Mais de 60.000 crianças nasceram em 2023, até dia 1 de dezembro, em instalações do Serviço Nacional de Saúde (SNS), um crescimento de 2,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Na maternidade de Abrantes, da Unidade Local de Saúde (ULS) Médio Tejo, os números seguem esta tendência. No início de dezembro, o número de partos era de 741, contra os 629 do ano anterior, indicou Casimiro Ramos.
“Efetivamente, nós, neste ano de 2023, temos tido uma atividade na maternidade em termos de número de partos bastante superior ao histórico. A 3 de dezembro tínhamos 741 partos realizados contra 629 feitos em todo o ano passado. Se no ano passado uma das causas da redução do número de partos estava associado ao encerramento quinzenal a partir de agosto, este ano [2023] por força também do inverso, que foi a reabertura praticamente 24h sobre 24h a partir de junho”, indicou Casimiro Ramos ao mediotejo.net no final de dezembro.
“Consequentemente”, acrescentou o responsável do então CHMT, “o inverso também no que diz respeito ao Hospital de Santarém, que não tem conseguido ter sempre a maternidade a funcionar e também o Hospital de Leiria. A afluência ao Hospital de Abrantes já não é só encaminhada pelo INEM, é também pelos próprios meios das grávidas, sabendo que a nossa maternidade está aberta”, indicou, apesar de alguns constrangimentos ao nível do funcionamento no final de 2023, em que o serviço encerrou alguns dias, inclusive na passagem de ano e dia 1 de janeiro, reabrindo na terça-feira, dia 2 de janeiro.
ÁUDIO | CASIMIRO RAMOS, CENTRO HOSPITALAR MÉDIO TEJO:
“Isto tem trazido um esforço enorme aos nossos profissionais que, com o mesmo número de profissionais, estão a ter significativamente mais partos. Mas é uma resposta que nos dá, ao mesmo tempo, um gosto, e quero em nome do CHMT e da população, agradecer aos nossos profissionais da maternidade, médicos, enfermeiros, auxiliares, que num trabalho constante procuram manter sempre o serviço a dar a melhor resposta, com segurança, qualidade, numa região que neste contexto vai desde Leiria até Lisboa praticamente, em determinados fins de semana e alturas do ano”, afirmou o gestor hospitalar.
“Para isso também contribui muito, obviamente, todo este trabalho do grupo de enfermeiras que dão estes cursos de preparação, que dá mais segurança às grávidas e ambientam-nas àquilo que é o futuro e, portanto, como que predestina o nascimento do nosso filho no Hospital de Abrantes e não equacionam outra possibilidade. Eu gosto que a população saiba que há um esforço acrescido dos obstetras e das enfermeiras do Centro Hospitalar para garantir esta prestação de cuidados tão essencial que é o nascer de uma vida”.
O gestor confirmou o investimento em 2024 em melhoramentos e requalificação do serviço. “Sim, a maternidade tem previsto um investimento ao abrigo do PRR, uma melhoria de condições com equipamentos. Há uma sala de partos a mais, que já foi construída durante o decorrer deste ano (2023), que foi requalificada. Em termos até mesmo de condições para as aulas de pré-parto, estamos a pensar fazer investimentos para dar melhores condições para que os profissionais possam permitir aos utentes melhor acesso e melhores condições, no fundo, para tudo aquilo que envolve o nascimento da criança”.
Mais de 60 mil nascimentos no SNS até 1 de dezembro
Mais de 60.000 crianças nasceram este ano, até final de novembro, em instalações do Serviço Nacional de Saúde (SNS), um crescimento de 2,3% em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com dados divulgados a 26 de dezembro pela Direção Executiva do SNS (DE-SNS) nasceram 60.613 bebés, quando no fim de novembro do ano passado tinham nascido 59.171.
Mesmo no período de junho a novembro, altura mais crítica devido a férias mas também a limitações decorrentes da indisponibilidade de médicos em assegurar o serviço de urgência além das 150 horas anuais, o SNS realizou este ano mais partos do que no ano passado: 34.274 este ano contra 33.903 em 2022.
Apenas na Região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT), excluindo o Centro Hospitalar do Oeste (encerrado parte do ano para a realização de obras no seu bloco de partos), “de janeiro a novembro de 2023, nasceram 22.629 crianças versus 22.018 em 2022 (ou seja, um crescimento de cerca de 3%)”, nota a DE-SNS em comunicado.
Nos meses de julho a novembro o INEM orientou 111 grávidas para hospitais privados (convencionados) da região LVT, menos de uma grávida por dia. “Como todos os dias são efetuados cerca de 69 partos nesta região, tal significa que 99% dos casos tiveram resposta no SNS”, assinala ainda o comunicado.
A DE-SNS salienta que apesar de todos os problemas a rede do SNS funcionou, que não houve nenhuma grávida sem resposta e que todos os partos mais complexos foram feitos no SNS, e, “excluindo algum caso pontual por deficiência na utilização do sistema, a resposta teve sempre um caráter de proximidade”.
No comunicado, a direção executiva do SNS fala da carência de médicos de ginecologia/obstetrícia a nível internacional, do “planeamento complexo” que é preciso fazer, e pede para que as grávidas, antes de se deslocarem para uma instituição de saúde, contactem sempre a linha SNS24 ou o INEM, em caso de urgência/emergência.
c/LUSA
