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Maestro José Rodrigues leva o nome de Abrantes ao Brasil em “Concerto da Independência”
Do sonho de menino aos palcos, José Rodrigues construiu na música um percurso de décadas. Agora, o maestro abrantino prepara-se para atravessar o Atlântico e dirigir, no Brasil, uma atuação comemorativa do Dia da Independência, num dos momentos mais simbólicos da sua carreira.
De Abrantes ao Brasil, José Rodrigues dirige concerto no Dia da Independência. Foto: DR
Quando era menino, José Miguel Vitória Rodrigues sonhava com a música sem imaginar que, um dia, a sua batuta haveria de atravessar o Atlântico. Décadas de ensaios, concertos e palcos depois, esse sonho ganha agora uma nova dimensão.
O convite para dirigir uma atuação no Brasil, que irá assinalar o Dia da Independência, torna-se um dos momentos mais simbólicos de um percurso construído com paixão, persistência e muitas histórias pelo caminho.
De Abrantes ao Brasil, José Rodrigues dirige concerto no Dia da Independência. Foto: mediotejo.net
Há memórias que começam antes de haver consciência de que são memórias. Para José Miguel Vitória Rodrigues, a música começou assim: dentro de casa, ainda antes de ser uma escolha, quando a vida familiar e a vida de uma filarmónica eram quase indissociáveis. Nasceu em casa dos avós, em Rossio ao Sul do Tejo (Abrantes), “paredes meias com a sede da Filarmónica” e cresceu com o som da banda como parte da paisagem quotidiana.
O avô, Fernando, foi músico filarmónico durante cerca de 70 anos, de forma ininterrupta, na Sociedade de Instrução Musical Rossiense. O pai também passou pela filarmónica, primeiro como músico e mais tarde como dirigente associativo, chegando à presidência dos órgãos sociais da instituição. Havia ainda um primo do avô ligado à fundação da banda. A música, portanto, não entrou propriamente na vida de José Rodrigues: esteve sempre lá.
“A música fez sempre parte da minha vida desde que eu nasci”, recorda ao mediotejo.net, em entrevista, nas vésperas de embarcar rumo a Nova Friburgo, no Brasil, onde irá dirigir a Banda Sinfônica Campesina Friburguense no concerto comemorativo do Dia da Independência do Brasil, celebrado a 6 de setembro.
O que começou como uma ocupação de tempos livres acabaria, décadas mais tarde, por se transformar numa profissão que hoje cruza a direção musical, a docência, a composição, a investigação e a pedagogia.
Aos 47 anos, José Rodrigues dirige bandas, orquestras de sopros e ensembles instrumentais, desenvolve projetos educativos e artísticos e leva consigo uma carreira construída entre o território onde nasceu e diferentes geografias nacionais e internacionais.
Agora, prepara-se para regressar ao Brasil, dez anos depois da última passagem pelo país. E não será um regresso qualquer. Será o seu quinto concerto naquele país e um dos desafios mais exigentes do seu percurso recente: terá apenas um ensaio com a banda antes de subir ao palco.
Maestro José Miguel Rodrigues. Foto arquivo: mediotejo.net
“Este concerto no Brasil vai ser um concerto diferente de qualquer concerto que eu tenho feito”, admite. Não apenas pela distância ou pela dimensão simbólica da ocasião, mas pela própria natureza do desafio. Um ensaio de uma tarde/noite e, depois, o concerto.
A responsabilidade é grande. José sabe-o e não esconde a ansiedade que começa a aproximar-se com a data. Mas há também uma tranquilidade conquistada com a experiência. “Sinto-me preparado para fazer, senão também não aceitaria o convite”, afirma.
A diferença está, talvez, naquilo que os anos acrescentaram ao músico que um dia sonhou simplesmente em estar do outro lado da batuta. “Com a aproximação dos 50 anos”, explica, já não existe apenas o entusiasmo do sonho. Há também a maturidade para perceber o que é possível fazer, como preparar um trabalho à distância e como gerir a responsabilidade.
