Foto: mediotejo.net

O terceiro dia da Feira Mostra de Mação arrancou com a visita oficial com uma grande comitiva liderada pelo executivo municipal da Câmara de Mação e pelo presidente da Assembleia Municipal, Saldanha Rocha, contando com representantes de entidades e instituições locais e regionais, e com o presidente do concelho vizinho de Sardoal, Miguel Borges. Estava previsto a Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional ter estado presente nesta tarde para a inauguração de dois novos polos importantes na sede de concelho, mas a mesma cancelou a visita por motivos de agenda.

A visita não deixou de se fazer com pompa e circunstância, com muita sociedade civil presente, ainda que com placas refeitas em tempo recorde. Rumou-se em arruada ao som da Sociedade Filarmónica União Maçaense, numa escorreita atuação pelas ruas do centro histórico, abrindo caminho até ao recinto da Feira Mostra, na entrada das Piscinas municipais descobertas, que seriam minutos depois inauguradas após obras de requalificação.

O espaço, de cara lavada, oferece agora melhores condições, apresentando-se modernizado e com novos equipamentos ao dispor dos utentes do concelho e da região. Abrem ao público esta terça-feira, dia 5 de julho, mas no dia da inauguração já convidavam e bem a um mergulho, tal não era o calor que se fazia sentir.

Vasco Estrela elogiou todas as empresas envolvidas na obra de requalificação e modernização daquelas míticas piscinas, com 51 anos de existência.

“É um equipamento emblemático do nosso concelho e conseguimos reunir condições só e apenas com dinheiro da Câmara Municipal de Mação, para fazermos esta obra”, disse, notando que tem sido objetivo a requalificação de património municipal, a exemplo do antigo Quartel dos bombeiros, o Centro de Negócios, a Sede das Associações, o Largo dos Combatentes e o Cine-Teatro, as escolas primárias do concelho.

“Estou naturalmente satisfeito por, na minha presidência, isto ter sido possível. E termos conseguido reunir condições para o alcançarmos”, notou, referindo entender que a autarquia tem sido gerida “de acordo com as nossas possibilidades, com os pés assentes na terra, mas conseguindo estar muito presentes na vida das pessoas. Não só com estas obras, mas também na área social, pelo que fazemos pelos mais vulneráveis, pelos nossos idosos, com o Clube Sénior e Universidade Sénior”, acrescentou, notando que o objetivo é dar qualidade aos equipamentos e qualidade de vida aos cidadãos do concelho.

“Os tempos que aí vêm, provavelmente, tudo indica, não serão de facilidades. Esta guerra e esta crise que dizem que se aproxima vai exigir, de todos nós, cuidados, atenção e empenho naquilo que fazemos. Da nossa parte, e apesar das dificuldades e apesar de o nosso orçamento municipal ser reduzido em mais de 600 mil euros para este ano, não deixaremos de tentar cumprir aquilo que é nossa obrigação, como penso que temos cumprido ao longo dos últimos anos”, aludiu, em jeito de compromisso e alerta.

Concluiu o edil, que está no seu último mandato permitido por lei enquanto presidente da Câmara Municipal de Mação, pedindo a todas as entidades, associações e instituições que mantivessem o empenho e atenção para com o concelho.

“Mantenham esta vontade, este empenho, este espírito de iniciativa e esta capacidade que têm de serem ‘chatos’, no bom sentido, e de nos aborrecerem com pedidos. Se continuarem assim é sinal que estão inconformados e é sinal que vale a pena nós estarmos deste lado para dar resposta aos vossos anseios. Como sempre disse, desde 2013, este concelho terá o futuro que todos nós acharmos que o mesmo deve ter. Por muita boa vontade que a CM Mação tenha, e as juntas de freguesia tenham, se não houver todo um movimento que faça este acompanhamento, dificilmente conseguiremos alcançar aquilo que todos desejamos, que é um futuro mais próspero para o nosso concelho e que as pessoas aqui se sintam bem e que aqui possam viver”, terminou.

Dali, um pulo até à sombra do bosque no Jardim do Calvário, para inauguração do ArqueoParque Social, contanto com Luiz Oosterbeek e Pedro Cura, do Instituto Terra e Memória e Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo, bem como o presidente do Instituto Politécnico de Tomar, João Coroado, e na presença de representantes da iniciativa Portugal Inovação Social, da qual este projeto arqueosocial viu uma candidatura ser aprovada e daí ter conseguido apoio para a sua implementação, contando com a autarquia maçaense enquanto parceiro social, que ali também investiu.

Segundo explicação de Luiz Oosterbeek, diretor do Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo, bem como responsável pelo Instituto Terra e Memória, este é um espaço para experimentação e para convívio e partilha intergeracional, tendo por objetivo uma dinamização e reconstrução contínua, não estando nunca concluído.

A ideia é que o parque se vá reconstruindo mediante as atividades e os públicos que por ali forem passando, em contexto de investigação, de visitação ou de aulas práticas e de campo, quer pelos séniores, quer pelos alunos do ensino básico e secundário.

Estão ali representados diferentes períodos da Pré-história, desde logo o Paleolítico, o Neolítico, o Calcolítico e a Idade do Bronze, e permite este projeto ir mais além, convidando a uma imersão nestas matérias da História da humanidade, desde os seus primórdios e perceber a evolução de usos e costumes e da forma como o Homem se comportava e se foi moldando a diferentes contextos.

