Parque de Campismo, Ortiga, Mação. Foto: mediotejo.net

No início de 2023, o Município de Mação avançou com o lançamento de um procedimento para concessão conjunta da exploração da albufeira e Parque de Campismo de Ortiga. A autarquia pretendeu dar oportunidade ao setor privado para que pudesse dinamizar o Parque de Campismo que até então tinha tido gestão do Município, uma vez que havia “necessidade de redução de custos” devido aos prejuízos registados nos últimos anos.

No entanto, a aposta não correu como esperado. O concessionário “abandonou” o Parque de Campismo deixando a Câmara sem condições de manter o equipamento aberto e os campistas – alguns já com a anuidade paga – sem garantias de permanecer no Parque.

O concurso previa uma concessão por três anos, renovável até duas vezes por igual período (máximo de nove anos de concessão).

Esta quarta-feira, em reunião de executivo municipal, os eleitos deliberaram o encerramento do Parque até a Câmara ter condições de avançar com novo procedimento para nova concessão, o que poderá acontecer antes de abril de 2024.

Manter o Parque na responsabilidade da Câmara Municipal implicava garantir o funcionamento dos serviços, designadamente limpeza e segurança dos campistas. Ora só em segurança implicava o pagamento de cinco mil euros mensais, ou seja, 15 mil euros se o hiato temporal até nova concessão fosse apenas de três meses.

Foto: Joaquim Diogo / CM Mação

“Neste momento não são permitidas mais entradas no Parque. As pessoas que têm lá os seus bens poderão lá continuar, sendo certo que a Câmara vai tentar fazer melhorias no Parque para que possamos lançar um novo procedimento para uma nova concessão. Até lá não permitir que ninguém entre mas que as pessoas que lá estão possam continuar naquele espaço até porque tinham contratos em vigor com o concessionário, a maioria delas, e algumas provavelmente” do tempo da gestão municipal, explicou Vasco Estrela que classificou a situação de “híbrida e pouco conforme” mas “a possível”.

O executivo deliberou avançar, entretanto, com obras de reabilitação do Parque, com o objetivo de o tornar mais atrativo, tendo o vereador Vasco Marques, com os pelouros do Património Municipal e Gestão e Coordenação de Praias Fluviais e Parque de Campismo, avançado que neste momento estarão cerca de 15 equipamentos com contratos válidos no Parque, tratando-se apenas uma estimativa, uma vez que a Câmara ainda não desbloqueou o acesso vedado ao sistema informático do Parque para poder fazer essa contagem.

Uma coisa é certa: “não vai haver segurança do espaço e as pessoas terão de se conformar com essas circunstâncias. Ficarão com acesso ao Parque. A forma como terão acesso ainda será discutida” que poderá passar pela Junta de Freguesia de Ortiga, afirmou Vasco Estrela, notando que os campistas têm contratos de fornecimento de serviços com uma entidade que já não existe.

O futuro do Parque passa agora por obras de reabilitação nas instalações “aproveitando a época baixa para o fazer” bem como por nova concessão a privados ou “se não for possível por gestão municipal” tendo em conta a relevância do equipamento para o concelho de Mação, acrescentou ainda o autarca.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE MAÇÃO, VASCO ESTRELA

Foi precisamente reconhecendo o potencial turístico da freguesia de Ortiga e o balanço positivo nos últimos anos com investimentos de ordem patrimonial e turística, nomeadamente com a Rota das Pesqueiras e Lagoas do Tejo e o Núcleo Museológico de Ortiga, que a Câmara voltou a abrir a porta ao setor privado para dinamizar e rentabilizar o Parque de Campismo.

O executivo deliberou ainda que os campistas recebam uma carta da Câmara Municipal, formalizando o encerramento do Parque de Campismo de Ortiga.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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