O concerto está marcado para domingo, 6 de setembro, pelas 19h30, em que José Miguel Rodrigues irá dirigir a S.M.B. Campesina Friburguense no Teatro Laércio Ventura, no Brasil.
Para José Rodrigues, o convite representa mais do que uma atuação. É também uma oportunidade para estabelecer uma nova ponte entre Portugal e Brasil.
“É a perspetiva de alargar mais os horizontes internacionais, de promover o meu trabalho também, como é óbvio, de poder criar aqui sinergia entre uma instituição que eu consegui perceber que é uma instituição dinâmica, com visão artística, direcionada para a educação musical.”
Créditos: Hugo Tavares
A Campesina Friburguense, diz, poderá tornar-se uma nova ligação entre os dois países, à semelhança do trabalho que desenvolveu anteriormente com a Filarmónica de Itajaí, também no Brasil.
A ideia é simples, mas ambiciosa: que o concerto não termine quando os músicos deixarem o palco. Que dele possam nascer intercâmbios, projetos, formação e novas oportunidades para músicos, professores e jovens.
Recuando ao passado, o maestro recorda que antes dos palcos internacionais, houve uma varanda, varanda essa que lhe lembra, ainda menino, do local onde olhava os aviões que atravessavam o céu. Pensava em como seria andar de avião. Parecia-lhe algo distante, caro, quase impossível.
“Mal eu sabia que a música me iria proporcionar isso”, refere.
A primeira viagem de avião aconteceu precisamente por causa da música. Foi aos Açores, para trabalhar como maestro, e não teve sequer de pagar a viagem: “pagaram-me para ir”.
Foto: mediotejo.net
Depois vieram França, Espanha, Brasil, México, Cabo Verde e outras geografias. Vieram festivais, masterclasses, concertos, formações e encontros com músicos de diferentes países. O percurso internacional que hoje parece natural começou, afinal, com um rapaz que olhava para o céu e imaginava o que existiria para lá daquilo que conhecia.
Quanto às rotinas pré-atuação, José Rodrigues refere que gosta de chegar cedo aos palcos. Gosta de sentir o espaço, o silêncio, o cheiro da sala. Gosta de se sentar na plateia e olhar para o palco antes de o ocupar.
Fê-lo na Aula Magna, em Lisboa, quando ainda era saxofonista. Fê-lo também no Europarque, em Santa Maria da Feira, já como maestro, quando levou a Banda Filarmónica Mourisquense a um palco que, pela dimensão, lhe parecia quase inimaginável.
São pequenos rituais. Antes de atuar, gosta de caminhar, de estar em contacto com a natureza e de se preparar mentalmente. Depois do concerto, procura novamente o silêncio.
Créditos: DR
“Gosto de estar um bocadinho em silêncio, sem estar a ouvir música, sem estar a ouvir nada, fazer um tipo de reciclagem.”
Para ele, esse equilíbrio é parte integrante do trabalho. A música pode ser intensa, absorvente, quase viciante. E é precisamente por isso que defende a necessidade de autodisciplina e de atenção à saúde mental.
O maestro que nasceu ainda antes de pegar na batuta
A relação com a direção musical começou muito antes de José saber que aquilo poderia ser uma profissão.
Ainda criança, assistia aos ensaios da banda e ficava fascinado com o maestro. Não percebia o que significavam aqueles gestos, mas percebia que havia qualquer coisa extraordinária naquela linguagem das mãos.
“O que é que ele estava a fazer com as mãos? É uma coisa incrível”, recorda. O avô Fernando dizia-lhe: “qualquer dia vais ser maestro”. José imitava os gestos. Era uma brincadeira. Mas, mais tarde, a brincadeira começou a ganhar forma.
