Lar de São José das Matas, na freguesia de Envendos (Mação) celebra 28º aniversário e anuncia investimento de 200 mil euros. Foto: JFE

O Centro de Dia – Casa de Idosos de São José das Matas, em Envendos, Mação, vai comemorar este sábado o seu 28º aniversário, após um interregno de dois anos devido à pandemia. A instituição, que foi a primeira a acolher o processo de vacinação a idosos contra a covid-19, tem em curso um investimento na ordem dos 200 mil euros para alargamento e requalificação do edifício sede.

O programa para celebrar o 28º aniversário da instituição arranca pela manhã, com uma missa campal e entrega de fardas, às 10h00, receção de oferendas e almoço convívio, seguido de animação com o Grupo Cultural ‘Os Maçaenses’, intervenções das entidades oficiais e corte do bolo de aniversário.

Em declarações ao mediotejo.net, Manuel Cristóvão, presidente da direção do Centro de Dia – Casa de Idosos de São José das Matas, na freguesia de Envendos, falou deste dia, de dois anos de pandemia, e de um importante investimento em curso para requalificação e alargamento das instalações.

Manuel Cristovão, presidente da direção da Casa de Idosos de São José das Matas. Foto arquivo: mediotejo.net

ÁUDIO | MANUEL CRISTOVÃO, PRESIDENTE LAR SÃO JOSÉ DAS MATAS:

Com a vida praticamente em suspenso durante dois anos, finalmente é possível assinalar o aniversário da instituição. O que é que significa para si, enquanto presidente da direção, poder regressar a uma certa normalidade?

Manuel Cristovão – Isto significa muito porque realmente dois anos de interregno para quem estava habituado a celebrar todos os anos o aniversário da instituição, é realmente tempo a mais e então foi nossa intenção conduzir um grande encontro, digamos até um grande encontrão, para em conjunto, num clima de convívio e amizade, celebrarmos não apenas o aniversário da instituição, mas também celebrar a vitória da vida sobre os sustos da morte que a pandemia tanto pronunciava e assustava. Portanto, foi esta a razão que levou a, não apenas celebrar, mas tentar celebrar em grande este aniversário, o 28º aniversário, após dois anos de interregno.

Qual é a importância, neste momento, da instituição para a localidade de São José das Matas, em termos de resposta social, e quantos utentes tem o centro São João das Matas?

A aldeia tem apenas esta instituição, em termos da freguesia havendo duas instituições com lar versus ERPI. A nossa instituição é a única que dispõe de resposta social de centro de dia e de serviço de resposta de serviço domiciliário, mais conhecida por SAR.  Ao nível de lar são 33 utentes, o número é variável em utentes de centro de dia, mas neste momento somos quatro e mais uns sete em serviço de apoio domiciliário. Portanto neste momento são 44 utentes, é o último número, digamos assim, registado.

Confirma que há um investimento importante em curso e que vai ser também assinalado no âmbito deste aniversário?

Sim é verdade, o orçamento calculado era elevado e a obra foi avaliada por um certo valor, 150 mil euros, mas em consequência da maldita guerra entre a Rússia e Ucrânia, os preços dispararam e, para além dos trabalhos que sempre surgem, é praticamente inevitável em obras de certa envergadura. De maneira que é um valor avultado, mas nós vamos suportar e alcançar o objetivo que pretendemos que é o aumento da capacidade, quando a obra estiver completa, aumentar a capacidade do lar, iremos passar de 33 para 40 utentes. Neste momento pretendemos com as obras atuais arranjar espaços para gabinetes das técnicas superiores, de secretaria, do gabinete médico, da sala de fisioterapia e da sala de tempos livres, digamos assim, além da mudança da lavandaria que também vai acontecer, os vestiários, balneários das funcionárias também vão mudar para as novas instalações e esses espaços vão ser transformados em quartos.

E quando é que se vai proceder à inauguração deste grande investimento?

Não é tão cedo porque neste momento há uma obra que está em curso e diz respeito a paredes, teto, telhado e placas. Depois ainda procedi à apresentação de um projeto, que está na segunda fase, que está na fase final, e que ainda vai demorar tempo, até chegarmos ao fim, claro.

Estamos a falar de um investimento de 200 mil euros. Conta com o apoio de algumas instituições ou entidades?

Não propriamente, neste momento é à base das nossas economias e depois como sempre com o espírito generoso do nosso povo, com a ajuda da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia e dos nossos associados e apoiantes que sempre vão ajudando. Inclusivamente agora, este sábado vamos ter um almoço, vamos oferecer um almoço aos participantes, independentemente de serem associados ou não, vão poder participar no almoço e o próprio porco assado que vai fazer parte da ementa, oferecido por um dos nossos associados, é um empresário de sucesso sediado em Castelo Branco que é proprietária de uma empresa chamada Soferragens e que todos os anos nos vem ajudando e que no natal sempre nos agracia com o bacalhau da consoada e, fora disso, de vez em quando outras benesses nos vêm parar às mãos.

E neste 28º aniversário será uma boa oportunidade para a instituição receber umas prendas, digamos assim, dos amigos para ajudar nesta obra que vai reposicionar o lar também para um futuro a médio e longo prazo…

Sim, com certeza, e nós já temos algumas transferências bancárias e naturalmente estamos esperançados que vamos conseguir. As pessoas dão o que podem e o que mais faz falta e o que têm na vontade e é isso, estamos dispostos a aceitar aquilo que nos oferecerem.

Lembrando que foi um utente do lar São José das Matas a quem foi administrada a primeira vacina contra a covid-19, como é que foi viver estes dois anos e que agora vão ser, digamos assim, deixados para trás com a celebração deste aniversário?

Foram vividos com muitas limitações, como é natural, as pessoas ficaram impedidas de receber visitas, ficaram impedidas de sair da instituição conforme acontecia diariamente, sempre davam uma passeata com a animadora sociocultural pela rua da aldeia e deixaram de poder sair, mas, entretanto, essa situação foi ultrapassada, felizmente e neste momento a situação é francamente mais animadora”, concluiu.

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Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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