Diretor do Agrupamento de Escolas discursa no jantar-convívio de encerramento do ano letivo com a comunidade educativa. O momento marca ainda o encerramento do Restaurante Pedagógico que serve o curso profissional de Restauração e Hotelaria. Foto: mediotejo.net

No Agrupamento de Escolas Verde Horizonte, em Mação, o ano letivo costuma fechar como começa: em convívio com a comunidade educativa. Envolvendo todos os docentes, não docentes, familiares e Câmara Municipal, além de outras instituições locais e regionais no âmbito da saúde e educação, o ano letivo deu-se por terminado com o encerramento do Restaurante Pedagógico, com um banquete-convívio ao ar livre, servido pelos alunos e formadores do curso de Restauração e Hotelaria. O mediotejo.net aproveitou para conversar com o diretor do Agrupamento de Escolas, José António Almeida, sobre a oferta formativa de 2022/2023 e sobre os desafios que se colocam para o próximo ano.

Apesar de as matrículas estarem concluídas, o diretor começa por referir que há sempre a possibilidade de haver novas inscrições.

Quanto à rede escolar para o ano letivo 2022/2023, irá manter o ensino dito tradicional/regular, do pré-escolar ao ensino secundário, no que toca a cursos científico-humanísticos, mas a oferta de cursos profissionais também se mantém, trazendo este ano duas novidades.

Mantém-se a oferta diferenciada e reconhecida, caso do curso de Restauração e Hotelaria (Cozinha e Pastelaria) e o curso de Mecatrónica Automóvel, que já se mantêm há alguns anos no Agrupamento de escolas.

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“Este ano trouxemos duas novidades, o curso de Técnico de Desporto e o curso de Animador Sociocultural”, refere, indicando que são “ofertas interessantes para um concelho como Mação e até para a região, com tantas IPSS, associações, lares e centros de dia, estaremos a formar técnicos para atuarem nesta matéria e poderem ser uma mais-valia quer para estas instituições, quer para as comunidades que podem vir a contar com técnicos devidamente habilitados para promoverem dinâmicas. Situação que se reveste de especial importância num concelho envelhecido como Mação, realidade que se verifica por toda a região, aliás”, crê.

“Estamos convencidos de que é uma oferta perfeitamente integrada e adequada para o concelho de Mação e para a região”, permitindo saídas profissionais adequadas à realidade local, tentando fixar jovens ativos e evitar que tenham de procurar oportunidades noutros pontos do país ou no estrangeiro.

No próximo ano letivo o Agrupamento de Escolas contará com uma ligeira redução em relação ao ano letivo anterior, mas deverá rondar os 650 alunos do pré-escolar ao ensino secundário e profissional, sendo certo que se tem verificado nos últimos anos uma estabilização do número de matriculados.

“Embora a população em Mação esteja a diminuir, o agrupamento vai-se mantendo com o mesmo número de alunos, até pela frequência de jovens oriundos de concelhos limítrofes”, afirma o diretor do Agrupamento.

No horizonte está a prossecução de projetos e consolidação de iniciativas que são já imagem de marca do agrupamento escolar, e que começam a tomar novo balanço após a paragem forçada devido aos dois anos de pandemia de covid-19.

“A pandemia e todo o processo que veio condicionar todas as escolas, mostrou um conjunto de fragilidades que não pensávamos que fossem tão profundas. Somos uma escola de toque, proximidade e contacto, e quando assim é, a impossibilidade dessa proximidade torna a comunidade educativa mais frágil. E os nossos alunos, e toda a comunidade, saíram muito penalizados por esta nova realidade que nos foi imposta. A pandemia marcou as aprendizagens e também uma série de projetos que tínhamos em mente, e para compensar e atenuar as perdas que sentimos, vamos deitar a mão a conjunto de projetos que vamos querer concretizar de forma sustentada no próximo ano letivo”, assume.

Homenagem pela paz no Agrupamento de Escolas Verde Horizonte, em Mação. Imagem: DR

José António Almeida nota ainda que o plano de ação futuro pretende que “o AEVH seja cada vez um agrupamento para todos os alunos, independentemente das suas capacidades, das suas caraterísticas, dos seus desenvolvimentos ou nível socioeconómico, independentemente da sua proveniência, queremos que todos aqui tenham lugar”.

O objetivo é continuar a trabalhar numa “escola inclusiva”, que “consiga arranjar forma de todos ali terem lugar”.

Neste âmbito, há um conjunto de parcerias que pretendem consolidar-se e continuar a fomentar ações e projetos diferenciadores, caso da manutenção do protocolo com a Universidade do Algarve e com apoio da Câmara Municipal de Mação, para implementação do programa Milage Aprender +, um projeto de gamificação da aprendizagem que pretende cativar os alunos e permitir que cada um possa aprender ao seu ritmo com as mesmas ferramentas, mas ajustadas ao seu perfil.

“Através da gamificação será possível promover o sucesso escolar”, garante o diretor, lembrando que este projeto tem sido uma mais-valia com resultados à vista, existindo inclusive alunos e uma docente premiados a nível nacional pelo desempenho e implementação da plataforma Milage.

Outro aspecto a desenvolver serão os projetos de tutorias e mentorias, que pretendem “envolver cada vez alunos e professores do ensino secundário, para que possam colaborar na educação e promoção do sucesso escolar junto dos alunos mais novos”.

“Vamos tentar que a escola seja mais solidária”, acrescenta, sendo que o Agrupamento tem desenvolvido nos últimos anos diversas iniciativas, campanhas de solidariedade e recolhas, bem como ações no terreno, em diversos âmbitos, mas sempre com intuito de responder a uma determinada causa social.