A figura de Fernando não ficou, contudo, apenas ligada aos primeiros passos na música. Para José Miguel, o avô tornou-se uma espécie de medida de persistência, alguém cuja forma de estar continua a acompanhá-lo mesmo depois da sua morte. É por isso que, quando fala das dificuldades que encontrou pelo caminho, regressa à mesma referência: a resiliência do homem que o ensinou a não desistir, a avançar mesmo quando o caminho parecia menos evidente.
Créditos: Hugo Tavares
Hoje, diz, consegue compreender ainda melhor a dimensão que o avô teve no seu percurso. Fernando é, para si, mais do que a memória do homem que o aproximou da música: é a “referência número um” de toda a sua vida musical. Uma referência que José Miguel transporta também na forma como olha para a própria história. Faz questão de lembrar de onde veio, de não apagar o lugar onde começou e de reconhecer quem lhe abriu a primeira porta.
Aos 16 anos, entrou no Conservatório Regional de Tomar para estudar música de forma mais séria. Até então, a ideia de uma carreira musical profissional parecia-lhe quase um território desconhecido. Na região, explica, o conceito de músico profissional não era uma referência próxima. “Era um mundo oculto, por assim dizer.”
As bandas militares eram uma das poucas imagens de profissionalismo musical que conhecia. O conservatório era uma realidade ainda pouco compreendida.
Quando entrou pela primeira vez no Conservatório, houve outro momento de descoberta. O som de diferentes instrumentos a sair das salas, alguns que nunca tinha visto ao vivo, despertou-lhe uma nova curiosidade. “Aquilo, a partir dali, fez-se um clique.”
Mas também percebeu rapidamente que a música não seria um caminho fácil.
Foto: mediotejo.net
Começou tarde para os padrões atuais. Teve dificuldades técnicas e teóricas e precisou de recuperar conhecimentos. Estudou saxofone com pessoas que não tinham formação profissional e que, por vezes, ensinavam com livros que nem sequer conseguiam ler na língua original. Dificuldade que o fez perceber, desde cedo, que era tudo uma questão de persistência.
A palavra “desistir” aparece várias vezes quando José Rodrigues fala do seu percurso. Não porque tenha desistido, mas precisamente porque muitas vezes teve razões para o fazer. “Apeteceu-me muita vez desistir da música”, conta.
A formação não foi linear. As oportunidades profissionais também não surgiram de forma imediata. Aos 21 anos, quando começou a sua formação mais específica em direção musical, não existia na região uma escola dedicada a essa área.
Foi para Lisboa. Durante duas semanas trabalhou com dois maestros de referência e, a partir dessa experiência, percebeu definitivamente que aquele era o caminho. “Foi a partir daí que eu disse assim: é isto que eu quero. É este caminho que eu quero seguir.”
Créditos: DR
A formação académica foi outra ferramenta essencial. José Rodrigues é professor de Educação Musical e concluiu recentemente o mestrado em Ensino de Música, com especialização em Formação Musical e Música de Conjunto. A sua investigação centra-se na literacia musical, na leitura à primeira vista e na pedagogia da performance em contexto de bandas de música.
A licenciatura em Educação Musical foi também, em parte, uma forma de garantir estabilidade enquanto continuava a construir o sonho.
Hoje é professor do quadro do Ministério da Educação e reconhece a importância daquela decisão. “A ferramenta de trabalho permitiu-me continuar a não desistir dos sonhos.”
É uma ideia que faz questão de deixar aos jovens: ouvir os pais, construir ferramentas, ter alternativas sem abandonar aquilo que verdadeiramente se quer alcançar.
Porque viver da música em Portugal, sobretudo fora dos grandes centros, nunca foi simples. “A música não dá dinheiro, não é? A música não paga contas, não põe comida na mesa… Era o que eu ouvia muitas vezes.”
José Rodrigues provou o contrário, mas não por facilidade. “Com muito trabalho, muita resiliência, muita disciplina, muito foco, muita vontade.”
