Foto: CMM

Cerca de um ano após ter sido distinguido em vida como Embaixador para a Arte do Concelho de Mação, tendo visto o seu nome ser atribuído à Galeria do Centro Cultural Elvino Pereira, em Mação, o artista foi homenageado e recordado numa sentida inauguração de exposição, entre amigos e familiares, lembrando Carlos Saramago como “intenso, génio, eterno e maior que a vida”.

A 10 de fevereiro, sábado, numa tarde de emoções à flor da pele e de muitas memórias e lembranças, familiares e amigos juntaram ao Município de Mação para prestar homenagem a Carlos Saramago, um artista único, maior do que as adversidades e vicissitudes que se atravessaram no seu caminho, em vida, e cujas dores e desventuras provocadas por problemas de saúde sempre fintou através da arte.

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“Recordamos alguém que nos deixou há cerca de um ano, alguém a quem demos o nome desta Galeria também há cerca de um ano. E é sempre bom recordar aqueles por quem nós temos gratidão e respeito e consideração”, frisou o autarca Vasco Estrela, na abertura da exposição, dirigindo-se em especial a Soraia, filha de Carlos Saramago, pela iniciativa.

Soraia Santos indicou ter tido iniciativa de fazer esta homenagem ao seu “papá”, como carinhosamente trata o pintor surrealista, seu pai, ao recordá-lo. Frisou ter organizado esta exposição em articulação com a responsável pela Biblioteca Municipal de Mação, Rosário Wahnon. “Foi a forma que arranjei e quero continuar a arranjar de manter o nome dele vivo e ativo. Ele não está aqui presente, infelizmente, fisicamente. Mas sei que lá em cima está de olho em tudo o que eu tenho minimamente fazer e tudo o que está ao meu alcance para manter o nome dele vivo. Esta exposição não tem qualquer intuito lucrativo, é só mesmo para dar continuidade ao nome dele, porque para mim é isso que faz sentido… manter a obra dele viva”, frisou a filha de Carlos Saramago.

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Soraia, visivelmente emocionada e desdobrando-se em agradecimentos a todos os que de algum modo se envolveram nesta homenagem, referiu que nesta mostra e numa compilação de vídeos que se encontra a rodar num televisor integrado na exposição, se pode ver “um bocadinho do louco que o meu papá era, da sua arte, das amizades que foi travando ao longo dos anos, e dá para perceber a evolução da arte dele, tudo o que foi fazendo, ano após ano, porque o artista nunca tem uma só fase. Tem várias. É como a lua”.

“Costuma-se dizer que o artista não morre, e a realidade é essa. As artes ficam cá para nos mostrar que continua bem vivo”, concluiu, agradecendo aos artistas participantes nesta mostra, Massimo Esposito, Artur Branco, Luís Dias Ribeiro e Elsa Gonçalves.

Carlos Saramago conjugou como ninguém a arte de pintar e a arte de viver, numa verdadeira de mostra de resiliência e perseverança, e através da inauguração desta exposição voltou a ser publicamente acarinhado numa sala cheia de boas recordações, com pessoas que lhe são próximas e que se uniram para celebrar a sua “persistência do após vida”.

A exposição de pintura que está patente na Galeria Carlos Saramago contém obras do pintor de Mação, mas também trabalhos da autoria de Massimo Esposito, Artur Branco, Luís Dias Ribeiro e Elsa Gonçalves, amigos do artista, “todos crentes na certeza de que o seu amigo foi maior que a vida e a viveu intensamente, como o génio que foi nas artes e o lutador que foi na vida”, que marcaram presença e contribuíram para esta iniciativa de louvor ao pintor surrealista.

Carlos Saramago, o ‘Pintor de Mação’ morreu a 25 de fevereiro de 2023, aos 50 anos, vítima de um cancro galopante. O artista, nascido a 1 de julho de 1972, iniciou a sua vida profissional nas artes aos 18 anos e popularizou-se com os seus trabalhos surrealistas, tendo participado em várias exposições, individuais e coletivas, um pouco por todo mundo.

Ao longo dos últimos anos, Carlos Saramago fez da tela o seu antídoto contra as dores e amarguras, ultrapassando com mestria as rasteiras que a vida lhe foi pregando, deixando-o em circunstâncias de muita debilidade, pela falta de saúde.

Afirmando-se como uma figura de referência do movimento surrealista em Portugal, Carlos Saramago trabalhou com o mestre Giorgio Rotilio na Suíça e fez de Mação a sua casa.

Saramago foi homenageado pela Câmara de Mação no dia 4 de fevereiro de 2023, numa homenagem em vida e devida com o Município a atribuir o nome de Carlos Saramago à Galeria do Centro Cultural e condecorá-lo como “Embaixador para a Arte no Concelho de Mação”.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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