Caso do projeto Horizonte Solidário, que nasceu para “proporcionar condições de felicidade a um conjunto cada vez mais alargado de alunos, em que se tenta compensar as impossibilidades dos seus agregados familiares, criando condições para que algumas crianças e jovens terem acesso a experiências relevantes”.

Com a autarquia serão desenvolvidos projetos que têm feito parte do plano do AEVH, caso da viagem à Europa dos alunos finalistas, bem como o programa ERASMUS, e também o programa de formação e orientação vocacional para alunos do 12º ano, o ABusiness.

Alunos do 12º ano com o promotor do projeto, professor João Farinha, da Spathys no evento final “Sunset Business Network”. O ABusiness, que aconteceu pelo 4º ano consecutivo, é um projeto que conta com metodologias de apoio aos estudantes direcionando-os para o mercado de trabalho. Foto: CMM

“Este tipo de programas sustentam o Agrupamento de Escolas no patamar de qualidade que almejamos”, garante José António Almeida.

Por outro lado, o novo ano letivo já nascerá enquadrado num contexto de descentralização da competências na área da Educação, em que os municípios passam a ter uma palavra a dizer sobre a gestão das escolas, sendo feita a transferência de envelope financeiro pelo Estado para que cada autarquia possa trabalhar em conjunto com as direções dos Agrupamentos escolares.

No caso de Mação, o diretor José António Almeida não esconde a sua discordância com o processo de descentralização e transferência de competências quanto à Educação. “Não sou particular adepto da descentralização em termos de Educação; não é que não seja possível trabalhar com qualidade, até porque estamos a fazê-lo e felizmente temos um presidente da Câmara que sabe a exata medida em que deve envolver-se, não beliscando a autonomia da escola”, frisa.

Além disso, diz que a relação de proximidade entre o diretor do agrupamento e o autarca é também uma mais valia, permitindo que “sejam dados passos sólidos rumo à qualidade educativa que aspiramos”.

“O primeiro sinal que já foi dado prende-se com as obras de vulto que estão a acontecer em todo o parque educativo no concelho de Mação. Quer na EB 2/3, quer no pavilhão desportivo municipal utilizado pela EB1 de Mação, quer na escola de Cardigos que também foi intervencionada. Estamos a requalificar as instalações do parque educativo e é possível desenvolver, em conjunto com a Câmara Municipal, atividades complementares que me parecem interessantes. Vamos ver. Estamos a fazer caminho novo, estamos a aprender a viver com essa nova realidade, a perceber os limites de cada um. Houve aqui algumas alterações que ainda estamos todos a assimilar e vamos ser capazes de levar a bom porto.

Para já, o balanço é positivo. “As coisas estão a correr de uma forma muito serena, não temos tido nenhumas situações de atrito. Esse processo tem sido acompanhado pessoalmente através do presidente da Câmara e do diretor do Agrupamento de Escolas, para que sejam limadas as arestas que tenham que ser limadas nesta fase”.

OFERTA FORMATIVA – ANO LETIVO 2022/2023

Cursos Científico-Humanísticos

Os cursos científico-humanísticos constituem uma oferta educativa vocacionada para o prosseguimento de estudos de nível superior (universitário ou politécnico). Destinam-se a alunos que tenham concluído o 9.º ano de escolaridade ou equivalente. Têm a duração de 3 anos letivos, correspondentes aos 10.º, 11.º e 12.º anos de escolaridade.

  • Curso de Ciências e Tecnologias;
  • Curso de Ciências Socioeconómicas;
  • Curso de Línguas e Humanidades.

Cursos Profissionais

Os Cursos Profissionais destinam-se aos alunos que, tendo no mínimo o 9.º ano e idade até 19 anos inclusive, que pretendam não só a melhor preparação académica para frequentar, com sucesso, o Ensino Superior mas também a melhor preparação prática para vencer no mercado de trabalho, obtendo no final do curso o 12.º Ano e uma Qualificação de nível 4 do Quadro Nacional de Qualificações.

Além das disciplinas científicas e socioculturais, os Cursos Profissionais têm uma forte componente técnica, estágios e práticas em contexto de trabalho.

Os alunos que concluírem um curso profissional no Agrupamento de Escolas Verde Horizonte adquirem preparação e as ferramentas necessárias para ingressarem no mercado de trabalho.

  • Animador/a Sociocultural
  • Técnico/a de Cozinha/Pastelaria
  • Técnico/a de Desporto
  • Técnico/a de Mecatrónica Automóvel

O encerramento do ano letivo reuniu a comunidade educativa e convidados num jantar informal, ao livre no pátio da escola sede, contando com presença do Delegado Regional de Educação da Direção de Serviços da Região de Lisboa e Vale do Tejo, Bruno Marques Santos, que muito elogiou a prática educativa e formativa daquele agrupamento.

Num banquete feito pelos alunos e formadores do curso de Restauração e Hotelaria/Cozinha e Pastelaria, contando com apoio dos alunos do curso profissional de Técnico de Turismo e outros membros da comunidade, foi possível proporcionar uma noite de salutar convívio, encerrando um capítulo para a pausa das férias de verão, a caminho de um novo ciclo que iniciará em setembro.

Houve lugar a momento musical pela artista residente do Agrupamento de Escolas, a jovem maçaense Francisca Correia, e os convidados foram presenteados com um bolo comemorativo feito no Restaurante Pedagógico, que integra o refeitório escolar e com ele coexiste em harmonia.

Ficaram os desejos de que a união permaneça entre a comunidade educativa, com a velha máxima desta escola maçaense a manter-se como mote: “É preciso toda uma aldeia para educar uma criança.”

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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