Aprender a liderar pessoas
Começou a dirigir uma banda aos 21 anos. “Nem sequer tinha carta de condução”, recorda. Tinha a energia e o ímpeto próprios da juventude, mas estava a liderar grupos de dezenas de pessoas sem ainda possuir sequer uma palavra para explicar aquilo que estava a fazer. “Com 21 anos comecei a liderar equipas sem saber o que era liderança.”
Aprendeu pela experiência. Aprendeu enquanto professor, aprendeu com colegas mais velhos, com os músicos com quem trabalhou, que lhe fizeram ver, sobretudo, que uma banda não é uma partitura.
“Um maestro trabalha com pessoas, pessoas diferentes, com histórias diferentes, formações diferentes, sensibilidades diferentes”, explica.
Foto: mediotejo.net
Foi particularmente durante os anos em que trabalhou com a Filarmónica Montalvense que essa dimensão se tornou mais evidente. Percebeu que dirigir uma banda comunitária implicava conhecer a comunidade e, antes disso, conhecer as pessoas.
É aqui que entra uma dimensão que hoje considera fundamental: a psicologia, o comportamento, a inteligência emocional.
O maestro precisa de saber quando exigir, quando tranquilizar, quando motivar. Precisa de perceber o estado de espírito de um músico antes de um concerto, de transmitir confiança quando a ansiedade toma conta do palco.
José Rodrigues olha para as bandas filarmónicas como organismos culturais que continuam a ter um papel essencial nas comunidades. Não são apenas lugares onde se aprende a tocar um instrumento. São espaços de encontro entre gerações, de aprendizagem, disciplina, responsabilidade e pertença.
“A banda é, digamos, o organismo musical que consegue celebrar em si pessoas de uma intergeração grande, em que congrega crianças, jovens, adultos e adultos de várias faixas etárias.”
Estima que o universo dos músicos de banda em Portugal ultrapasse os 30 mil elementos. É uma comunidade numerosa, mas que enfrenta desafios. Um deles é financeiro. Instrumentos, repertório e manutenção das instituições representam custos cada vez maiores.
Créditos: Momentos Digitais
Mas existe outro desafio que considera ainda mais importante: mudar a imagem que algumas pessoas continuam a ter das bandas filarmónicas.
“As pessoas já não olham tanto para a realidade da banda filarmónica como olhariam quando elas foram fundadas.” Para José Rodrigues, a banda não é uma coisa antiga. É uma estrutura capaz de transformar vidas – como transformou a sua.
Para o maestro, a escola pode ter um papel decisivo nessa mudança de olhar, defendendo uma relação mais estreita entre escolas, bandas e comunidades, criando projetos que permitam aos jovens perceber que uma filarmónica pode ser muito mais do que uma tradição herdada.
“O palco da aldeia vale tanto como o da capital”
Ao longo da sua já longa carreira, José Rodrigues passou por palcos de diferentes dimensões. Mas não aceita estabelecer uma hierarquia entre eles. “O palco da aldeia é tão importante como o palco da capital.” A frase resume uma parte importante da sua relação com o território.
Abrantes, o Médio Tejo e o Alto Alentejo não são apenas o ponto de partida. São também espaços onde experimenta, ensina, dirige, cria projetos e para onde pretende trazer aquilo que aprende no estrangeiro.
É uma ideia que já estava presente na preparação desta nova etapa internacional: sair não significa abandonar. Pelo contrário.
“O facto de nós irmos fora de Portugal, o facto de nós irmos fora do nosso território, onde nós residimos, não significa que nós não continuemos a dar atenção ao nosso território.” É precisamente aí que vê o valor das viagens.
Créditos: DR
Quando regressou da primeira passagem pelo Brasil, depois de um mês em digressão, houve uma coisa tão simples quanto simbólica: queria chegar a casa e comer uma sopa.
Mas, mais do que isso, descobriu que também se pode aprender a olhar para casa quando se está longe dela. “Quando nós vamos fora e olhamos de fora para dentro, nós começamos a valorizar coisas que nós cá dentro não valorizamos.”
