Foto: mediotejo.net

O concelho de Mação, ao longo dos seus 400 km quadrados de extensão, foi esta segunda-feira, dia 1 de junho, palco de uma grande festa itinerante para a qual foram convidadas todas as 350 crianças do concelho. Em tempo de pandemia, com maior distanciamento social e confinamento, foram levados risos, sorrisos e brindes aos mais novos habitantes do concelho, não deixando de marcar o Dia Mundial da Criança. “Neste tempo diferente, uma atividade diferente”, conforme refere o autarca Vasco Estrela, visivelmente orgulhoso de uma iniciativa de sucesso, que encheu de cor e alegria as aldeias e localidades maçaenses e, principalmente, deixou um rasto de brilho e gratidão nos olhos dos pequenos maçanicos.

Partiram três equipas dos serviços da Câmara Municipal, munidos das lembranças para entregar às crianças, até 12 anos, do concelho. O objetivo, em três percursos, era correr todas as aldeias, de lista na mão e entregar o brinde a cada uma das crianças listadas. Porta a porta, com a companhia de uma equipa de animação de Abrantes, a Meganimação, foram feitas entregas personalizadas, com apoio do Super-Homem, da Princesa e do Malabarista Luigi, que faziam as delícias dos garotos e famílias.

Aqueles que regressaram às escolas, da creche e pré-escolar, puderam receber os seus mimos por lá, da parte da manhã. Os restantes, estando em casa por via do novo modelo de aulas do ensino à distância, não ficaram para trás.

Tocou-se à campainha, apitaram-me os carros, fez-se a festa à porta, na rua, na varanda, no jardim, à janela do prédio… Houve até quem não quisesse deixar aquele ponto de encontro passar despercebido, e engalanou-o à maneira, com balões, peluches, entre outros adereços divertidos e simbólicos da festa. Assim, não havia espaço para dúvidas: era ali que estaria um dos 350 homens e mulheres do futuro.

Uma das equipas com parte do executivo municipal, em Penhascoso, numa das últimas rotas efetuadas durante a tarde, a findar a festa itinerante pelas aldeias do concelho, junto das crianças. Foto: mediotejo.net

Entre as aldeias e localidades, os números vão variando. Saltam à vista pequenas aldeias como Queixoperra, com 15 crianças, Ortiga também com 14, Penhascoso com 12 e Envendos com 15 na listagem. Depois, o contraste chega quando na lista procuramos nomes como Amêndoa (5), Carvoeiro (6), ou Aboboreira e Chão de Lopes (2) e locais do Mação profundo, como Rouqueira, Vale da Mua, Azinhal e Mesão Frio com apenas uma criança contabilizada em cada uma.

Aqui, esta festa de proximidade ganha especiais contornos, uma vez que o concelho pretende valorizar as crianças que nele habitam, tendo consciência que delas e das gerações vindouras, depende o futuro e continuidade.

Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação, reconhece que foi uma “festa diferente, em contornos diferentes”, lembrando que as crianças também têm sentido na pele as contingências e restrições vividas em tempo de pandemia de covid-19, estando privadas dos contactos habituais que tinham nas escolas, com os colegas, professores, estando também elas confinadas em casa.

“O que a CM Mação tentou fazer foi alegrar-lhes o dia, dar-lhes uma oportunidade de terem um Dia da Criança diferente. Acho que muitas delas poderão não o esquecer”, diz.

Por outro lado, o autarca reconhece que este trabalho “de grande proximidade” vem ao encontro de outras medidas e serviços prestados durante a pandemia, nomeadamente à população mais idosa.

O presidente da Câmara não deixou de reconhecer o trabalho dos Serviços da autarquia, de onde partiu a ideia e a prossecução da mesma, referindo que o executivo municipal desde logo apoiou a ideia, dando “liberdade” para esta ideia ir avante.

Foto: mediotejo.net

“Acho que foi uma ideia muito bem conseguida, as crianças assim o reconheceram, os pais também, e estamos todos de parabéns. Neste tempo diferente, uma atividade diferente”, termina.

A verdade é que a ideia foi bem acolhida por todos, e houve até quem tivesse a benesse de ter à porta de casa um cartão de aniversário diferente, ao vivo e a cores, caso do pequeno Rodrigo, de Penhascoso, que fazia anos e aguardava ansiosamente a chegada da tão aclamada festa sobre rodas.

O mesmo em Queixoperra, onde os mais novos, aproveitavam o final da tarde para brincar e passar o tempo. Mas tocada a campainha, logo chegavam junto da equipa de animação, curiosos e surpreendidos com aquela caravana.

Caso das pequenitas Leonor, Maria Inês, Mafalda e Benedita, que já estavam sentadas nos degraus da entrada, de olhos postos nas cores e dizeres divertidos do Super Homem, e logo se mostraram interessadas em acompanhar o número do Malabarista, dando uma grande salva de palmas a todas as crianças do Mundo, para que, tal como elas, pudessem ser eternamente felizes. Pelo menos, era esse o desejo de Luigi, o colorido Malabarista.

Foto: mediotejo.net

Apanhados de surpresa foram Simão e Constança, irmãos que chegaram sossegados à rua, em frente de casa, depois de o primo Salvador já ter recebido o seu presente e o seu momento de animação. Depois lá se entenderam com as figuras divertidas, e perceberam que aquele momento foi preparado para si, trazendo-lhes diversão naquele dia especial, o Dia da Criança.

Ainda que a festa fosse para os mais novos, teoricamente, eis que na prática também os mais velhos se deixaram ir na onda da alegria e boa disposição, clamando com fervor “Feliz Dia da Criança” e sorrindo de volta à passagem dos elementos do grupo.

Uma maratona gigante, com muitos quilómetros à mistura mas, com certeza, gratificante, tendo em troca o agradecimento sincero e carinhoso, espelhado nos sorrisos dos mais pequenos. Fica um dia para mais tarde recordar, para miúdos e graúdos, trazendo à tona o melhor que a vida tem, numa altura mais difícil e em que se vivem tempos estranhos.

E mesmo em tempo de pandemia e de incerteza, há verdades inquestionáveis: já dizia o poeta, que o melhor do mundo são as crianças.

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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