Município de Mação pondera maior valorização da zona da Barca d'Amieira. Foto: Rotas de Mação

O Município de Mação tem vindo a intervir na melhoria do espaço da antiga Barca da Amieira, em São José das Matas, freguesia de Envendos, tendo sido criado um pequeno miradouro com vista para o rio Tejo e com intervenções de requalificação do espaço, nomeadamente dos muros e vias de acesso. Ainda assim, o autarca Vasco Estrela crê que aquela zona deve ser mais valorizada e ganhar novas valências, com um espaço de lazer que permita usufruir daquela margem e ainda preservar a memória histórica do antigo batelão de ferro que efetuava a travessia entre as duas margens.

Vasco Estrela deu conta de intervenções recentes com “a reabilitação de parte da calçada, de alguns muros de acesso à barca propriamente dita e ainda colocação de paliçadas em madeira texana, para alienar mais a via, e um pequeno miradouro/zona de estar para ter alguma visibilidade mais atrativa sobre o rio Tejo”.

Ainda assim, na sua ótica, aquele local tem condições para crescer em termos de projeto futuro. “Eu penso que aquela área carece de uma intervenção mais profunda, deve ser mais valorizada”, disse, notando que para já, “da parte do município, vai ser reabilitada a via em alcatrão de acesso após a linha do comboio e vai-se fazer uma reabilitação da barca [um género de batelão de ferro que tem passado os anos encostado nas imediações, debaixo de um carvalho cerquinho], que passa por remover a ferrugem, pintar a barca e pô-la se possível mais visível e com um painel informativo e breve explicação da importância económica e social daquela estrutura”.

“Acho que devemos pensar também em deixar um projeto, eventualmente, para que a valorização do local possa acontecer e ali possa ser criada uma zona de lazer. Se houver condições de segurança para o efeito, um local que permita fazer churrasco, onde possam fazer refeições e conviver, e que tenham instalações sanitárias”, prosseguiu o edil.

A ideia seria dotar aquele espaço de melhores condições, mas para tal é necessária aquisição de terrenos em redor, situação que já foi sondada e que poderá não ser um entrave. “Parece-me relativamente simples, tal a disponibilidade manifestada pelos proprietários, e acho que no futuro o espaço deve ser mais valorizado e crescer com outras valências que neste momento ainda não tem”, indicou Vasco Estrela.

Para já todas as intervenções têm sido financiadas pelo orçamento municipal, mas não se coloca de parte uma possível candidatura a financiamento no futuro.

Foto: Rotas de Mação

Recorde-se que a 22 de setembro de 2019 foi inaugurada uma nova plataforma flutuante sobre o Rio Tejo, que une as margens de Nisa e Mação, na zona da antiga Barca d’Amieira na aldeia de São José das Matas e na margem ribeirinha da aldeia de Amieira do Tejo, já no Alto Alentejo, distrito de Portalegre. Tratou-se de um projeto do Município de Nisa contando com apoio do Município de Mação.

O chamado transbordador, que transporta pessoas e automóveis entre as duas margens, tem sido chamariz para o usufruto daquelas margens, além de que no concelho de Nisa foi instalado o Trilho da Barca da Amieira, muito frequentado por visitantes e pedestrianistas nos últimos anos.

A plataforma funciona de 1 de abril a 31 de outubro, todos os dias, das 9h30 às 13h30 e das 14h30 às 17h30 (excetuando na primeira semana de cada mês, em que apenas funciona de segunda a sexta-feira). O funcionamento está condicionado ao caudal do rio, nomeadamente turbinagem/descargas das Barragens do Fratel e Pracana, não operando com descargas acima dos 450m3, conforme indica a CM Nisa. Para mais informações deve contactar-se 915 444 106.

A nova Barca d’Amieira que continua a assegurar a travessia antiga entre as margens de Mação e Nisa. Foto: Lúcio Cruz

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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1 Comment

  1. Registo e aguardo que as intenções louváveis do Presidente da CMMação, Dr. VASCO ESTRELA sejam concretizadas com a brevidade possível.
    O dia 22Set2019 foi de celebração para os d’Aquem e d’Alentejo mas não passou de ilusão, infelizmente.
    A Nova Barca, dependendo do caudal do rio não garante ida e regresso.
    Os amigos d’Amieira deixaram de utilizar o comboio pq ninguém lhes garante que ao chegar de Lisboa a Nova Barca está “disposta” a transportá-los para a margem esquerda.
    Estávamos esperançados que a inauguração da Nova Barca equivaleria à queda do muro de Berlim em 13Ago1961 mas…
    O rio continua a dividir em vez de unir como antigamente. A EN359 continua interrompida ao contrário do indicado no Mapa das Estradas.
    A velha Barca trabalhava de noite e de dia. Transportava burros, carroças, pessoas, camionetas, … Agora está em seco como peixe fora de água.
    É difícil de acreditar que a tão apregoada competência da sociedade actual não consiga resolver um problemazito como este. Terá que se tentar ressuscitar algum sábio analfabeto dos antigos???
    Só um ignorante das condições em que funciona a Nova Barca arriscaria ir visitar um amigo a pé à margem oposta. Quem garantiria o regresso???

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