É por isso que, para José Rodrigues, internacionalizar não é afastar-se do território. É criar pontes para que aquilo que se aprende lá fora possa regressar e gerar contributo.
Há dez anos que José Rodrigues não vai ao Brasil. Nesse período, continuou a dirigir, ensinar, estudar, investigar e criar.
Agora regressa diferente. Mais experiente, mais consciente da responsabilidade e também mais preparado para aproveitar aquilo que uma viagem destas pode trazer.
Antes do convite, já tinha tido contacto com a Campesina Friburguense. A banda esteve recentemente em Portugal, na sua sétima digressão europeia, e José Rodrigues assistiu a uma tarde de ensaio, acompanhando o trabalho do grupo num concerto com Fafá de Belém.
Foi uma espécie de primeiro contacto com os músicos com quem agora vai trabalhar. A recetividade que espera encontrar é a que associa à experiência brasileira: calor humano, alegria e vontade de fazer música.
Créditos: DR
Mas há também curiosidade. Quer perceber o que encontrará em Nova Friburgo, uma realidade diferente das que já conheceu no Brasil. Já passou por São Paulo e por Santa Catarina, onde trabalhou durante três anos com a Filarmónica de Itajaí, sobretudo na área da educação musical e formação de professores.
Agora espera pela chegada ao Rio de Janeiro, pela imagem do Cristo Redentor, pela baía e, depois, pela subida até à região serrana de Nova Friburgo. “Acho que deve ser uma coisa incrível ver ter a oportunidade de ver essa imagem.”
Mas o verdadeiro palco será outro. Será aquele em que, no dia 6 de setembro, levantará a batuta diante da Campesina Friburguense.
E talvez nesse primeiro gesto esteja condensado tudo aquilo que veio antes: a casa dos avós no Rossio, o avô Fernando, o saxofone, os primeiros ensaios, as dificuldades, o Conservatório de Tomar, Lisboa, os primeiros grandes palcos, os alunos, as bandas, as viagens, os amigos deixados por outras geografias e todas as vezes em que teve de escolher continuar.
“Não desistas de ti próprio”
Se pudesse voltar atrás e falar com aquele rapaz que começou a aprender música na banda, José Rodrigues não lhe diria que o caminho seria fácil.
Dir-lhe-ia para continuar. “Nunca desistas. Não só na música.” E acrescentaria outra coisa: não desistir de si próprio. Autoconfiança. Autorregulação. Autodomínio. Trabalho. Persistência. E uma dimensão espiritual que, para ele, também tem lugar na construção de uma pessoa.
“Neste caminho todo, não olhes só para aquilo que os teus olhos conseguem observar. Mas vê além dos teus olhos.”
É talvez a melhor síntese de uma carreira construída entre aquilo que se vê e aquilo que ainda não existe. Aos 47 anos, José Rodrigues não fala em chegada. Fala em construção: “Sedimentar o que está feito.”
Créditos: Hugo Tavares
Sente que é tempo de assentar a massa antes de continuar a construir a parede. Mas os horizontes permanecem abertos: um livro na área da composição, um álbum de obras originais para banda profissional previsto para 2027, novos projetos de educação musical para o território, o regresso aos palcos enquanto saxofonista e uma agenda de concertos com a Orquestra de Sopros do Alto Alentejo, a Orquestra Juvenil do Alto Alentejo e a Banda Filarmónica Mourisquense, entre outros projetos.
E depois há os sonhos. Porque, apesar de se aproximar dos 50 anos, José Rodrigues não deixou de sonhar. A diferença é que agora sabe que um sonho não se espera. Trabalha-se.
E, dentro de pouco tempo, numa sala de Nova Friburgo, haverá uma batuta a subir. Talvez naquele gesto esteja também o rapaz que, há muitos anos, imitava o maestro da banda e ouvia o avô Fernando dizer-lhe: “Qualquer dia vais ser maestro.”