O ministro da Administração Interna destacou “o reforço e rejuvenescimento” da Polícia de Segurança Pública com 568 novos agentes que terminaram hoje o curso e avançou que “dentro de dias” será aberto um outro recrutamento. José Luís Carneiro participou hoje na Escola Prática de Polícia (EPP), em Torres Novas, na cerimónia de encerramento do curso de 568 novos agentes e de 221 chefes da PSP.
“No ano passado entraram cerca de 900 novos polícias agora são mais polícias. Dentro de dias vamos abrir novos procedimentos com autorização que já temos do Ministério das Finanças para garantir o rejuvenescimento e continuar a trabalhar com a Direção Nacional para permitir e proporcionar que tornem esta missão de serviço público atrativa para as novas gerações”, disse aos jornalistas o ministro no final da cerimónia.
O governante sublinhou que este reforço vai continuar no futuro, uma vez que o rejuvenescimento na PSP permite que se possa autorizar a passagem à pré-aposentação dos polícias com mais de 36 anos de serviço ou 56 anos de idade.
José Luís Carneiro frisou que “este é um rejuvenescimento permanente” e que o Governo tem previsto “de forma plurianual” avançar com estes “recrutamentos regulares” nas forças de segurança, dando conta que na GNR vão agora também concluir o curso 220 militares, num total de 1.000 este ano, depois de 1.500 em 2022.
Segundo a PSP, o curso de formação de agentes que hoje terminou começou em 19 de dezembro de 2022, tendo concorrido cerca de 3.900 pessoas e terminado 568 alunos, com idades entre os 18 e os 34 anos.
A PSP precisa que estes alunos ingressam hoje na carreira de agentes da PSP, iniciando um período experimental com a duração de um ano.
O concurso para estes novos polícias foi anunciado em maio do ano passado com 1.020 vagas, o curso teve início em dezembro com 648 alunos e terminou hoje com 568 novos agentes.
MAI diz que “cidadãos estão mais exigentes com atuação da polícia”
O ministro da Administração Interna disse hoje que “os cidadãos estão mais exigentes com a atuação da polícia”, mas relembrou que a PSP e GNR estão entre as instituições com “maiores níveis de confiança” por parte da sociedade.
“Significa que os cidadãos estão mais exigentes com a atuação da polícia e com o exercício da autoridade democrática, mas também 2022 compara com 2021 e 2020 que foram anos de pandemia e, portanto, é muito natural que depois da pandemia tenha havido outro tipo de exercício, de escrutínio da autoridade democrática das forças de segurança”, disse aos jornalistas José Luís Carneiro.
O ministro, que falava aos jornalistas na Escola Prática de Polícia, em Torres Novas, no final da cerimónia de encerramento do curso de 568 novos agentes da PSP, foi questionado sobre os dados da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) que indicam que queixas contra a atuação das polícias quase duplicaram nos últimos seis anos, passando de 772 em 2017 para 1.436 no ano passado.
José Luís Carneiro sublinhou que a PSP e a GNR, bem como as Forças Armadas, “estão entre as instituições que têm maiores níveis de confiança por parte dos cidadãos”, frisando que o trabalho das forças de segurança foi considerado “bom ou muito bom”.
Os dados do organismo que fiscaliza a atividade das polícias, a que agência Lusa teve acesso, indicam que a PSP é a força de segurança com maior número de queixas, tendo dado entrada na IGAI 538 participações contra a atuação dos agentes da Polícia de Segurança Pública em 2021, seguindo-se a Guarda Nacional Republicana, com 427, e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, com 233.
A IGAI avança que em 2022 recebeu 1.436 queixas contra a atuação dos elementos das forças de segurança, o maior número dos últimos seis anos e um aumento de 22,3% em relação a 2021.
Segundo a IGAI, quase metade das queixas (48%) contra a atuação das forças de segurança estiveram relacionadas com a violação de deveres de conduta (procedimentos ou comportamentos incorretos).
