No âmbito da sessão comemorativa que assinalou os 10 anos de existência do Banco Local de Voluntariado de Mação, Elisa Borges, coordenadora e conselheira do Conselho Nacional de Promoção do Voluntariado, recordou que os valores essenciais para o exercício do voluntariado passam hoje, também, pela qualificação, tendo destacado que a vertente da formação “não pode ser descurada”. Só assim, segundo aquela responsável, se alcança a “pedra basilar do voluntariado: a competência”.
Elisa Borges notou que na atualidade existem cada vez mais nichos de exclusão a contar com a ação de voluntários, uma vez que estes são os principais responsáveis por “ligar margens entre nós e o outro”.
No seu entender, o voluntário “não substitui o profissional remunerado”, sendo que “a sua atividade é complementar à dos outros”, não havendo lugar para rivalidades e não se devendo pesar a pertinência e qualidade de atuação de um e de outro, pois cada uma é feita de uma essência particular.
O voluntário, na verdadeira aceção da palavra, reveste-se pela “dimensão do afeto”, que é igualmente “marca da diferença entre os profissionais e os voluntários” segundo Elisa Borges.

Os novos tempos trouxeram algumas mudanças, nomeadamente na socialização entre vizinhos, afetando as relações de vizinhança, uma realidade ocorrente na maioria do território nacional.
Segundo a coordenadora, estas relações foram-se perdendo pela efemeridade e inconstância dos dias de hoje, quer pela mudança de residência frequente, quer pelos horários laborais diversos, sobrecarregados e que dificultam a abertura de espaço para este tipo de socialização e proximidade.
Ser-se voluntário prende-se com “gratuitidade, compromisso e doação de tempo”, e nesse aspeto, os Bancos Locais de Voluntariado são “agentes de coesão social”, capazes e diferenciadores nas comunidades que servem.
Elisa Borges fez ainda questão de deixar uma “palavra de apreço aos Bombeiros e a todos os que contribuem de uma forma ou de outra para uma sociedade mais justa”, sublinhando ainda que “cada ser deve ser cuidado como um ser único e irrepetível”, entendendo que o tratamento em igualdade tem aqui um sentido relativo.
Por fim, a responsável deixou um desafio aos presentes: “que se disponibilizem para aceitar o desafio de serem voluntários. Isto é um desafio. Ser voluntário faz a diferença, e vai fazer a diferença na vossa comunidade”, terminou.

Vasco Estrela, autarca da CM Mação e presidente do Banco Local de Voluntariado de Mação, esteve presente na iniciativa, bem como a vereadora Margarida Lopes (PSD) e outros representantes de IPSSs e associações dos concelho ligadas a esta causa.
O presidente de Câmara não quis deixar de recordar os momentos aflitivos do verão passado, onde, entendeu, os voluntários de “norte a sul do concelho” fizeram a diferença, entendendo que o voluntariado foi “fundamental”.
“Foi gratificante ver a quantidade de voluntários e voluntárias que nós não imaginávamos que existissem e colaborassem desta forma (…) A boa vontade das gentes do concelho, de forma generalizada, de norte a sul do concelho, foi algo que nunca esquecerei e acho que todos nós no concelho de Mação devemos estar orgulhosos”, começou por indicar, deixando ainda uma palavra de apreço aos Bombeiros Voluntários de Mação.
“Começando naturalmente pelos enormes Bombeiros Voluntários, que tudo deram e de tudo fizeram para evitar tragédias, não podemos esquecer as pessoas que de todas as maneiras ajudaram as populações e os bombeiros, na confeção as refeições, no encaminhamento dos mais idosos, no trabalho das IPSSs e dos seus dirigentes, dos funcionários, enfim… um sem número de pessoas que fizeram um trabalho extraordinário, e muito dele invisível, e que se não fosse esse mesmo trabalho provavelmente a tragédia que nos aconteceu tinha sido uma tragédia bem maior”, assumiu, de forma sentida e com efetiva gratidão.
“Se houve maior prova de voluntariado, de querer dar aos outros, estes incêndios vieram demonstrar na plenitude aquilo que também é ser voluntário”, referiu, notando que estas ações foram “grande prova da garra, valentia e generosidade das pessoas do concelho de Mação”.
Após o agradecimento feito ainda a todos os inscritos no Banco Local de Voluntariado de Mação, “por aquilo que têm dado ao próximo”, Vasco Estrela acrescentou que a autarquia está empenhada “em reforçar este BLV, para que possamos ser mais próximos das pessoas e possamos ajudar ainda mais aqueles que precisam de nós, seja em que circunstância for”.

Porém, apesar de Vasco Estrela notar a importância das forças voluntárias não só no concelho, como por todo o país, o autarca mostrou-se muito crítico pelo facto de as pessoas, de forma não remunerada, despendendo do seu tempo, muito se substituem às funções e obrigações que deveriam ser prontamente assumidas pelo Estado e, efetivamente, não o são.
Ainda assim, o autarca frisou ainda o desequilíbrio na renovação destes agentes voluntários, nomeadamente no Interior do país, nomeando as “muitas cabeças grisalhas” presentes no auditório e que são voluntários do BLV Mação, algo que representa uma preocupação. A não renovação deste Banco Local, num concelho e numa região altamente envelhecidos e a caminhar para uma insistente desertificação, poderá condicionar a existência deste contributo junto da comunidade no futuro.
O Banco Local de Voluntariado de Mação foi criado em novembro de 2007, contando com dezenas de inscritos e sendo feito de parcerias com várias instituições e entidades do concelho. Funciona através do Serviço de Ação Social da CMM, responsável pela aceitação de candidaturas, bem como gestão e distribuição dos voluntários do Banco.
A atividade voluntária em Mação acontece em vários domínios, desde a ação social, ambiente, proteção civil, educação, saúde, desporto, cultura, entre outros, sendo destinatários deste BLV entidades locais (cuja inscrição deverá ser feita no SAS) e pessoas singulares que queiram dar de si ao próximo, e que para isso basta preencher a ficha disponibilizada no site da autarquia e entregar no Serviço de Ação Social da Câmara Municipal de Mação.

