como em anos anteriores, fez um discurso de exaltação do povo português, que descreveu como povo de caráter universal, espalhado pelo mundo e com vocação para fazer pontes.

“É de pasmar, para tão pequeno território terrestre e tão reduzida população, temos um peso no mundo muito, muito maior de longe do que o nosso território terrestre”, considerou.

“Mas, pergunto: de que nos serve termos essa influência mundial se entre portas sempre tivemos e temos problemas por resolver: mais pobreza do que riqueza, mais desigualdade do que igualdade, mais razões para partir, às vezes, do que para ficar?”, questionou.

Marcelo Rebelo de Sousa pediu que não se desista de “criar mais riqueza, mais igualdade, mais coesão” no país, começando de novo, se preciso, e defendeu que para isso há que cortar “ramos mortos que atingem a árvore toda”.

Este ano, havendo iniciativas dispersas por vários lugares, o Presidente da República optou por não nomear uma comissão organizadora do 10 de Junho, que é normalmente presidida por uma personalidade ligada à sede das comemorações.

O chefe de Estado seguirá depois para a Universidade de Coimbra, onde visitará uma exposição camoniana na Biblioteca Joanina, às 17:30, e participará na cerimónia inaugural evocativa dos 500 anos de Camões, às 18:00, seguida de um espetáculo musical, às 21:30, no Pátio das Escolas.

Comemorações dos 500 anos de Camões arrancam hoje com programação até 2026

As comemorações do V centenário do nascimento de Luís de Camões arrancam oficialmente hoje, dia em que se assinala também o aniversário da sua morte, estando prevista uma programação que se estenderá até 10 de junho de 2026. Na região, Constância assinala os 500 anos do nascimento de Camões com uma recriação histórica e as Pomonas Camonianas, com deposição de coroa de flores junto à estátua do poeta.

Constância tem uma arreigada ligação ao poeta, onde terá vivido durante algum tempo. Foto: Ricardo Escada

Do programa das comemorações nacionais, comissariado pela professora, investigadora e especialista na obra de Luís de Camões Rita Marnoto, fazem parte espetáculos para teatro e cinema, iniciativas de comunicação através das redes digitais, programas para televisão e exposições.

Estão também previstas publicações especiais, um concurso escolar para professores e alunos, bem como ações de formação, segundo a programação apresentada pelo Ministério da Cultura na passada quarta-feira.

Entre as iniciativas para teatro e cinema, contam-se a representação da comédia “Filodemo”, em parceria com o Teatro Nacional D. Maria II, a elaboração de um breve filme de animação sobre a vida de Camões para os primeiros ciclos do ensino básico, e contratação de peças sobre o mesmo tema para apresentar em escolas.

Está prevista igualmente a realização de um ciclo de debates na Cinemateca Portuguesa sobre Camões, que terão por base os encontros da Biblioteca Nacional de Portugal e a colaboração com o Instituto do Cinema e do Audiovisual.

No âmbito da televisão, serão estabelecidas parcerias para leitura regular de poemas de Camões, será criado um programa em parceria com a RTP2 sobre o poeta e um documentário sobre a iconografia camoniana.

Será organizada uma grande exposição na Biblioteca Nacional de Portugal, intitulada “Revisitar Camões”, e exposições bibliográficas, uma itinerante para as escolas do 2.º e 3.º ciclos dos ensinos básico e secundário, e outra em parceria com o Instituto Camões, que percorrerá Goa, Macau, a Ilha de Moçambique e outros pontos do mundo onde se ensina a língua portuguesa.

No que respeita a publicações, há um plano especial de edições que inclui a reedição de livros e a publicação de inéditos, pela Biblioteca Nacional de Portugal, em parceria com a Imprensa Nacional Casa da Moeda.

As redes digitais vão desempenhar também um papel importante nestas celebrações, com a criação de uma plataforma de informação e acesso a conteúdos camonianos, a elaboração de um audiolivro de “Os Lusíadas” e da “Lírica de Camões” para distribuir pela rede escolar, em ficheiro de acesso livre, e a produção de uma série de 12 ‘podcasts’ sobre Camões, tendo cada episódio um convidado diferente.

c/LUSA

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Agência de Notícias de Portugal

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