Manuel Mourato (PS) na cerimónia de tomada de posse como presidente da Câmara da Barquinha. Foto: CMVNB

O auditório do Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha recebeu, na manhã de sábado, a sessão solene de instalação dos órgãos autárquicos eleitos nas últimas eleições.

Na Câmara Municipal tomou posse como presidente Manuel Mourato (PS), sucedendo a Fernando Freire, que deixou o cargo após três mandatos consecutivos. O executivo fica composto pelos vereadores Marina Honório (PS), Tatiana Horta (Chega), Henrique Fortunato (Chega) e Paula Silva (PSD).

Na Assembleia Municipal, António Augusto Ribeiro (PS) foi eleito presidente, com José Proença Salvado (PSD) como 1.º secretário e Maria de Fátima Martins (PS) como 2.ª secretária. A mesa foi eleita por lista única, aprovada com 12 votos a favor, quatro em branco e um nulo.

Apesar da vitória, o PS não alcançou a maioria no executivo municipal, tendo Manuel Mourato sido eleito novo presidente da Câmara Municipal com 31,64% dos votos (2 mandatos). O Chega foi a grande surpresa nestas eleições, tendo conquistado 29,14% e elegendo dois vereadores, enquanto o PSD garantiu um vereador, com 14,73% dos votos.

Em declarações ao mediotejo.net, no dia da tomada de posse, Manuel Mourato afirmou que o momento representa o culminar de um percurso iniciado em 2017 e sublinhou o sentido de responsabilidade associado ao cargo.

“Para mim é um ciclo que se iniciou em 2017 e que chega agora ao cimo da carreira autárquica. Como presidente significa honra e também responsabilidade, muita responsabilidade para levar por diante os destinos da Barquinha”, afirmou.

O autarca garantiu que as prioridades do novo executivo passam por educação, saúde, dinamização económica e investimento local.

“As medidas prioritárias são cumprir o programa eleitoral que apresentámos aos nossos eleitores. Temos três ou quatro áreas fundamentais, alinhadas com a educação, a saúde, o tecido económico e o investimento no concelho”, referiu.

Sobre a gestão do município, Mourato reconheceu a necessidade de diálogo entre forças políticas, mas traçou limites claros:

“É necessário haver compromissos, é necessário estabelecermos pontes para conseguirmos levar por diante o nosso programa”, disse, acrescentando de seguida que “nunca haverá pontes com o Chega. Eu defini isso desde o início. Aliás, isso foi patente nos debates que existiram.”

Manuel Mourato (PS) tomou posse como presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha. Foto: mediotejo.net

O novo presidente deixou ainda uma mensagem aos munícipes: “Contem comigo, contem com o futuro. Estou cá para trabalhar, para servir e não para me servir.”

A vereadora Paula Silva (PSD) assumiu que o papel do partido será determinante na gestão do executivo, face à ausência de maioria absoluta.

“Penso que o fiel da balança somos desde há quatro anos e vamos continuar a ser. O PSD sempre trabalhou para o bem dos barquinhenses e para o bem da população”, afirmou.

Questionada sobre possíveis entendimentos, Paula Silva indicou que o PSD privilegiará propostas que beneficiem o concelho.

“Vou privilegiar as propostas que forem melhores para a Barquinha. Não vai haver coligações, pode haver entendimentos e podemos trabalhar para o bem dos barquinhenses, que esse é o objetivo principal”, disse, frisando que tais entendimentos serão feitos “com o partido mais votado, como é lógico, porque foi ele que ganhou as eleições”.

Paula Silva, vereadora do PSD na Câmara de Vila Nova da Barquinha. Foto: mediotejo.net

A vereadora concluiu deixando uma nota de compromisso: “A minha mensagem é que estou cá para eles, com quatro anos em proximidade, e estou cá para trabalhar para todos os munícipes de Vila Nova da Barquinha.”

Por parte do Chega, a vereadora Tatiana Horta destacou o “resultado histórico” obtido pelo partido no concelho, embora admitindo que esperava mais.

“Estávamos a trabalhar no sentido de uma vitória. No entanto, reconheço que, com os recursos que tivemos e com o tempo que tivemos, foi um excelente resultado. As pessoas querem mudança e estão disponíveis para nos dar uma oportunidade”, afirmou.

Quanto ao papel do partido na Câmara, Tatiana Horta defendeu uma postura de colaboração, sem abdicar da exigência política.

“Não é segredo para ninguém que temos programas diferentes e bases ideológicas diferentes. No entanto, tudo o que seja para o bem-estar comum da população, nunca me irei opor a tal”, disse, acrescentando: “Entro com espírito colaborativo, mas também com firmeza para exigir aquilo que seja necessário.”

Tatiana Horta, vereadora do Chega na Câmara de Vila Nova da Barquinha. Foto: mediotejo.net

A vereadora encerrou com uma mensagem à população: “Um grande agradecimento a todos os que confiaram em mim. É com responsabilidade e sentido de dedicação que assumo este mandato, estarei de porta aberta e nas ruas para ouvir as pessoas e trabalhar com todos, sem exceção.”

A cerimónia no Centro Cultural marcou o início de um mandato em que o diálogo político será determinante para a governação municipal, tendo em conta que, apesar da vitória, o PS não alcançou a maioria na Câmara. O novo executivo de Vila Nova da Barquinha entra em funções com compromissos distintos, mas com a promessa comum de colocar os interesses do concelho em primeiro lugar.

A gestão do executivo exigirá diálogo e entendimento entre forças políticas sendo que o novo presidente do município já garantiu que entendimentos com o CHEGA são uma linha vermelha e que o PSD admitiu entendimentos mas com o partido mais votado e que venceu as eleições. Com a inclusão de um elemento do PSD na lista apresentada pelo PS para a Assembleia Municipal tudo aponta que haja mais entendimentos entre os dois partidos (PS e PSD) para a gestão do município.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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