ÁUDIO | Explicação sobre o novo ArqueoParque Social de Mação, por Luiz Oosterbeek, diretor do Museu de Mação, e pelo arqueólogo Pedro Cura, dinamizador do projeto “Andakatu”

Terminada a segunda inauguração da tarde, tempo para uma segunda volta ao certame – após a volta de abertura da feira na quarta-feira pelos membros do executivo camarário – por todos os stands e expositores da Feira Mostra, com sorrisos, cumprimentos, encontros e reencontros, algumas degustações pelo caminho, votos de saúde e sucesso. Mas foi no stand da Câmara Municipal de Mação, junto ao balcão da AmarMação, que os ânimos se exaltaram, no bom sentido, com uma degustação volante servida aos presentes, apelando aos sentidos e papilas gustativas.

Os alunos do curso de Restauração e Hotelaria do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte conquistaram paladares com iguarias feitas a partir de produtos endógenos do concelho.

Com uma mostra de acepipes dos mais doces aos mais salgados, não faltou o presunto, o queijo e os enchidos de Mação como reis da tábua, sendo ainda servido vinho branco, tinto e rosé também de produtores maçaenses.

Momento que precedeu o discurso do presidente da Câmara, Vasco Estrela, deixando mensagens à comunidade sobre o futuro do concelho e o caminho a fazer para a sustentabilidade do mesmo a vários níveis.

Desde logo deixou recado aos proprietários florestais, alertando para a urgência de intervenção e participação na oportunidade criada pelo programa nacional das Áreas Integradas de Gestão da Paisagem, no sentido de encontrar futuro e sustentabilidade num territórios essencialmente florestal como o de Mação, e que tem sido sacrificado com grandes fogos florestais nas últimas décadas, pretendendo-se com esta iniciativa inverter esse ciclo e prevenir.

Vasco Estrela relevou o papel das associações e coletividades e a importância das mesmas no concelho de Mação e na dinamização das suas localidades e freguesias.

Deixou também um agradecimento aos empresários que destacaram pela performance das suas empresas no ano de 2021, agradecendo “por aquilo que têm feito pela economia do concelho, sendo geradores de emprego” e afirmando que “são extraordinariamente importantes no nosso ecossistema”.

Palavras também dirigidas à associação Aflomação, que em conjunto com a Câmara Municipal está a participar na implementação do projeto das AIGP, que sublinhou como “projeto transformador do nosso concelho, um projeto pelo qual o vice-presidente da autarquia António Louro tanto e tanto lutou para que pudesse ver a luz do dia”.

“Hoje estão reunidas as condições do país para que possamos transformar a paisagem e o nosso território”, disse, para de seguida lançar um apelo para que “no concelho de Mação possamos todos distinguir o essencial do acessório. O essencial é transformarmos a nossa paisagem. Esta é mesmo uma oportunidade única, e se não nos unirmos nisto que é essencial, eu penso que não nos conseguiremos unir em nada”, afirmou.

“Não tem nada de político”, disse, notando que apesar de ser social democrata congratula o Governo socialista pelo lançamento deste programa sustentado pelo Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), criando uma oportunidade para o país.

“Se não aproveitarmos esta oportunidade, aqueles que depois de nós aqui estiverem, não nos perdoarão. Porque se nada fizermos, e daqui a meia dúzia ou uma dúzia de anos voltar a acontecer aqui uma tragédia,
alguém se vai lembrar que houve aqui pessoas com oportunidade de transformar o território e não o quiseram fazer. E nessa ocasião, todos devemos corar de vergonha se não conseguirmos fazer aquilo que deve ser feito”, prosseguiu.

“Peço aos presentes, que façam também o vosso trabalho e que possam passar esta mensagem, é
o futuro do nosso concelho que está em causa”, pediu perante uma plateia atenta ao tema.

ÁUDIO | Discurso do Presidente da Câmara Municipal, Vasco Estrela

Seguiu-se a homenagem aos empresários distinguidos pelo IAPMEI enquanto PME Líder no ano 2021, tendo sido homenageadas as empresas António Costa Dias Lda, Construmação – Construções e terraplanagens, Unipessoal Lda; Distrimação Supermercados LDA; Foresmad – Gestão Florestal, Lda; Indústrias VIP – Unipessoal Lda; Monteiro, Lda.

A cerimónia encerrou com jantar no restaurante do Grupo Desportivo de Carvoeiro, com o cair da noite a anunciar-se, e a anteceder o concerto do Grupo de Cantares Os Maçaenses e a apresentação do livro “Carta Cultural do Concelho” no stand do Município.

A azáfama era muita e centenas foram marcando lugar na frente do palco para o concerto de Xutos & Pontapés. A banda meteu “a carga pronta” no palco principal, que esteve a rebentar pelas costuras e de onde o público não arredou pé até ouvir todos os grandes êxitos da banda, nomeadamente aqueles que todos sabem trautear sem pestanejar e que marcam gerações, desde “Não sou o Único”, “Para Ti Maria”, “A Minha Casinha”, “À Minha Maneira”, “Contentores”,…

A banda apostou num revisitar de clássicos, nomeadamente do seu primeiro álbum de estúdio, com quarenta anos de existência: o “78/82”.

Seguiu-se a hora do Dj, com um nome da casa, Rasilmar, a fazer o jeito aos resistentes do recinto que se foram socorrendo dos bares para abastecer para prosseguir noite dentro, num público diversificado, mostrando que não há limite de idade para aproveitar a vida com diversão.

Mação fez uma festa de arromba, e com isto lançou agora o desafio para fechar os dois últimos dias com chave de ouro, sendo que não deverá ser fácil superar a sexta-feira, dia 1 de julho, um dia que certamente ficará gravado na história da 27ª edição deste evento de excelência do concelho, com uma moldura humana a fazer jus a uma programação para a qual capricharam a autarquia e as coletividades do concelho.

Fica o convite para rumar a Mação e aproveitar o fim-de-semana em família ou entre amigos, restando mais dois dias para visitar a Feira Mostra do concelho.

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Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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