Um consórcio europeu – Herit-Aware – liderado pelo Museu Nacional de História Natural de Paris lançou um videojogo educativo que utiliza o património do Médio Tejo como um dos cenários de aprendizagem para ensinar estudantes do ensino secundário e superior a gerir e proteger o património cultural e natural, envolvendo municípios como Abrantes, Mação, Tomar e Torres Novas, entre outros.
O Médio Tejo é um dos territórios centrais do videojogo, que, segundo os promotores, constitui o primeiro produto educativo digital dedicado de forma integrada ao património da região, da arte rupestre e do megalitismo ao legado templário e à industrialização.
Financiado pelo programa Erasmus+, o projeto Herit-Aware reúne universidades e centros de investigação de França, Portugal, Espanha, Itália e Hungria, contando com a participação do Instituto Politécnico de Tomar (IPT), através do Centro de Geociências e do Instituto Terra e Memória (ITM), sediado em Mação.
Segundo explicou ao mediotejo.net Luiz Oosterbeek, diretor do Museu de Arte Pré-Histórica de Mação, presidente do ITM e professor do IPT, o projeto resulta de cerca de dois anos de trabalho de um consórcio internacional e destina-se a estudantes a partir dos 15 anos e do primeiro ciclo do ensino superior.
“Não é um jogo normal, nem um jogo de mero entretenimento. É um jogo de aprendizagem”, afirmou, indicando que os participantes são desafiados a explorar um território, identificar ameaças ao património, recolher informação científica e definir estratégias de gestão, recorrendo ao trabalho colaborativo para resolver problemas.
Ao contrário dos jogos sobre património que funcionam sobretudo como guias virtuais ou plataformas informativas, o Herit-Aware coloca os utilizadores perante situações inspiradas em problemas reais de gestão territorial, exigindo a tomada de decisões sobre a utilização de recursos, conservação e proteção do património.




Segundo Luiz Oosterbeek, o património constitui apenas o ponto de partida para uma aprendizagem mais abrangente, envolvendo temas como cidadania, governança, coesão social, diversidade cultural e sustentabilidade.
“É muito mais do que um jogo. É aprender a viver em sociedade e a entender como uma sociedade funciona jogando”, sintetizou.
Um dos territórios integrados no videojogo é o Médio Tejo, cuja representação inclui elementos patrimoniais que vão da arte rupestre do vale do Tejo e do megalitismo ao património templário, aos rios, à paisagem e à industrialização da região.
“O território que os estudantes discutem não é abstrato. Se é o Tejo, é mesmo o Tejo. Se é o Nabão, é mesmo o Nabão”, afirmou o investigador, explicando que os jogadores são incentivados a procurar informação científica e documental sobre os locais reais para conseguirem ultrapassar os desafios propostos.
Além do Médio Tejo, o videojogo integra cenários localizados em Espanha, França e Indonésia, permitindo aos utilizadores comparar diferentes territórios, ecossistemas e contextos culturais.
O projeto está a ser apresentado no âmbito da Herit-Aware International Summer School, que decorre em Tomar até 14 de julho e reúne 52 investigadores e estudantes de 20 países, entre os quais Portugal, França, Espanha, Itália, Hungria, Estados Unidos, Brasil, Indonésia, Irão, México e Senegal, num projeto que junta uma equipa com idades entre os 20 e os 70 anos.




No próximo domingo, dia 13, o Instituto Politécnico de Tomar promove um “Open Day” aberto à comunidade, durante o qual será apresentado o videojogo e outras ferramentas inovadoras de educação patrimonial desenvolvidas em projetos internacionais, numa iniciativa destinada a investigadores, estudantes, profissionais do património e ao público em geral.




