Sessão de cinema drive-in. Foto: arquivo/ mediotejo.net

A iniciativa é inédita no concelho de Mação, mas em tempo de pandemia tem ganho expressão pelo país e pelo mundo fora, permitindo aos participantes assistir a um filme confortavelmente sentado no seu automóvel ouvindo pela frequência do rádio o som do mesmo. Aconteceu na sexta-feira, dia 3 de julho, numa iniciativa organizada pelo CLDS 4G e pela Câmara Municipal de Mação, permitindo que cerca de 200 pessoas, entre miúdos e graúdos, pudessem assistir a um filme recorde bilheteira do cinema português, a celebrar o Dia Europeu da Música, dedicado à vida e obra de um dos ícones da música portuguesa, António Variações.

Chega-se cedo, cerca das 20h30, e já se verifica a chegada dos primeiros espectadores. A entrada faz-se ordeira, seguindo por circuito definido com baias e fitas. O primeiro ponto avisa que, naquela estação, deve ser colocada máscara, ao entrar no recinto.

Vânia e Liliana, assistente social e psicóloga, respetivamente, membros do CDLS 4G de Mação, estão de serviço na entrada. Daniel Jana, coordenador, encontra-se a dar indicação e em contacto com a empresa audiovisual.

Explica ao mediotejo.net que, com a entrada em atividade do Contrato Local de Desenvolvimento Social de 4ª Geração logo veio a pandemia colocar desafios ao plano de atividades.

Foto: mediotejo.net

Ainda assim, a pandemia de covid-19 também é vista como “uma oportunidade para fazer eventos diferentes, tentar chegar às pessoas de forma diferente”, caso desta sessão de cinema em formato drive-in.

Assinalando-se o Dia Europeu da Música, recorda-se a história de António Variações, através de um filme do realizador João Maia, que lhe dedicou atenção durante 15 anos.

O protagonista é Sérgio Praia, contando-se com participação de Vitória Guerra, Miguel Raposo, Madalena Brandão, Augusto Madeira e Filipe Duarte. Recua-se até aos anos 80, saltando às memórias de menino na aldeia de Pilar, freguesia de Fiscal, concelho de Amares. Terra onde nasceu o bon vivant, músico e compositor à frente do seu tempo, que morreu precocemente com um broncopneumonia.

Vídeo: Falámos com Daniel Jana, coordenador técnico da equipa de CLDS 4G Mação Mais Social, que nos falou sobre a iniciativa e os desafios colocados ao projeto social que integra, com o estado de pandemia.

Começam por pedir preenchimento de ficha de inscrição dos participantes, atestando e confirmando os dados fornecidos antes. O evento esgotou no dia seguinte a ter sido publicitado.

São entregues folhetos alusivos ao projeto CDLS 4G Mação Mais Social, e às várias iniciativas desenvolvidas nos dois eixos atribuídos: Intervenção familiar e parental, preventiva da pobreza infantil e Promoção do envelhecimento ativo e apoio à população idosa.

É também entregue um preçário com alguns alimentos e bebidas que poderiam ser adquiridos, onde não faltam as pipocas no cardápio e as filhós tradicionais. As receitas reverteram a favor do Centro de Dia de Aboboreira, instituição que acolhe o projeto CLDS 4G de Mação.

Foto: mediotejo.netA fila já ia comprida, cerca das 21h00, e começa o frenesim para que tudo esteja a postas juntamente com a empresa responsável pela instalação da tela e demais apetrechos audiovisuais.

Faz-se a entrada, com o presidente da Junta, José Fernando Martins, também presidente da direção do Centro de Dia de Aboboreira, a ajudar a organizar o espaço. Teriam de ali caber 75 viaturas, das mais variadas dimensões. Ponto assente é que todos teriam de conseguir visualizar, através do vidro do carro, o filme a ser passado.

A fila já ia comprida, cerca das 21h00, e começa o frenesim para que tudo esteja a postas juntamente com a empresa responsável pela instalação da tela e demais apetrechos audiovisuais.

Estariam ali 200 pessoas, entre casais, famílias com crianças e jovens, e houve até quem levasse a mascote lá de casa.

O pretendido era promover uma iniciativa “sem colocar ninguém em risco, reinventado-nos um pouco”, com a noção de que, apesar de tudo, “os eventos não podem parar mais tempo” sob pena da indústria do setor estar a sofrer na pele a inatividade e o cancelamento de concertos e festas concelhias.

Foto: mediotejo.net

Já se avistavam dentro dos carros, por entre o lusco-fusco do cinema, as pessoas a prepararem os bancos e a ajeitarem-se para o que aí vinha. Já se comiam pipocas e trocavam-se impressões num burburinho a fazer lembrar as filas de trás da sala de cinema, onde sempre há quem se faça ouvir. Ouviam-se comentários curiosos, de miúdos que não sabiam a história daquele tal de “Variações”, de seu nome António Ribeiro, esse músico que chegaram, durante o filme, a comparar a Conan Osíris pela sua irreverência nos trajes e pela forma como dava vida à música, ali representado pelo ator Sérgio Praia.

O filme começa, os rádios sintonizaram na frequência certa e logo, logo, a atenção prendeu-se ao grande ecrã a céu aberto, numa noite que se fazia ventosa e fria, ao jeito das noites de Feira Mostra de Mação, que por estes dias, em circunstâncias normais, estaria a decorrer, não fosse a pandemia de covid-19 motivo para a cancelar como a todos os espetáculos e eventos, até setembro, na forma tradicional como concebemos.

O filme transmitido numa tela gigante a céu aberto, no Largo da Feira, uniu todos os participantes pela frequência FM 96.7. Foto: mediotejo.net

Entre as cenas que reportam a vida e obra de António Variações, sobre o processo de criação e sobre o seu eu pessoal e artístico, irrompem os motores para que a bateria permita a emissão via rádio, coisas de modelos de carros recentes.

As regras foram cumpridas, com máscaras, higienização das mãos, e saídas excecionais para ir à casa de banho. Não houve ajuntamentos de pessoas, tecnicamente, mas sim de veículos automóveis em nome da cultura que tanta falta faz à comunidade.

A sessão termina, ao fim de cerca de duas horas, ao mesmo ritmo que começa. Os créditos corriam, e as filas nas extremidades começaram a escoar com indicação dos responsáveis.

As ruas de Mação mostravam-se agitadas como há muitas semanas não se verificava. Parados aqui e acolá, lá se encontravam espectadores animados e a aproveitar para desentorpecer as pernas, bamboleando junto ao carro e despedindo-se à distância de amigos ou conhecidos.

Fica o registo de uma noite para mais tarde recordar, numa iniciativa diferente, em tempos excecionais e em que se prima pelo distanciamento social.

 

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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